Como o Espiritismo analisa o Câncer?


Designa-se por câncer a doença decorrente de um crescimento descontrolado de um aglomerado de células, se se espalham pelo organismo da pessoa, existindo diversos tipos de cânceres, uns mais agressivos que outros. Tentaremos aqui, com base nas informações trazidas pela Doutrina Espírita, trazer algumas reflexou acerca do tema, auxiliando-nos na compreensão dos fatores espirituais e materiais dessa enfermidade.


Pode-se dizer que o câncer é uma doença espiritual, contudo há outros fatores de origem material que influenciam no aparecimento da doença. Atualmente, não é raro perceber o desenvolvimento de hábitos negativos ao corpo físico e que causam uma predisposição orgânica ao câncer, como o fumo, o álcool, o stress, os excessos de todos os matizes, a má alimentação, entre outros.


Entretanto, normalmente, o câncer é uma enfermidade cármica, pois estamos inseridos na Lei de causa e efeito e, dependendo das nossas atitudes negativas ou positivas, poderemos receber a saúde ou a doença como decorrência de seus efeitos. Lembremos que o corpo físico reflete o espiritual que, por outro lado, refletirá no nosso corpo mental. Joanna de Ângelis, no livro O Ser Consciente[1], ensina estarem as patologias diretamente relacionadas com o estado mental do Espírito, sendo a criatura humana constituída pela energia que o Espírito envia ao corpo material e ao sistema nervoso. Assim, qualquer desequilíbrio abre campo para o surgimento de doenças e de distúrbios, desencadeando os problemas patológicos, as chamadas enfermidades.


Joanna de Ângelis elenca diversos fatores a causar o desequilíbrio deste fluxo de energia, como por exemplo: o amor, a angústia, o rancor e o ódio. O amor citado não é o sublime, mas o bruto e possessivo, em que os participantes movem-se pela força dos desejos, sendo no caso o grande demolidor das estruturas celulares. Quanto mais se deseja e frui, mais se exige e sofre e, não se conseguindo a realização de seus anelos, decompõe-se e contamina a mente com os raios venenosos do desalinho emocional, assim como as defesas imunológicas e a vibração de harmonia mental, adoecendo a criatura.


A angústia, apresentada como efeito de frustração, é semelhante a densa carga tóxica que se aspira lentamente, envenenando o ser de uma tristeza sem fim que busca, às vezes, fuga por meio do suicídio ou por um desejo de desaparecimento, almejando acabar com o sofrimento. Já o rancor é apresentado como produtor de ácidos destruidores que acabam por consumir a energia vital do indivíduo, abrindo brechas intercelulares para o desequilíbrio e o surgimento de doenças, como as psicoses profundas e os episódios esquizofrênicos de difícil reparação.


O ódio é trazido como um tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física da criatura, sendo o seu poder tóxico comparado a agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte. O ódio gera perturbações nos aparelhos respiratório, digestivo e circulatório, sendo o responsável pelos cânceres físicos e as matrizes das desordens mentais e sociais que afligem pungentemente a vida na Terra.


O Espírito Joanna de Ângelis, agora na obra Receita de Paz[2], traz também o mau-humor como originador de câncer. Este sentimento ataca larga faixa da sociedade leviana, gera a irritação e desencadeia muitos males para a criatura, ocorrendo um desajuste orgânico e psicológico por parte daqueles que o alimentam, com margem para o surgimento de doenças psicossomáticas de tratamento completo. Ressalta, assim, que muitas formas de cânceres têm sua origem no comportamento moral insano, nas atitudes mentais agressivas e nas súplicas emocionais doentias, sendo preciso vigiar os sentimentos e lutar contra o mau-humor, policiando o verbo rude e ácido, mantendo a dignidade interior e evitando as ofensas.


Finaliza a benfeitora afirmando ser o Evangelho uma lição de otimismo sem fim e o Espiritismo a doutrina que o atualiza, convidando a criatura para a contínua transformação moral de modo a alcançar a edificação interior.


Observa-se, portanto, proceder a saúde da criatura humana do ser eterno, vindo das suas experiências de vidas pretéritas e, dependendo da consciência e do comportamento de cada uma, sofrerá ou não com as doenças cármicas. No caso do câncer, ele poderá eliminar as sombras do passado, mas somente as ações no bem e a forma como lidamos com as doenças e os problemas poderão, de fato, iluminar a nossa caminhada.


Dependendo, então, da nossa reação diante da dor, que pode ser de resignação ou de revolta, estaremos ou não nos redimindo definitivamente dos erros cometidos e nos habilitando para um futuro luminoso, não sendo o simples fato de sofrer que trará o resgate e a quitação com a lei de Deus, mas o modo como estamos sofrendo.


Além disso, considerando as mudanças usualmente ocorridas no seio familiar, o câncer pode ser considerado também um resgate e uma necessidade de aprendizado para a família como um todo, pois quando os familiares se modificam e se desdobram em cuidados com o enfermo, cada um presta menos atenção em si mesmo, agindo com menos egoísmo e mais caridade. No aspecto espiritual, portanto, o câncer promove a cura do espírito e, de certo modo, da família.


O ideal é que possamos ver o câncer como uma tentativa de reequilíbrio espiritual a quem não soube elaborar bem suas emoções no decorrer das vidas, sendo sempre uma excelente oportunidade para reflexão e avalição em torno de própria criatura, um retorno ao Criador.

[1] FRANCO, Divaldo Pereira. O Ser Consciente. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. [s.l.]: Leal, 2008. p. 25.


[2] Id. Receita de Paz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. [s.l.]: Alvorada, 1984. p. 28.

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