Como o Espiritismo vê a tatuagem? Ela marca o perispírito?

Atualizado: 19 de Out de 2018


A Doutrina Espírita não condena e muito menos diz que é errado ou não. O Espiritismo apenas orienta e explica as consequências de determinados atos e atitudes. O Espiritismo esclarece e conscientiza.


A Doutrina Espírita pensa que o bom senso é a melhor medida. O gosto pelas tatuagens podem representar reminiscências do tempo em que reencarnávamos em meio aos silvícolas e aborígenes, piratas ou vikings, e tantos outros agrupamentos humanos, e que funcionavam como indicador de posição social ou de padrão comportamental. Nesse caso, é o passado falando mais alto no alicerce de nossas bases psíquicas.


Sobre a tatuagem há quatro aspectos a serem destacados:


1. Sintonia mental e atração de espíritos inferiores.


Há certos desenhos funestos, sensuais, com palavreados chulos que poderão ser formadores de preconceito além de atrair espíritos funestos, sensualistas que marcarão a psicosfera mental e peripiritual da pessoa, psicosfera que o acompanha após sua desencarnação. Continuará no meio e junto às pessoas com o mesmo padrão vibratório.


2. Cuidado com o corpo físico.


A doutrina pede também cuidado com o corpo físico. E certas atitudes são verdadeiras agressões que, muitas vezes, ferem a parte adornada, causando danos irreversíveis ao corpo físico. A Doutrina Espírita, de fato, não estimula a tatuagem porque a Lei de Conservação, uma das dez leis morais de Deus, mostra ser o corpo um santuário que devemos preservar sempre, evitando maltratá-lo quando não há um fim útil a bem do próximo ou da humanidade. Allan Kardec, na pergunta 725 de o Livro dos Espíritos, pergunta “Que pensar das mutilações praticadas no corpo do homem ou dos animais?”. Os Espíritos respondem: “ A que vem semelhante pergunta? Perguntai sempre se uma coisa é útil. O que é inútil não pode ser agradável a Deus e o que é prejudicial lhe é sempre desagradável. Porque, ficai sabendo, Deus só é sensível aos sentimentos que elevam a alma para ele, e é praticando as suas leis, em vez de violá-las, que podereis sacudir o jugo de vossa matéria terrena.”


Uma mãe que não come e se sacrifica para alimentar os filhos é bem vista aos olhos do Pai, bem diferente de uma pessoa que não come e sacrifica o corpo por conta da beleza e da estética, pois nesta situação a causa é a vaidade e não o amor.


3. Não é a tatuagem que mostrará o caráter de uma pessoa.


Na verdade o que realmente importa é fará a diferença é o seu interior, seu coração, sua vivência da Lei de amor e caridade. Não é o fato de ter tatuagem que fará uma pessoa merecer ou não uma vida feliz na espiritualidade, mas sim a vivência do Evangelho. Se formos bons, ajudarmos o próximo, amar, seremos recebidos de braços abertos no plano espiritual.


4. Marca ou não o corpo espiritual (perispírito).


No plano espiritual você poderá ou não manter suas tatuagens. Isso porque o nosso perispírito tem uma propriedade “plástica” e, pela força do pensamento e da vontade, adquirirá a forma que quiser. Assim como você poderá, por exemplo, adquirir no plano espiritual a forma da sua última reencarnação, pode também adquirir a das reencarnações anteriores, se assim desejar, pois podemos moldar o perispírito pela vontade e pelo pensamento.


Os que se tatuam devem procurar identificar seus motivos íntimos, pois seu perispírito vai retratar, no plano espiritual, esses motivos, esse interior, seja positivo ou negativo.


Agride o corpo espiritual todas as vezes que se prejudica o semelhante através da maledicência, da agressividade, da violência. Na verdade, os adereços afetam menos o corpo perispirítico do que as nossas atitudes e pensamentos.


O Espírito André Luiz elucida não ser o perispírito o reflexo do corpo físico e sim esse a refletir a alma, elucidando, inclusive, que para o tratamento das lesões do corpo espiritual na Espiritualidade, os servidores da Medicina espiritual penetram e estudam a história do enfermo, os mecanismos da doença e verificam a probabilidade de êxito, com a realização de exames nos tecidos psicossomáticos e análise cuidados da ficha cármica do paciente, de modo a poderem indicar, com precisão, acerca da reversibilidade ou da irreversibilidade da moléstia perispíritual antes de nova reencarnação.[1]

As tatuagens e as pequenas mutilações que alguns indivíduos elaboram como forma de demonstrar amor a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo de modo discreto não trariam, logicamente, os mesmos efeitos que ocorreriam com aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais grosseiros.


Importa verificarmos, porém, se tais indivíduos não estão mutilados psíquica, emocional e espiritualmente.


[1] XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. Espírito André Luiz. [s.l]: L. Neilmoris, 2008. p. 141.


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