top of page

Primavera de Marta - Mensagem do dia 05.11.2021

Atualizado: 15 de nov. de 2021


A qualquer estudante da vida terrestre parecerá que a sociedade está hoje muito bem estruturada em classes sociais.


Demógrafos, economistas, sociólogos e outros estudiosos hão dividido as massas de povo de acordo com o nível cultural e o poder aquisitivo, estabelecendo mecanismos de movimentação de uma para outra.


Classes abastadas são aquelas possuidoras de alto poder financeiro, sustentando luxo e compra de itens custosos na atual estrutura material entre os encarnados. Daí em diante se seguiriam os indivíduos pertencentes às classes B, C, D e sucessivamente, a se encerrar naqueles que se homiziam no paul das misérias mais chocantes.


Quase todas as sociedades terrestres tiveram essa mesma articulação em torno das sociedades de então, conforme a época histórica. Gregos se dividiam entre os que eram considerados cidadãos e não cidadãos. Eupátridas, mulheres, escravos e estrangeiros (metecos) constituíam os demais substratos da sociedade da extinta hélade. Romanos, por sua vez, se julgavam descendentes do Lácio, onde viveram os etruscos, e suas camadas sociais eram elásticas, indo desde os patrícios, senhores das terras e do poder político, passando pelos plebeus, clientes e finalmente os escravos.


Com outras nomenclaturas, a atual sociedade não difere muito daquelas do passado remoto das civilizações já extintas. O parâmetro permanece invariavelmente o econômico, estando este nas mãos de poucos e os deveres se diluem nas demais camadas.


Com o advento do Cristianismo, houve uma ruptura nesse pensar linear. A revolucionária postura de Jesus conclamou homens e mulheres a uma visão mais dilatada da vida, onde o pouco ou muito possuir deve ser desconsiderado diante de valores eternos.


Este possui celeiros fartos, e não consegue conciliar o sono por razões de crimes ocultos.


Aquele domina o cetro do poder político e não possui rédeas dos próprios vícios.


Este, se vê projetado no pedestal da fama e da autoridade, permanecendo intimamente escravo de algozes da alma, traduzindo penúria moral.


Muitos administram o mundo e desconhecem a própria alma.


O Divino Amigo expôs, de maneira serena e lúcida, que o valor de um indivíduo não está circunscrito ao seu poder financeiro, origem de classe ou cor da pele, e sim ao seu comportamento para consigo mesmo, para com o próximo e sua relação com a Divindade. O muito ter no passageiro teatro das ocorrências físicas apenas cria deveres e prisões mentais àqueles que não sabem como administrar os empréstimos divinos, concedidos a título precário, a fim de que se promova o bem-estar social e o progresso coletivo. O domínio de suas paixões e más tendências é fator decisivo na ascese de um Espírito nas trilhas da evolução, o credenciando aos cimos da vida ou o cimentando aos grilhões das vidas inferiores.


Castas, divisões por padrões financeiros e poderes tem sido motivo até hoje de inúmeras discórdias nas sociedades terrestres, sustentando privilégios de classe e fomentando guerras civis e insurreições de consequências imprevisíveis. A mensagem da Boa Nova é muito clara nesse sentido: somos todos filhos da mesma progenitura divina e nossa destinação é a felicidade, sendo o estágio terrestre simples passagem por escola de aperfeiçoamento intelecto-moral, a caminho da universidade da vida.


Que pessoa alguma se valha da posição conquistada para esmagar os menos favorecidos ou lhes negar direitos consagrados na legislação divina, a se refletir de maneira turva nos diplomas legais e transitórios do mundo.


Cada um dará conta de sua administração em tempo certo, e nem sempre o homem muito aplaudido no mundo chega ao reino dos céus em posição de destaque.


Para as leis divinas, o ser não vale pelo que transitoriamente deteve nas trilhas do mundo, e sim pelo muito amar que exerceu para com seus irmãos nos caminhos ásperos da convivência.


Não te abatas se por ora não dominas largos tratos de terra ou possuis abundância de recursos. Todo mordomo do mundo tem tempo certo para prestação de contas.


Segue tua trilha mesmo com pouco, e vale-te de teus tesouros íntimos para espalhar em derredor de ti a alegria e a esperança, o otimismo e a coragem.


Estes, são teus legítimos valores. Nenhuma traça corrói, nenhuma ferrugem consome e nenhum meliante ou estelionatário te pode furtar.


São estes passaportes que te darão acesso ao mundo maior quando soar o instante de tua emancipação da mutável sociedade humana, fundindo-se à grande família universal.


Serás, então, uno com Deus.


Marta

Salvador, 05.11.2021

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page