O que é “O Céu e o Inferno”?



É o quarto volume da Codificação da Doutrina Espírita, publicada em 01 de agosto de 1865. Nesta obra aborda-se a Justiça Divina segundo o Espiritismo, realizando um exame comparativo entre as doutrinas acerca da passagem da vida corporal à vida espiritual, acerca das penalidades e recompensas futuras, dos anjos e dos demônios, das penas, entre outros, seguido de grande número de exemplos sobre a situação real da alma durante e depois da morte.

Esta obra decorre da quarta parte, das “Esperanças e Consolações”, capítulos 1 e 2, de O Livro dos Espíritos, colocando ao nosso alcance o mecanismo da Justiça Divina, em consonância com o princípio evangélico “a cada um segundo suas obras”, dividindo-se em duas partes:


Na primeira traz um exame comparado das doutrinas religiosas sobre a vida após a morte, abordando temas como morte de crianças, seres nascidos com deformações, acidentes coletivos, imortalidade da alma e reencarnação. Elucida ainda temas como anjos, céu, demônios, inferno, penas eternas, purgatório, temor da morte etc., trazendo Kardec, ainda, um código penal da vida futura, uma espécie de escrito, como um regimento, com trinta e três artigos, para explicar a situação do Espírito depois da desencarnação, informando o que acontece com o Espírito, por que existe o sofrimento, quem o cria, como deve ser o comportamento do Espírito diante das três ferramentas de trabalho, o pensamento, a vontade e a inteligência, de modo a poder governar a sua existência.


O Codificador desmistifica a ideia de regionalização do céu e do inferno, demonstrando que não existem lugares fixos, geográficos no Universo onde os Espíritos ficam. Sem dúvida, é um livro de suma importância para todos os que desejam compreender, a fundo, os mecanismos da vida e da Justiça Divina.


A segunda parte, resultante de um trabalho prático, reúne dissertações de 66 Espíritos, casos reais, com narrações de espíritos felizes, infelizes, espíritos em condições medianas, sofredores, suicidas, criminosos e espíritos endurecidos, oportunizando ao leitor conhecer a realidade da vida pós-morte e constatar o quão importante é trabalharmos nossa evolução e reforma íntima, almejando uma vida mais feliz no plano espiritual.


Dezessete destes casos trazem relatos dos Espírito informando como foi o momento da transição, do desencarne, com informações curiosas e de suma importância para o nosso aprendizado, para que possamos saber como devemos nos preparar para este momento. Seis depoimentos são de Espíritos medianos, nem muito cultos, nem totalmente ignorantes, mostrando qual é a sua situação. Dez relatos são de Espíritos que mostram o grau de sofrimento depois da desencarnação. Nove são depoimentos de suicidas, cinco de criminosos conscientes e quatorze de Espíritos que falam das suas expiações, quando passam por momentos de reflexão sobre os efeitos da causas que produziram quando encarnados.

Portanto, esta obra da Codificação, entre outros, esclarece o ser humano sobre o seu destino; examina as diversas crenças sobre o céu e o inferno, os anjos e os demônios, as penas e as recompensas futuras; refuta o dogma das penas eternas e desmistifica, com estudo de casos, a vida de além-túmulo, firmando a fé no futuro e na justiça de Deus, permitindo a perfeita compreensão da Lei de Causa e Efeito, parte das Leis Divinas.


Kardec, ao comentar a obra na Revista Espírita de 1865, diz ter nela reunido todos os elementos próprios para esclarecer o homem sobre o seu destino, nada tendo introduzido que fosse produto de um sistema preconcebido, ou de uma concepção pessoal, tendo tudo sido deduzido da observação e da concordância dos fatos. Acredita que o livro está ao alcance de todos, sendo facilmente compreendido, pois toca ao vivo certas questões, chegando na hora certa.


É um livro que deve ser lido, estudado, meditado, anotado e discutido. Além da análise espírita acerca do céu e do inferno, aborda também a questão referente ao purgatório, que são construções teológicas da Doutrina Católica. Explica o porquê de existir essa configuração religiosa, importando conhecer como foram construídos estes pensamentos teológicos sobre céu, inferno e purgatório. Sobre o purgatório, conquanto Jesus não tenha falado sobre o tema, sendo uma criação do Catolicismo, Kardec resolveu pela sua inclusão e estudo nesta obra.

O ser humano, via de regra, não se prepara muito para o momento do seu desencarne, não pensa nisso, o que é lamentável. Sabemos que num certo momento o homem precisará se desligar dos vínculos que o prendem ao mundo material e, quanto mais entendimento tiver da vida após a morte, melhor será a sua condição no mundo dos Espíritos. Assim, vemos o quão necessário é o conhecimento e o estudo da obra O Céu e o Inferno.

2020 © Todos direitos reservados Conhecendo o Espiritismo