Por que o Espiritismo é considerado o Consolador Prometido por Jesus?

Para que possamos compreender bem e corretamente esta pergunta, vamos lembrar o que disse Jesus, no Evangelho de João:


Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. [...], mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.[1]


Pelas palavras de Jesus, verifica-se que a missão do Consolador Prometido é guiar os homens à Verdade, restabelecendo o ensino do Cristo em sua pureza primitiva e abrindo novos horizontes à compreensão humana da vida.


Durante a história da humanidade houve, segundo o ensinamento dado pelos Espíritos superiores, três revelações: O Decálogo, que constitui a parte divina da lei mosaica; o ensino moral contido no Evangelho e o Espiritismo. A primeira revelação da lei de Deus está personificada em Moisés, a segunda no Cristo e a terceira não está personificada em pessoa alguma, sendo as duas primeiras individuais e a terceira coletiva, esse é o caráter essencial da revelação espírita.




O Espiritismo levanta o véu lançado sobre alguns mistérios, traz enorme consolação aos deserdados da terra e a todos que sofrem, dando uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores humanas. A revelação cristã sucedeu à revelação mosaica e a revelação espírita vem completá-la. O Cristo a anunciou, e ele próprio preside a esse novo surto do pensamento humano, manifestando-se fora e acima das Igrejas, seu ensino dirige-se a todas as raças, porque é baseado no amor e não em dogmas religiosos, é dizer, por toda parte os Espíritos proclamam os princípios em que ela se baseia, convidando o homem a meditar em Deus e na vida futura.


A terceira revelação, ao contrário das outras, não está personificada em um só indivíduo porque surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio a pessoa alguma, sendo distribuida simultaneamente por sobre a Terra, confirmando a predição de Joel: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos sonhos”.[2]


O Espiritismo não ensina nada de contrário ao Cristo, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros e objetivos aquilo que não foi dito senão sob a forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar o cumprimento das coisas futuras. O Espiritismo não dogmatiza, nem se imobiliza. Sem qualquer pretensão à infalibilidade, seu ensino é progressivo como os próprios Espíritos.


Para ser apreendido o real sentido das palavras ditas por Jesus, era necessário que novas ideias e novos conhecimentos trouxessem a chave indispensável. Contudo, estas ideias não podiam surgir antes que o espírito da humanidade houvesse adquirido um certo grau de madureza, era imprescindível que a ciência pudesse contribuir poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento de tais ideias. Logo, era necessário dar à ciência tempo para crescer e progredir.



Pela leitura das palavras de Jesus no Evangelho de João, verificamos que o Consolador Prometido deveria apresentar algumas características especiais, a saber: Procurar lembrar o que Jesus ensinou; Ensinar muitas coisas que o Evangelho não pôde explicar adequadamente; Consolar e confortar os que sofrem mostrando a causa e a finalidade dos sofrimentos humanos e o Consolador, como Espírito da Verdade, teria, pois, de dar ao homem o conhecimento de sua origem, da necessidade de sua estada na Terra e do seu destino, espalhando por todo o lado a consolação que advém da fé e da esperança.


Havia a necessidade do encaminhamento posterior do Consolador Prometido porque nem tudo foi dito por Jesus, em virtude da imadureza da humanidade à época, do esquecimento, da falta de vivência das verdades apregoadas no Evangelho e das distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos pela igreja (Cristianismo). Como aborda Kardec em A Gênese foram dois mil anos de fermentação e de criminosas deformações da mensagem cristã.


E quando se pergunta se o Espiritismo consegue preencher todas as condições inerentes ao Consolador, a resposta é seguramente positiva. Tal raciocío fica muito claro no Evangelho Segundo o Espiritismo[3], quando afirma Kardec que Jesus promete outro consolador, dizendo que o mundo ainda não conhecia o Espírito de Verdade porque não estava maduro para o compreender, mas que o Pai enviaria outro consolador para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo havia dito. Destaca que se o Espírito de Verdade teria de vir posteriormente para ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo e, se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é sinal de que o dito antes foi esquecido ou mal compreendido.


Observa também que o Espiritismo veio abrir os olhos e os ouvidos de toda gente, exatamente por falar sem figuras, nem alegorias, levantando o véu intencionalmente sobre certos mistérios, permitindo que a consolação suprema chegue aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, cumprindo assim todas as condições citadas por Jesus em sua promessa. Portanto, assim como o Cristo disse “não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz “não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”, não ensinando, abosolutamente, nada contrário ao que ensinou o Cristo, mas tão somente desenvolvendo, completando e explicando em termos mais claros e para toda a gente.


[1]João 14:15-17 e 26.

[2]Atos 2: 16-18.

[3]KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.131 ed.Brasília: FEB, 2013. p. 105.

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