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Primavera de Marta - Mensagem do dia 01.12.2022



Desde quando erguido no sopé de uma montanha, o templo dedicado a Apolo, na velha Grécia, passou a atender milhares de peregrinos, que para ali acorriam, buscando elucidações do destino e bálsamo para as amarguras existenciais. Pontificava, à época mencionada, uma jovem, portadora de notável sensibilidade, que se deixava manipular docilmente pelas forças do mais além, interpretando o pensamento dos numes tutelares, auxiliando com respostas lúcidas as incógnitas da vida. Dada esta ocorrência, a fama do templo correu o mundo antigo e o lugar passou a ser ponto de peregrinação até sua decadência, que se deu por volta do século terceiro depois de Cristo, quando da dominação do mundo grego pelos romanos e a divulgação do Cristianismo.


Tomando Delfos como referência, em diversos lugares do mundo se ergueram santuários, onde almas aflitas buscavam ajuda moral e espiritual. E em cada um deles o convite era sempre para que cada um se conhecesse, buscando em si mesmo a fonte turva dos males que o afligia.


Sócrates esteve em Delfos e anotando a assertiva célebre (conhece-te a ti mesmo), a divulgou em Atenas, onde ergueu pelas ruas sua notável escola de pensamento, denominada maiêutica.


Dois mil e quinhentos anos depois, temos as estradas do mundo tomadas de caminhantes sedentos de orientação e ajuda. O GPS, abastecido por satélites artificiais em torno da Terra, define latitudes e longitudes corretas, mas não responde aos clamores da alma.


Mapas mostram a estrada e identificam pousadas e postos de combustível para os milhares de veículos em trânsito, mas em suas cabines estão motoristas e passageiros, carregando pavorosas ilusões e medos constritores.


Jamais se viu tamanha desorientação da criatura humana em derredor de suas razões para viver. Apesar de dispor de religiões e religiosos, os crentes de variados matizes, jazem consumidos por dúvidas cruéis, interrogações acerca do destino e da dor, bem como assaltados por ocorrências desagradáveis, cujas causas não conseguem equacionar à luz de teologias petrificadas e divorciadas da realidade dinâmica da convivência.


E as buscas por quem detenha as chaves da porta que deem acesso à felicidade continuam existindo, movimentando milhões de pessoas, ávidas por um norte para suas agitadas peregrinações.


Gurus, sacerdotes, palestrantes e médiuns são buscados diariamente, cercados de inquietos e ansiosos, todos portando questionários e interrogações acerca das ocorrências mais comuns da vida e, quando estimulados ao estudo e à meditação, a maior parte foge das recomendações sensatas, volvendo por automatismo ao parque infantil onde se distraiam, receosos do contato com as próprias responsabilidades.


A culpa ainda se constitui em excelente refúgio moral para milhões, que logo em seguida aos atos infelizes ou diante da inércia criminosa, terceirizam as próprias desventuras, alegando interferência de forças ocultas e sombrias em suas atitudes ou na paralisia.


Raramente, desejam verificar e constatar que podem e devem assumir as rédeas da própria vida, amadurecendo valores e se credenciando a novos horizontes de experiências evolutivas.


Oráculos modernos estão por toda parte. Remunerados ou 0800, se fazem orelhões de queixas, ofertando as próprias opiniões sobre este ou aquele tema que lhe sejam apresentados, mas não altera o consulente se este não estiver disposto a refletir sobre a própria conduta.


Assumir riscos nas empreitadas. Se reconhecer deficiente neste ou naquele campo do saber. Aceitar que outros estão produzindo muito mais com muito menos recursos, tão somente porque são esforçados. Compreender que pode sempre contar com o auxílio de mais alto, mas terá que fazer sua parte.


A Divindade fornece o piano, mas o concerto corre por conta do músico.

E assim caminha a humanidade até hoje. Conquanto Delfos seja hoje próspera cidade grega, seu templo lendário é apenas um conjunto de ruínas e pedras soltas. Oito bilhões de aprendizes, presentemente, se acotovelam na escola terrestre, tendo aulas da vida a todo instante.


Dificuldades que ensinam paciência. Enfermidades que reclamam resignação.


Choques culturais, pedindo resiliência.

Crenças diferentes, sugerindo tolerância. Embates familiares, propondo diálogo e serenidade no trato com parentes difíceis.

Morte de entes queridos, predispondo quem fica a estudar desapego e compreensão.


O advento do Cristianismo ao mundo foi um sopro de renovação, onde a misericórdia divina socorreu a criatura humana pela mais impactante mensagem que se tem notícia até hoje.


O amor abrandou a justiça implacável. O silêncio asserenou a gritaria. A brandura desarmou a violência. A caridade socorreu a multidão de famintos. A prece, diálogo direto entre criatura e criador, iluminou vidas, renovou a esperança e sustentou a fé, que cambaleava.


Tens um roteiro para seguir.

Tua existência tem um significado. O acaso é o pseudônimo que Deus usa quando não quer aparecer.


Nascimento é simples entrada no corpo. Morte, alfândega de regresso ao mundo real.


O futuro, que é o presente, pertence ao Espírito.


Adota, desde hoje, a coragem de te descobrires. Sonda tuas províncias íntimas. Examina quais teus reais interesses no mundo, além das aparências.

Sê a pitonisa de ti mesmo.

Oráculo de tuas próprias verdades.

E avançarás sem grandes sobressaltos em tua marcha para a grande luz.


Marta

Salvador, 01.12.2022

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