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Primavera de Marta - Mensagem do dia 02.02.2022

Atualizado: 3 de fev. de 2022



Convocados ao trabalho de disseminadores da luz e da verdade entre as criaturas humanas, não raro o servidor se vê cercado de dúvidas e inquietações múltiplas, atrasando a própria marcha e impondo pausas no serviço para infrutíferos enfrentamentos com forças contrárias. Que qualquer iniciativa dos filhos da luz sofrerá críticas e ataques das sombras é afirmativa que não padece dúvida alguma. Em meio a uma sociedade ainda hostil e refratária, em sua maior parte, a qualquer ideia espiritualizante, encontrar oposição aos ideais cristãos deveria ser questão comum para os discípulos atentos aos próprios deveres.


Buscando embaraçar a atividade iluminativa, forças opostas ao ideal libertador se levantam em toda parte, criando dificuldades e aridez nos campos a semear.


Aqui, uma crítica destrutiva, cujo propósito, é desestimular o ânimo. Ali, uma colocação pessimista, destacando o lado menos feliz de pessoas e circunstâncias, tentando desacelerar a iluminação de muitos. Mais adiante, a deserção de companheiros que aderiram a esse ou aquele projeto de esclarecimento, mais vítimas do entusiasmo de ocasião do que de convicções amadurecidas, e por isso saltam do barco ao primeiro sinal de tempestade, temerosos do naufrágio.


E o trabalhador decidido, em inúmeras circunstâncias, se vê sozinho, carregando nos ombros a tarefa hercúlea de iluminar seus irmãos de jornada, tendo ainda que sofrer a zombaria e a chalaça de mentes anestesiadas no sono imediatista das vantagens terrestres.


Não será fácil, como nunca foi. Desde o advento da mensagem de Jesus hordas e grupos contrários levantaram estandartes de antagonismos contra o Divino Amigo e Seus colaboradores, a ninguém poupando, inicialmente, da lapidação pública, do apedrejamento e da morte nos circos de horrores, que a história deixou gravada em suas páginas de dor e martírio. Hoje, vinte séculos depois, mudaram as ferramentas, mas a "puxada de tapete" continua derrubando alguns servidores menos atentos, momentaneamente gerando embaraços e curto circuito na propagação da verdade.


O obreiro atento e decidido deve estar no mundo sem ser do mundo, qual estrangeiro em estranho país. Falará o idioma de todos, mas nem sempre será compreendido. Usará de boa vontade incomum no trato das questões mais difíceis, e mesmo assim será taxado de oportunista e velhaco, atento aos próprios interesses. Buscará erguer alguns caídos da estrada, ofertando a mão, mas logo em seguida sofrerá o esbordoamento da própria honra, apunhalado pelas costas justamente por aqueles a quem buscou ajudar.


Iniciará o dia entre o otimismo e a oração de júbilo, fechando a noite na fadiga extrema e nas lágrimas da incerteza se conseguiu cumprir com seu desiderato junto aos homens.


Quando Paulo, o incansável evangelizador, se viu no Aerópago de Atenas, somente dois servidores daquele anfiteatro e alguns nobres da cidade o escutavam. Após pregar a mensagem cristã numa cidade intoxicada de materialismo filosófico, recebeu da diminuta plateia sarcasmo e gargalhadas de desprezo. O redivivo de Damasco não se furtou às lágrimas abundantes à noite, quando considerou para si mesmo não ter sido digno na propagação da mensagem do Mestre.


Jesus o socorreu, dilatando novos horizontes de trabalho ao intimorato propagador do evangelho nascente, intuindo Timóteo a buscá-lo com boas novas.


Em tua marcha no mundo, distante da condição paulina, serás afrontado por muitos. Vozes se erguerão contra teus ideais, serás abandonado em meio à tormenta e nem sempre encontrarás a cama fácil para o refazimento das forças em desidratação, mas Jesus te acompanha da vida mais alta.


Por ora, entre sombras densas de interesses rasteiros, sufocada pelos espinheiros da má vontade e estrangulada pelo materialismo asfixiante, não se pode vislumbrar triunfo fácil para uma mensagem que convida ao desapego, estimula a fraternidade e aponta a vida futura como porto de chegada das almas em trânsito pelos equívocos terrestres.


Ele ainda permanece crucificado até hoje, de uma outra forma.


Muitos duvidam de Sua existência.


Outros já O relegaram à simples condição de revolucionário que Roma silenciou na tarde pardacenta do calvário. Não aguardes aplausos de mãos cheias de pedras, nem flores de sarçais agressivos.


Por enquanto, o embate prossegue entre a ignorância e o esclarecimento, César batalhando por corpos apolíneos e Jesus burilando almas nas lutas humanas.


Desde ontem fizeste uma escolha. Paga o preço de tua conversão, sacode o pó das sandálias gastas na tarefa de semear o bem e caminha para a aldeia das inquietações e incertezas de muitos, ali deixando com teu exemplo sementes de esperança e renovação, alegria e felicidade.


E se não frutificarem?


Isto já não é contigo.


Marta🌻

Salvador, 02.02.2022

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