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Primavera de Marta - Mensagem do dia 02.06.2022



Em milênios de história e evolução, o ser humano tem buscado as mais variadas formas de obter energia para suas crescentes demandas. Resinas de origem vegetal, madeira, óleos refinados passaram a ser as fontes do combustível precioso.


Por volta do século XIX, a descoberta do petróleo, de origem fóssil, ensejou uma profunda mudança no cenário sócio econômico da Terra. Denominado ouro negro, representa hoje a principal matriz energética do mundo e, por sua escassez ou abundância no mercado internacional, surgiram conflitos de tamanhos variados, patrocinando guerras e promovendo a prosperidade ou miséria, a cair como garras ferinas sobre o dorso da sociedade, cada vez mais refém desse combustível, arrancado das entranhas do solo ou capturado em reservatórios marítimos, de grande profundidade.


Mais recentemente, o álcool de cana de açúcar, a energia eólica, nuclear, de carvão e o gás natural passaram a movimentar as imensas frotas de veículos, indústrias e fornos siderúrgicos, diversificando as possibilidades de obtenção da tão preciosa energia que movimenta a roda do progresso.


Quanto mais avança a sociedade na esteira do tempo, mais variadas ficam suas necessidades, obrigando as mentes a imaginar e pesquisar novas fontes de energia que promovam os notáveis avanços da ciência e da tecnologia.


Ocorre que a velocidade no campo moral nunca foi a mesma que a do desenvolvimento científico. Não obstante o admirável avanço de técnicas cirúrgicas, físicas e químicas, persistem os bolsões de degradação da ética, os conflitos bélicos estão cada dia mais cirúrgicos e precisos, as armas de destruição em massa se tornaram a cobiça de exércitos bem equipados e um fosso profundo se abriu numa sociedade que não cessa de surpreender com conquistas dos laboratórios, mas parece ignorar a sede abrasadora de paz e harmonia que escasseia na convivência.


Os mutilados da alma contam-se por bilhões.


Depressivos e ansiosos crônicos enxameiam clínicas, farmácias e consultórios vários, tentando amainar a fúria interna que os devora em silêncio.

Portadores de síndromes variadas, de catalogação fácil e diagnóstico difícil, buscam drogas alopáticas cada vez mais potentes, tentando reverter a sintomatologia dolorosa que os afasta da convivência com os demais.


Templos religiosos, de variadas denominações de crença, jazem cheios de orantes em mudo desespero por ajuda, que os arranque da letargia e dos pesadelos.


Escasseia a energia que fomenta a esperança e movimenta a alegria.


Doutrinas múltiplas se articulam para entender esse ser, vestido de carne com 60 trilhões de células, 206 ossos e cinco litros e meio de sangue lhe correndo nas veias, à semelhança de um rio vermelho, onde as enfermidades insidiosas se instalam com enorme frequência, debilitando a maquinaria orgânica. E ao lado das teratologias de natureza funcional, as inquietações emocionais, os desajustes do pensamento, as incertezas quanto ao porvir.


De um século e meio para cá novos horizontes se dilataram diante das apreensões humanas. Uma ciência religiosa começou a ensaiar seus primeiros passos. Uma religião científica abandonou os altares e foi visitar os laboratórios. Dúvidas buscaram respostas, perguntas seculares sem esclarecimento encontraram lenitivo na certeza inabalável da imortalidade da alma.


A vida existe antes do berço e prossegue depois da cripta vazia.


Os desvestidos da matéria densa pela morte regressaram do grande além, trazendo alvíssaras de consolação e amorosidade.


Organizações respeitáveis resgataram a dignidade da pessoa humana. Uma rede bem consolidada de solidariedade se estabeleceu no mundo para socorrer e amparar os mais vulneráveis.


Busca-se, hoje, investir nas artes, patrocinando o despertar de novos talentos. Homens e mulheres descobrem que precisam se respeitar mutuamente, dentro e fora das paredes do lar.


Combate-se o preconceito, a misoginia e o racismo com a mesma tenacidade com que se tenta extinguir um foco infeccioso.


Ecologistas e ambientalistas conseguem sensibilizar a classe política e a sociedade como um todo em prol do banimento da degradação de florestas e mananciais, fontes de preservação da vida animal e vegetal nos mais amplos limites possíveis.

Em meio a esse turbilhão de mudanças em torno de ti, qual teu contributo até aqui?


Estás engajado em alguma atividade filantrópica que coopere com a melhoria do ambiente social?


Nos últimos três anos abandonaste um vício, adotaste uma nova conduta e inseriste em teu viver algum hábito bom?

Quantos livros consumidos, com algum proveito, no ano findo?


Calma! Não se irrite com o aparente interrogatório.


Se tens as respostas, fica diante do espelho e responde para a imagem refletida. Para qualquer outro ser podes tu dissimular respostas ou dourar a pílula, mas para contigo sê sincero e honesto.


Quem não se enfrenta, dificilmente saberá lidar com as problemáticas externas.

Permaneça Jesus em teu coração. Amanhã, voltaremos a retomar esse assunto.


Marta

Salvador, 02.06.2022


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