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Primavera de Marta - Mensagem do dia 03.01.2022



À medida que as primeiras culturas se espalharam pelas vastas planícies do paleolítico, as terras ocupadas foram sendo paulatinamente modificadas pela ação humana.


Florestas depredadas em contínua derrubada de árvores majestosas e abate incessante de animais para alimentação humana.


Coivaras na limpeza do terreno e edificação de tribos e aglomerações, sem qualquer respeito às fontes e aos mananciais naturais, utilizados até seu esgotamento.


Das palafitas rústicas, surgiram as tabas, depois vilas e pequenas aldeias logo em seguida, pródromos das futuras cidades fortificadas de então, hoje consideradas as urbes mais antigas da Terra, como Jerusalém e Jericó.


Em rápido progresso geométrico, as civilizações foram se espalhando pelos territórios da África e da velha Ásia, e o domínio do homem sobre o meio ambiente foi se consolidando até os tempos presentes. Definida em meados do século XIX, a Ecologia passou a ser uma importante ferramenta para se compreender a ação humana sobre o meio ambiente onde vive, dorme, guerreia e morre.


Em milhões de anos sobre a face do planeta, agora se nota com maior clareza o impacto da presença dos humanos no hábitat e nos ecossistemas, na maioria das vezes profundamente danosa. Predador por instinto, por onde passou ou passa deixa uma grande alteração no sensível bioma, atingindo em cheio vegetais e animais e alterando de maneira impactante sua própria relação com a vida.


Ocorre que em meio aos severos distúrbios climatéricos, existe em cada criatura humana uma selva interna não explorada, raramente visitada e menos ainda trabalhada pelo seu latifundiário: a imensa selva das paixões.


Os vastíssimos bosques das emoções. Os caudalosos rios dos impulsos. As matas bravias dos sentimentos.


Ainda permanecem como terra virgem em muitas almas, que se recusam a abandonar as conquistas externas, ignorando o vasto continente do eu.


Quando raramente visitado, esse estranho inquilino de Gaia se mostra um "Indiana Jones" desajeitado, sem traquejo para lidar com suas próprias contradições.


Confunde apego com amor.


Julga que o sexo seja a essência da vida e se faz um animal regido por instintos, no campo devorador da libido.


Receoso de perder o que lhe não pertence, vale-se da agressividade para inibir a ação do outro sobre aquilo que julga ser seu.


Escraviza e se escraviza a vícios e comportamentos da idade da pedra.


Ergue o tacão da guerra na defesa intransigente do território que reclama como sendo sua propriedade.


Procura dominar a muitos, incapaz de dominar-se.


Esse permanece um terreno desafiador. E por mais que tenhamos avançado no campo da Teologia, descobrindo Deus e devassando Seus segredos no santuário da natureza; escrito marcos filosóficos e elucubrado sobre a impermanência de tudo; que tenhamos buscado um meio de fazer e dominar o fogo, até alcançarmos o manejo lúcido da atual tecnologia de ponta, ainda somos desconhecidos para nós mesmos. As matas indomáveis da intimidade profunda ainda esperam esse aventureiro que receia se autodescobrir, preferindo auscultar ilhas alheias.


Ferindo, fere-se.


Guerreando continuamente, promove rios de sangue e oceanos de lágrimas, incapaz de cessar a metralha e o canhão, hasteando a bandeira da paz.


Visitando pessoalmente Seus irmãos há vinte séculos, Jesus bem sabia e sabe o que vai na intimidade profunda de cada ovelha que o Pai lhe confiou.


Ensinou diretrizes.


Lecionou parábolas.


Ministrou cura a muitos.


Advertiu sobre a transcendência.


Esclareceu a finalidade da escola terrestre.

Conclamou os homens à renúncia e ao desapego.


Saiu do mundo numa trave de madeira, arrancada das florestas de cedro do Líbano.


Seu convite permanece nas consciências há dois milênios.


Talvez estejas no limiar de tuas inquietações. Em alguns momentos, sentes a terra te faltar debaixo dos pés. Teu mundo parece agitado demais e uma ansiedade crescente te faz covarde diante da própria vida.


Buscas uma saída.


Tencionas lutar contra todos, mas percebes que existem adversários mais poderosos que tu.


Antes que o paroxismo te arrebate num torvelinho de loucura e insensatez, insanidade e fanatismo, visita o "interior do teu interior", como bem definiu o cancioneiro popular.


Viaja aos rios de tuas origens divinas.

Navega no mar de tua essência.


Caminha pelas insondáveis praias de teu continente íntimo, e ali fazendo sondagem pessoal e intransferível, busca conhecer quem tu és.


Aquieta tuas buscas sôfregas. Acalma tuas ansiedades patológicas.


Refaz tua homeostasia em soçobro.


Reencontra contigo mesmo e descobre como nunca estivestes sem Deus. Apenas te apartastes D'Ele, em inútil tentativa de negar tua origem divina e teu fanal para a perfeição relativa.


Retomando teu equilíbrio, deixa tuas florestas ignotas e volve ao mundo em crise, auxiliando a convivência a ser menos áspera e difícil.


O Sublime Psicoterapeuta conta contigo.


Marta

Juazeiro, 03.01.2022

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