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Primavera de Marta - Mensagem do dia 03.05.2022



Desde as primeiras experiências espaciais na década de sessenta do século passado, o homem nunca mais abandonou o interesse em investir e tentar descobrir vestígios de civilizações extraterrestres. De engenhos espaciais não tripulados até o projeto Apolo, fazendo desembarcar na lua os primeiros homens em 1969, o salto tecnológico foi extraordinário, mas a interrogação permaneceu sem resposta: estamos sozinhos ou fora de nossa atmosfera existe vida ainda por descobrir?


Fotografias espetaculares de satélites, telescópios gigantes e caríssimos hoje orbitam a Terra, ora projetando suas poderosas lentes para as vastidões do universo, tentando decifrar os pulsares, quasares e a matéria escura. Do átomo ao neutrino, dos quatro elementos da alquimia medieval à tabela periódica de Mendeleiev existe um largo esforço de mentes brilhantes, perscrutando o infinito atrás de algum sinal de vida inteligente.


Em pouco mais de meio século, os avanços superaram de muito toda a elucubração feita pelos pré-socráticos, que tentavam equacionar a vida pelo ferramental da filosofia disponível à época.


Hoje, computadores quânticos fazem trilhões de cálculos matemáticos em segundos, garantindo exatidão de saída e chegada de um artefato de exploração espacial.


A ânsia permanece a mesma das primeiras civilizações, como sumérios e babilônicos, fenícios e gregos, diferenciando no aparato hoje disponível ao curioso homem das estrelas.


Quase senso comum de que nunca estivemos sós. O simples exercício da lógica nos dirá que somente na via láctea, onde se aglomeram 100 bilhões de estrelas, se cada uma delas tiver reles 5 planetas em suas órbitas, teríamos matematicamente um trilhão de mundos, sendo um contra senso não admitir que pelo menos em dez por cento deles não houvesse a manifestação de algum tipo de vida, seja microscópica ou inteligente.


A ciência terrestre sonha com esse achado. Cientistas vibram com a possibilidade de localizar pelo menos fósseis de alienígenas, o que já seria suficiente para demonstrar, de maneira incontestável, a presença de outras culturas no universo infinito.


Enquanto essa possibilidade não se materializa, não podemos ignorar as vidas que deambulam nas ruas e praças da Terra, buscando socorro e ajuda para suas incontáveis misérias.


Larga soma de refugiados de guerra.


Famintos do pão, sonegado pela avareza de alguns poucos.


Sedentos de água potável, enquanto outros a desperdiçam ou contaminam com suas taras de perdulários incorrigíveis.


Analfabetos que sonham com o domínio das letras e com os números da matemática, contemplando as escolas inacessíveis como se fitassem um castelo dourado no qual estão impedidos de ter acesso.


Doentes e mutilados, a suplicarem um posto de saúde ou precário hospital de campanha, onde pudessem medicar a dor que lhes enlouquece.


Desnudos, que não desejam passarelas da moda ou desfiles de vaidades, mas tão somente um costume simples com que possam cobrir o corpo, sacudido pelos estertores do frio inclemente.


Sim, afirmamos com todas as letras que existe vida inteligente fora do sistema solar, além da nossa galáxia e em outras muito distantes. Algumas dessas avançadas civilizações já superaram o primitivismo, a barbárie, o canibalismo, constituindo uma sociedade que para nossos padrões seriam inimagináveis. Eles sabem da nossa existência e já nos visitaram no pretérito próximo ou remoto, mas optaram pela observação sem contato.


O choque de culturas seria contraproducente.


Como verbalizar o amor numa sociedade que insiste no aborto e na eutanásia?


De que forma expressar a fraternidade já vivida em meio às disputas insanas que ainda insistimos em nutrir, atendendo o ego em tresvario?


Como compartilhar uma tecnologia altamente avançada conosco, se do muito que já sabemos uma boa parte foi canalizada para sustentar as guerras e promover genocídios?


Se muito nos adiantamos no cérebro, nos falta dilatar o coração.


A linguagem do amor é idioma universal. E aquele que ama, aqui ou em andrômeda, segue um passo à frente daquele que simplesmente sabe, afirma Neio Lúcio.


Não está longe o dia em que travaremos contato com nossos irmãos de outras esferas além da Terra, com eles aprendendo a linguagem dos sentimentos, aquietando nossa verborragia caquética para dar lugar ao silêncio que fala.


Enquanto esse tempo não chega, observa quem caminha ao teu lado.


Refrigera teus olhos no brilho das estrelas, mas não ignore quem se arrasta nas trilhas do mundo.


Tem muita gente caída. Ergue-as, se puder.


Junto de ti os mudos. Canta para eles.


Muitos tateiam na escuridão dos olhos apagados para a policromia das flores.


Guia-os para que não caiam no precipício.


O planeta está cheio de alienígenas, ET's, moradores estranhos, apátridas, forasteiros. Não te pedem muito.


Um gesto de gentileza, um copo d'água ou uma flor já abrirão para eles imenso caudal de esperanças, renovando a coragem e alimentando a fé de que juntos poderemos construir uma sociedade justa e humana, fraterna e solidária, dispensando buscar vida além dos limites do sistema planetário que o Senhor nos ofertou como lar, nunca te esquecendo de que o mais puro dos homens que já visitou nosso orbe optou por descer numa gruta de calcário e regressar para o infinito de braços abertos, numa trave de dor.


Veio nos dizer que, mesmo residindo em moradas diferentes, somos todos irmãos.


Marta

Salvador, 03.05.2022

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