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  • yzlima

Primavera de Marta - Mensagem do dia 03.06.2022



Em todos os instantes da vida eles estão presentes. Portadores de incertezas cruéis, ora se fazem entusiastas de uma ideia ou crença e num momento seguinte colocam tudo sob suspeita, descrendo sem qualquer explicação.


Nos referimos aqui ao aluvião dos descrentes do mundo.


Inseguros na própria fé, porque ainda consolidada nos fatos, erguem suas convicções sobre as colunas de açúcar, facilmente derretíveis quando submetidas aos testemunhos da verdade probante dos fatos. Se agarram a autores caprichosos e verborrágicos por mero capricho do ego em tresvario ou da vaidade, que procura a vitrine da exibição para ostentar o que não é. Filiam-se a crenças religiosas, temerosos da morte do corpo quais heras sobre muros de alvenaria. Examinam textos evangélicos para situar no pensamento apenas aquilo que lhes convém, se fazendo servos de frases prontas e chavões teológicos, que repetem como se fossem mantras de salvação.


A dúvida cruel os fustiga por dentro.


Crêem hoje. Descreem, amanhã.


Em uma sociedade em que o conhecimento é constantemente alterado pelo rigor científico, por novas interpretações e pela dinâmica do conjunto de indivíduos, necessário estar sempre antenado com os avanços da filosofia, colocar as convicções sempre no cadinho da fé lúcida e examinar textos e tratados com serenidade, isentando-se das paixões que ainda predominam nas rodas de intelectuais, nos cavacos de gabinete e na presunção de alguns eruditos.


Quando a crença está bem fundamentada na lucidez da pesquisa e na robustez dos fatos, o aprendiz consegue atravessar o vendaval das mudanças forrado aos arrastamento das alterações súbitas, frutos de manipulação teológica, interesses argentários e domínio das massas por hierofantes ágeis de raciocínio, mas portadores de conduta equivocada e interpretações rigoristas e puritanas.


A certeza advém da leitura atenta, onde a mente se mostra vigilante aos desvios da lógica e do bom senso, filtrando o material examinado pela peneira da fé raciocinada e pelas interrogações que devem imergir do ser que não abre mão da verdade.


O Evangelista João, em sua carta primeira, capítulo 1, versículo 1, já havia nos alertado que não acreditássemos em todos os Espíritos, mas procurássemos averiguar se o agente possui credenciais divinas. Em tempo algum tivemos tantos crentes descrentes como nos dias atuais.


Tentam convencer e converter os outros, inseguros das próprias convicções.


Fazem da voz um chicote com que zurzem as convicções alheias, buscando desacreditá-las.


Prometem o que não podem assegurar.


Manipulam o corpo e as mãos em gestos teatrais bem treinados, tentando emprestar confiança aos seus arroubos conceituais, diante de inseguros e vulneráveis da alma.


Tem cuidado com eles.


Ouve-os por compaixão, mas não lhes adote a cartilha da fé cega. São invidentes, guiando outros invidentes, rumando todos para grandes decepções.


Em resolvendo por adotar essa ou aquela crença, especialmente no terreno movediço da religião, busca conhecer suas origens na história e a saga de seus primeiros trabalhadores.


Examina com cuidado seus princípios filosóficos e doutrinários, avaliando se conseguem satisfazer tua sede de entendimento acerca da vida.


Verifica se te induzem a promover todo o bem que é possível. Se te ensinam com simplicidade como combater tuas paixões, derrotar teus caprichos e semear em tuas terras íntimas o trigo da esperança.


Se conseguem produzir em tua alma alegria constante e renovação de propósitos.


Observa se estes postulados te dilatam o entendimento acerca da impermanência de tudo, da perenidade da alma e da sua sobrevivência após a disjunção cadavérica.

Constata se depois de três anos de contato com esta nova crença te fizeste uma pessoa melhor, mais gentil, cumpridora de deveres, menos crítica para com os outros e mais austera para contigo mesma.


Se a nova crença te fez sair da reza, da repetição de palavras pela boca sem o contributo do coração, te fazendo avançar para a prece que te nubla os olhos de lágrimas e te inunda de luz.


Se esses sintomas te surgiram na vida após adesão a uma nova maneira de pensar, é muito provável que tenhas encontrado uma filosofia que por ora te atende satisfatoriamente aos anseios, na busca da verdade. Se permaneces na condição de aluno desorientado, aprendiz desmotivado e crente de verdades alheias, estuga os próprios passos, sacode a poeira de tuas sandálias e escolhe outra estrada.


Permaneces perdido.


Como se vê, tens duas opções. Pagar o preço do esclarecimento e abalar tuas verdades para constatar se são sólidas mesmo, ou permanecer como barco sem rumo, espancado pelo mar agitado das muitas crenças religiosas.


A decisão é tua.


Marta

Salvador, 03.06.2022

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