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Primavera de Marta - Mensagem do dia 03.11.2022



Em tempos mui recuados da história, as civilizações contavam o passar dos dias pelas estações da lua, enchentes e vazantes de rios e mares. Com o advento das ciências exatas, instrumentos como o astrolábio, passaram a computar as horas com maior precisão. Não seja de estranhar que no Velho Testamento, existam passagens assegurando que este ou aquele personagem tenha vivido no corpo alguns séculos. Naturalmente, que uma contagem de tempo usando como variantes estações lunares ou do ano tenham resultado em dilatado período no corpo, já que os antigos não dispunham de ferramentas cronológicas como as que dispomos presentemente.


Tudo obedece a ciclos de evolução, aperfeiçoamento, maturidade intelecto moral.


Cada época teve e tem seus saltos de progresso e conhecimento. À medida que domina as ciências da natureza, o ser aperfeiçoa seus sistemas de contagem, seus cálculos são mais cirúrgicos, seu tempo passa a ter outro valor.


Vencidas essas eras que hoje a história nos relata com detalhes, enfrentamos os dias da agonia pela falta de tempo.


Época de gente apressada.

Ansiedade vazando pelos poros.

Milhões de deprimidos, contando em silêncio as horas de suas incertezas e de seus medos.


A ânsia de buscar estar em muitos lugares ao mesmo tempo, se fazendo testemunha ocular de acontecimentos palpitantes e ocorrências inéditas. E, diante de nossos olhos, uma geração que reclama da falta de tempo, esquecendo que as 24 horas de um dia de hoje são as mesmas 24 horas de um milhão de anos passados.


O problema não está no tempo, na folhinha pendurada na parede ou na agenda situada nos aparelhos móveis dos agitados dias modernos. Está no ser que se aprisionou numa redoma de muitas ocupações, extinguindo as forças em ações e ocupações que lhe preenchem o externo, sem redundar em ganho real para sua essência.


Quase sempre sedento de dominação e posse, corre daqui para acolá, tentando ocupar todo o tempo em conquistar o mundo, sem pausas de refazimento das próprias forças, onde a viagem para dentro fica sempre adiada.


Ganhar dinheiro, possuir imóveis, acumular patrimônio, tornar-se uma celebridade, em muitas vidas, se tornou uma obsessão, desarticulando a vida íntima e deixando imensos vazios na alma.


A posse externa não aplaca a sede abrasadora por plenitude.


Viagens intermináveis que nunca preenchem as buscas por uma razão para viver.


Casas faustosas e jóias de alto custo, mas não se convertem em lares, onde a paz faça morada e tenha a esperança por inquilina.


A poluição sonora, visual, atormentando muitas vidas, que deixaram de escutar o grande silêncio.


Mansões gigantescas, resguardadas por muros de penitenciária, onde os prisioneiros são seus moradores, atemorizados com a violência urbana. Lá fora, o banditismo está solto, circulando sem qualquer receio, escolhendo a próxima vítima.


No pulso, relógios de alto valor, e por dentro o medo de perder esses penduricalhos para os meliantes de ocasião, igualmente premidos pelo tempo que lhes é escasso.


Um, foge do bandido. Outro, se esconde da polícia. E quase todos fogem de si mesmos.


Maquiam o rosto para ocultar a tristeza. Horas intermináveis em academias, esculpindo o corpo padrão do momento, em atendimento às exigências da moda. Na intimidade, o receio da velhice, o pânico pela pandemia, os cuidados em se manter distante de tudo que ocasione doenças ou retire o brilho do verniz social.


E o tempo, na ampulheta das horas, avançando para novos horizontes. As mudanças se dando e muitos alheios a essas ocorrências. O corpo que já não possui a elasticidade da mocidade, os sentidos reclamando aparelhos de suporte, a alimentação de outrora, abandonada em nome de dietas e restrições impostas pelo metabolismo mais lento.


Tempo, tempo que te quero, tempo, diz o cancioneiro popular.


Implacável, avança com 60 segundos por minuto, mas nunca se detém para atender caprichos de quem quer que seja.


Anuncia o nascimento e decreta a morte.

Prevê o casamento e em muitos casos agenda a audiência de divórcio.


Se arrasta na saúde e é ligeiro na enfermidade.


De quantas oportunidades cada criatura humana dispõe numa existência para iluminar-se no rumo da própria emancipação espiritual?


Quantos anos investidos na aquisição de coisas passageiras, e escassos meses ou dias fugidios, onde se fez frágeis tentativas na busca por respostas diante das incógnitas da vida.


Que estranha criatura é essa que torra a mocidade atrás de dinheiro, destruindo a saúde e, quando envelhece, dissipa o patrimônio acumulado atrás de recuperar a saúde perdida?


Vieste do pretérito.

Vives o presente.

Seguirás para o amanhã sem fim.

Que fazes até aqui desse patrimônio concedido pela Divindade?

Como o tens utilizado?

Conseguiste algum equilíbrio entre TER e SER?


Não te esqueças, em momento algum, que estás em regime de passagem. Teu tempo na matéria escoa na ampulheta das horas, sem que possas resgatar a hora perdida.

Meu Pai trabalha até hoje e eu também, afirmou Jesus.


Se pretendes ofertar alguma resposta, dirige teu requerimento ao Senhor da vinha. Ele saberá te orientar no rumo do aproveitamento correto do tempo, mas entre a boa orientação e o uso adequado, reside teu querer.

Pensa nisto ainda hoje.


Marta

Salvador, 03.11.2022

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