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Primavera de Marta - Mensagem do dia 05.01.2022



Torna-se incontestável reconhecer que a evolução vem lapidando, de maneira paulatina e progressiva a consciência humana há milhões de anos, buscando fazer resplandecer o diamante engastado nas cangas da imperfeição.


Por instrumentos os mais variados, experimenta o ser o acúleo da indiferença e o sofrimento da revolta eclodirem de sua intimidade, desfazendo rotos mantos da ilusão.


Se permitindo, no périplo do progresso incessante, ao contato com os arrastamentos perniciosos e com o despautério das aventuras de toda ordem, chega um instante em que, para preservar a harmonia da vida e devolver o senso de humanidade ao ser em alienação emocional, a Divindade expede decretos de ordem e justiça, arrebatando o equivocado das dissipações para o justo acerto de contas.


Doenças surgem limitando movimentos.

Deficiências orgânicas irreversíveis castram o livre arbítrio, mal utilizado sucessivas vezes.


A solidão afetiva torna-se um quisto de difícil remoção na jornada dos afetos, obrigando o viajante a priorizar seu aperfeiçoamento intelecto-moral, sem o concurso mais direto das almas afins.


Crises e abandono, amarguras e lágrimas parecem surgir do nada, e insucessos e fracassos brotam do chão do mundo, minando a esperança de triunfo das consciências embotadas.


O cálice amargo torna-se de difícil digestão. Tudo parece conspirar contra.


O passivo de erros e arbitrariedades do ser ao longo da marcha chega a um ponto tal que já não lhe é possível fruir, de maneira impune, das concessões da vida. Esta, a benefício do ser e da coletividade, restringe certas prerrogativas e limita alguns campos de atuação, evitando novas quedas e conluio crescente com as sombras, apequenando o ser em sua grandeza espiritual.


Pai amoroso e justo, Deus estabeleceu de todos os tempos leis sábias e equânimes, conferindo estas a cada filho da Infinita Criação o mérito de suas escolhas e o resultado de seus esforços.


Semeadura livre, colheita compulsória.

A lei de responsabilidade rege o concerto da vida inteligente.


Pessoa alguma estranha às tuas lutas evolutivas responderá pelos teus malogros ou colherá flores de teu jardim particular.


Tua caminhada te pertence e por onde deixes sinais, estes serão tuas placas de sinalização no trânsito da existência sem fim.


Outra não pode ser a finalidade da dor e do sofrimento que não seja a de corrigir e educar, renovar e ensinar ao Espírito que nunca sairá impune dos delitos perpetrados ao longo da marcha, tanto quanto jamais perderá seu galardão que haja praticado na jornada incessante.


A semeadura de luz enseja um clarão na estrada, apontando o caminho, mesmo que os caminhos da vida se mostrem sombrios.


O erro deliberado e a insensatez calculada tornam-se pedras de tropeço aos próprios pés, dificultando a ascensão aos cimos da vida maior, enquanto certas faturas de dor e iniquidade não forem liquidadas no cartório da convivência terrestre.


Em parte alguma da administração divina funciona o regime da "carteirada". Sob circunstância alguma o ser alcançará as regiões felizes, aprisionado aos charcos de miséria e lágrimas que livremente construiu nos círculos mais baixos da evolução.


A convivência com os afetos e amores não se dará em regime definitivo enquanto a retaguarda permanecer assinalada por nódoas morais e vinculações perturbadoras.


Dessa forma, em toda parte vigora, sem exceção, a meritocracia dos filhos do Altíssimo, que não distingue bons e maus, justos e injustos, fiéis e descrentes. Somos todos filhos do amor de Deus, gozando das mesmas possibilidades de ascensão e crescimento, fruindo de mecanismos a todos concedido para que cada um se erga das próprias quedas, rumando airoso para as cumeadas da perfeição relativa.


A lição do Cristo outra finalidade não teve que não a de nos mostrar o caminho da própria iluminação.


Prossegue Seu chamado para as almas invigilantes.


Incansável, tem nos orientado ao longo das eras por representantes admiráveis, quase sempre ignorados.


Sua cruz, até agora tomada como instrumento de flagelo e humilhação, faz-se asas de libertação das amarguras terrestres, apontando o lume das estrelas como nosso verdadeiro lar.


Sim, sabemos quanto os espinhos tem assinalado teus dias na presente vilegiatura. Anotamos que teus sonhos se converteram em cruéis pesadelos. Amigos falsos te apunhalaram as costas.


Desafetos te puxaram o tapete. Familiares te abandonaram nas horas difíceis. O mundo te fechou portas e te cerrou janelas.


Onde teu olhar se pôs, sombras e mais sombras te apagaram a claridade do dia.


Alma boa e fiel, se tens Jesus em teu mundo íntimo avançarás, triunfando sobre ti mesmo.


Benfeitores além da cortina física te amparam nas procelas do mundo.


Almas afins te socorrem, anônimas, nas quedas prováveis.


E quando as lágrimas te furtarem a visão da estrada, Ele, o Amigo dos que não possuem amigos, te pensará as chagas e te erguerá outra vez, te amparando e te sustentando nas lutas que estão por vir.


E quando tuas provas e expiações chegarem ao término, ouvirás em doce cantata de amor aos teus ouvidos:

- Vem, filho meu! O mundo te negou prazeres e te impôs fadigas. Aqui, no meu reino de amor, descansarás por um tempo, te reerguendo livre e feliz, no rumo da união definitiva com meu Pai!


Tudo mais perderá o sentido e te sentirás num mar de amor, imbatível amor.


Marta

Juazeiro, 05.01.2022

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