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Primavera de Marta - Mensagem do dia 05.07.2022



Nos áureos tempos do Brasil colônia, homens destemidos e decididos a fazer fortuna se embrenharam nas luxuriantes matas nativas, à cata de pedras preciosas. Ficaram célebres, nos anais da história pátria, as bandeiras de Bartolomeu Bueno, Fernão Dias Paes, Antônio Rodrigues Arzão e outros, avançando pelos territórios de Minas Gerais, em busca das fabulosas riquezas minerais. A mais célebre delas foi organizada em 1672 por Fernão Dias Paes, que se adentrou pelas terras mineiras, buscando com incontida avidez as esmeraldas que povoavam sua imaginação aventureira.


Enquanto atravessavam rincões inexplorados e contatavam tribos indígenas desconhecidas, foram fundando vilas e burgos, hoje prósperas cidades no mencionado Estado.


Desafiado por um filho no comando da audaciosa expedição, se vê constrangido a enforcar o próprio rebento para manter a ordem entre os tropeiros.


Nunca localizou esmeraldas e sucumbiu, agonizante, próximo ao Rio das Velhas, entregando ao genro no leito de morte turmalinas, capturadas numa gruta próxima.


Evocando esses lances da história brasileira, nosso fito é estabelecer um paralelo de nossas buscas existenciais, onde mergulhamos no corpo para evoluir e não raro nos deixamos aprisionar nas buscas materiais.


A ganância pelo ouro altera a rota. O sonho da conquista de gemas preciosas nos faz eremitas dentro do próprio lar. Olvidamos amizades preciosas, relegamos a segundo plano investimentos no campo do saber.


E quando conquistamos tudo quanto desejado ou estamos próximos do triunfo no mundo, surge a doença devastadora ou simplesmente o corpo, exausto de rigores e noites indormidas, sucumbe ao cansaço e às tensões contínuas, nos retirando das mãos sequiosas tudo aquilo que julgávamos nosso.


E de espíritos empobrecidos regressamos ao grande lar, lamentando profundamente a tarefa incompleta e o sonho perdido.


Quantos estão a despertar tardiamente dessas ilusões de grandeza e ufanias passageiras?


Incontáveis desejariam regressar pelas estradas percorridas nas bandeiras da evolução deficitária, tentando consertar equívocos, despautérios e outras teratologias de natureza emocional, mas o veículo orgânico, exaurido, não permite mais regresso para reparação de insânias e fantasias.


Só resta aguardar.


Sob o manto da Misericórdia Excelsa, estás vestido de carne para o desiderato da evolução. És um estrangeiro nas plagas terrestres.


Em torno de ti imensas fortunas e riquezas incalculáveis de gemas preciosas e pedras lapidadas, pelas quais muitos mataram, muitos morreram, mas nenhum deles as possuiu em plenitude.


São apenas caprichos da natureza, elaboradas em milênios incontáveis nas entranhas da Terra.


Não podem reproduzir o brilho do amor.


Não dotam seus possuidores de poderes mágicos.


Não inserem conhecimentos novos na casa mental de seus admiradores. E mesmo quando possuídas por largos anos, assistem, indiferentes, à partida de todos eles no esquife da morte.


Os diamantes realmente são eternos, mas os proprietários são transitórios.


Não te apegues com desenfreada loucura àquilo que te furta a paz interior.


Tua bandeira em terras estranhas deve ser a busca de ti mesmo, em tentando equacionar de onde procedes, que fazes aqui e para onde vais depois daqui.


Dessa busca resultará tua iluminação, te apontando o clarão das estrelas, que são os diamantes que Deus acendeu no infinito para alumiar tuas noites escuras.


Quando a febre da posse parecer te furtar a própria razão, recorre a Jesus e Ele te apontará que as mais preciosas conquistas são aquelas que a traça não consome, o meliante não furta e a ferrugem não atinge.


Em tuas florestas íntimas, ainda insondáveis, desvelarás valores que ignoras, te forrando de bom ânimo para a marcha que nunca cessa.


Marta

Salvador, 05.07.2022

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