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Primavera de Marta - Mensagem do dia 06.01.2022



Muitas criaturas humanas afirmam que a vida na Terra teria sentido se pudessem viver indefinidamente no corpo, inexistindo o fenômeno da morte. E por isso, muitos recursos surgiram a partir desse desejo, que disfarça o temor que os indivíduos possuem da realidade extracorpórea.


A criogenia, como possibilidade de congelar o carro orgânico antes da sua consupção, proporcionaria ao ser desenganado pela medicina atual uma chance de ser descongelado num futuro próximo ou distante, quando os avanços médicos lhe facultaria eliminação da enfermidade cruel, outorgando-lhe viver novamente sem dissabores. Ocorre que estudos nesse recente campo de investigação científica não puderam garantir a integridade dos neurônios durante a criogênese e, sem estes, íntegros, inútil seria o ressuscitar do escafandro carnal. Mesmo que tal hipótese se mostrasse viável, como lidar com o impacto psicológico de alguém criogenado em pleno século XX e desperto do nitrogênio líquido dois séculos depois?


A ausência de referências para conviver numa época diferente, o não mais existir da família biológica, a adaptação a um tempo não conhecido e inteiramente ignorado conduziria a múmia viva para um estado de alienação.


O ardor em torno da criogenia perdeu forças e se tornou mera especulação, senão delírio dos que, em desespero, tentaram se safar da morte.


A viagem do Espírito imortal pelo estojo carnal tem início na fecundação e término no sepulcro, e nesse período de tempo, antes muito pequeno e ora dilatado pela melhoria das condições sanitárias, médicas e de alimentação, proporciona ao viajante da evolução o tempo ideal para burilamento de suas anfractuosidades morais e o acrisolamento de valores que o credenciam à plenitude. Sua passagem pelo carreiro terrestre se equipara a um estágio em conceituada escola da vida, onde exercita seus talentos, estuda lições diversas e esforça-se por eliminar a ignorância que o chumba aos instintos, herança do seu trânsito pelas faixas mais primitivas da evolução.


Em cada aprendiz dormita um anjo, que necessita ser despertado para a compreensão maior da existência, e por isso mesmo se fazem indispensáveis os investimentos na dilatação do intelecto e na sublimação dos sentimentos.


À medida que atravessa diversas faixas de aprendizado (infância, adolescência, mocidade, madureza e ancianidade), colaciona valores que o credenciam a uma melhor percepção da vida e de sua finalidade, que é a de evoluir sempre, se fazendo agente consciente no plano divino da Excelsa Criação.


A morte é simples interrupção do ciclo biológico, facultando pausa nas experiências da matéria para aferição de valores na pátria de origem, para onde o ser regressa após a decomposição cadavérica.


Uma vida bem vivida não é aquela destacada por longos anos de funcionamento do corpo, mas sim a que foi bem aproveitada pelo inquilino corporal para apreender valores que irão ser de suma importância na sua vida de relações interpessoais.


Existem vidas dilatadas, vazias de conteúdo. Pessoas quase que centenárias no comboio de ossos e cartilagens, ainda equivocadas quanto ao que vieram fazer no liceu das experiências materiais. E é possível localizar vidas medianas, que se notabilizaram pelo apostolado em favor de uma causa dignificante, se desgastaram para salvar milhares de vidas e se doaram para que muitos se rejubilassem na alegria de viver.


Sob esse prisma, podemos destacar que a vida de Jesus foi curta. Quando atingiu a plena maturidade corporal aos 33 anos, os seus coevos impuseram-Lhe a cruz, o arrancando do corpo, mas O aprisionando nos corações.


Nunca mais foi esquecido.


Seus algozes foram devorados pelo tempo e olvidados pela história. Ele ficou como o príncipe do túmulo vazio e Senhor do conhecimento libertador.


Enquanto prossegues no carreiro terrestre, cuida, zela e medica teu vaso transitório. O mantém servível como se ele fosse te acolher por séculos sem fim.


É tua ferramenta de trabalho.


Em chegando a hora do regresso ao grande lar, agradece a dádiva da reencarnação e bendiz a oportunidade que te foi concedida, recordando que muitos lutam e suplicam todos os dias o regresso à arena das lutas materiais, buscando refazer caminhos e dissipar ilusões.


Menosprezaram ontem a oportunidade e ora se fazem pedintes de nova chance, nem sempre possível de atendimento imediato.


Ora, em gratidão, pelo veículo perfeito ou portador de alguma teratologia, limitação ou impedimento, fazendo dele tua alavanca de progresso e purificação, até que um dia dele não necessites mais para o desiderato, atingindo o estágio de luz que te permitirá cindir os espaços na velocidade do pensamento. Serás, então, uno com Deus, co-criador com o Pai, te aperfeiçoando incessantemente pelos caminhos infinitos da evolução.


Marta

Juazeiro, 06.01.2022

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