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Primavera de Marta - Mensagem do dia 06.10.2022



No largo trajeto de uma existência, o ser se verá atingido incontáveis vezes por reveses e fracassos, amarguras e insucessos, o conclamando a sustar a própria caminhada, estacionando o veículo do progresso na estação da derrota.


A infância maltratada, geradora de traumas e limitações nos relacionamentos da fase adulta, onde os remoques se manifestam sob diversos aspectos, criando transtornos para o êxito da existência.


Os conflitos juvenis, ensejando receio de se assumir a idade adulta, temendo-se novas recidivas de pessoas inescrupulosas.


Os primeiros relacionamentos afetivos, nem sempre gratificantes e compensatórios, favorecendo uma cultura do vitimismo, onde o abandono ou a traição pelo ser amado custe a ser superada, permitindo que a mágoa e o ressentimento façam morada na gleba sensível dos sentimentos.


Os insucessos na carreira escolhida.

O filho tão desejado e amado, que se volta contra os próprios pais, retribuindo dedicação e sacrifícios com o fel da rebeldia sistemática.


A família que se dissolveu na intriga e no fingimento.


O somatório dessas e de outras ocorrências difíceis vai sedimentando em algumas almas frágeis a sensação de incapacidade, gerando revolta ou desânimo destruidor, paralisando a marcha ascensional.


Mas, seja de perguntar: qual o alpinista que, diante da montanha a vencer localizou, de pronto, uma estrada pavimentada da planície aos cimos nevados?


Onde o mapa náutico que assegure ao navegante um roteiro que o isente das tempestades violentas e das vagas destruidoras?


Qual piloto aéreo conta com um trajeto sem turbulências?


A dificuldade faz parte da aquisição da experiência, o entrechoque de opiniões favorece a maturidade, toda ilusão reclama desilusão e o afastamento da verdade abre campo presente ou futuro para o abalo das mentiras assimiladas, restabelecendo o primado da honestidade.


Nenhuma vivência inexitosa pode ou deve afastar o peregrino de sua meta: alcançar sua plenitude enquanto espírito imortal. Anfractuosidades e percalços fazem parte da jornada, ensejando que o ser seja experimentado nas escolhas, testado na perseverança e aprimorado para os graves desafios que o aguardam mais adiante.


Um operário não deve desistir do curso tão somente porque uma ferramenta lhe feriu as mãos. Todos os anos milhares de alunos saem graduados das escolas ou das academias, da universidade ou da pós-graduação, mas nem todos saem preparados e amadurecidos para os desafios das profissões escolhidas.


O título pendurado na parede nem sempre atesta competência, e quem avança, mesmo com mossas psicológicas, se vale das mesmas para ultrapassar os limites da própria pequenez.


Traído ou alvejado na sensibilidade, chora escondido a própria dor, enxuga o pranto e retoma a estrada que lhe é própria, antevendo pelos olhos da esperança a primavera que o aguarda mais adiante.


Descartada por alguém a quem confiou o próprio coração, abençoa o companheiro ainda imaturo e retoma a marcha, agora em aparente solidão, buscando alentar outros feridos em idênticas condições.


Quando se sabe realmente quem se é, nenhum troféu passageiro se equipara a asas de anjos e nenhum soçobro nas trilhas do mundo equivale a um voucher para o inferno. Um homem ou uma mulher que realmente amadureceu para os embates naturais da vida não se permite o choro contínuo, que não edifica nem asserena, bem como não se faz vingador da honra ultrajada, destroçando os algozes de sua desdita.


Onde a presença de Jesus alcança, nova pessoa se é.


Quedas são lições.

Adversários são professores.

Insucessos são balões de ensaio.

Feridas do sentimento são marcas das tentativas encetadas na aquisição de maturidade.


Perdas externas são ganhos íntimos.

E, sorridente e cheio de bom ânimo, o discípulo fiel avança entre cruzes e estacas ferinas, buscando o Mestre descrucificado.


N'Ele, encontra socorro e cicatrização das próprias feridas, tornando-se ponto de apoio onde o Incansável Amigo acolhe muitos tombados, lhes facultando refrigério nas refregas amargas da existência e novo alento para o dia que triunfa sobre a madrugada teimosa.


Tens consciência disso?


Marta

Juazeiro, 06.10.2022

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