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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.01.2022



Quase que inteiramente robotizada, a atual sociedade tem produzido inúmeros conflitos na psique da criatura humana. Portadora de exigências que se multiplicam, incontroláveis, acaba por esticar em demasia o fio das existências, que não resistem ao volume de papéis que lhe são cobrados diariamente na ribalta da convivência onde se movimenta. Via de regra, sucumbe aos conflitos vários, exibindo limitações e transtornos que se multiplicam, exigindo intervenções medicamentosas e terapias para reequilibrar o ser que se perdeu no báratro das agonias e aflições do cotidiano.


Espouca a ansiedade incontrolável, a depressão devastadora, a síndrome do pânico inquietante, os estados fóbicos e outros em alarmante sinal de nossa inadaptação aos tempos modernos.


Fugas psicológicas se fazem corriqueiras, levando o ser a evadir-se de suas ocupações habituais. Os finais de semana se fazem tormentosos, sempre regado a festas ruidosas e consumo exagerado de álcool, como forma de distensão das tensões acumuladas ao longo da semana.


Viagens a paraísos e ilhas da fantasia, onde tudo parece mágico e os problemas são deixados para trás. A aquisição de bens transitórios, que se multiplicam na medida em que o dinheiro farto chega às mãos, o que, na maior parte dos casos, se constitui num tormento de se cercar de coisas, tentando preencher o vazio existencial, a falta de metas que preencham a nostalgia patológica, culminando em distúrbios que se vão instalando no ser e o desestruturando para a vida em comunidade.


A auto medicação hoje é quase um problema de saúde pública. Milhões de indivíduos, desequipados de informações técnicas, se fazem presas fáceis da propaganda farmacêutica bem urdida, buscando em sofisticadas drogarias os compostos que julgam libertadores das problemáticas físicas ou emocionais que os atormentam. Se consultam na internet ou ingerem drágeas seguindo recomendações de terceiros bem intencionados, olvidando a busca da causa patrocinadora dos distúrbios.


Desde que os efeitos possam ser mascarados, o ser retorna sua existência como se nada tivesse acontecido.


Vive-se, dessa forma, numa sociedade de aparências, onde o indivíduo se apresenta como imbatível, inexpugnável, blindado contra as ocorrências malsãs. E os milhões de seguidores, tomados por uma histeria coletiva, se fazem fâmulos inconscientes destas celebridades de vidro.


Sem o autoconhecimento, toda medida externa é simples adorno que o ego posta como fantasia para ocultar suas verdadeiras intenções: se manter fruindo o prazer, descomprometido do aperfeiçoamento reclamado pelos impositivos da evolução. Toda fuga é engendrada para que o self não tenha condições de amadurecer para as graves responsabilidades da gestão da própria vida. E, por isso, pululam em nosso meio, os tipos "mais ou menos"


Ama mais ou menos


Serve mais ou menos.


Se ilumina pela metade.


Conquanto busque postergar a própria iluminação, o Espírito imortal não tem como evadir-se indefinidamente de sua destinação espiritual, que é a plenitude. Por mais que crie atalhos, as divinas leis o reconduzem aos trilhos da realidade, de onde se afastou para fruir o vapor da fantasia que o entorpece.


O sofrimento surge como freio, impedindo o fracasso reencarnatório. A dor adverte-o das responsabilidades esquecidas. A morte o desgarra das aquisições transitórias, desvelando a pobreza de valores íntimos. E uma série de intermináveis mecanismos sutis reconduzem o ser equivocado ou inconsciente para seu inadiável encontro consigo mesmo.


Ninguém há que não desperte para sua realidade profunda, seja hoje ou amanhã.

Terapias bem trabalhadas ensejam admiráveis resultados para os transtornados de toda ordem, reordenando o mundo íntimo em desgoverno. Os admiráveis recursos da meditação, da prece e do silêncio interior reconectam o ser com sua parte sagrada, que sofreu ruptura com o Deus interior.


Leituras edificantes dissolvem os bolsões de ignorância, que se articulam para manter estes robotizados como manequins da farsa de viver.


Entretanto, o exercício do bem, a movimentação numa causa que oferte sentido existencial são de salutares efeitos na alma que perdeu o rumo e a direção, lhe devolvendo o equilíbrio sabotado pelo ego arbitrário.


Se presentemente atravessas teu _mare magnum_ de incertezas, se despertas com assaltantes psíquicos furtando tua paz e se deambulas no mundo, qual autômato de apelos midiáticos ou refém de redes sociais, impostergável se faz que te matricules na escola do silêncio e te mediques na farmácia do amor divino, ali buscando refrigério para tua alma em estado febril.


Tens na mensagem de Jesus as palavras de vida eterna.


Teus amigos espirituais estão a postos para te socorrerem na queda provável, se não adotares nova conduta aos próprios pés.


Medita sobre o que tens e sobre quem és. Sopesa os valores que te inquietam e aqueles que te libertam.


Sonda teu continente íntimo e ouve com atenção os áudios de tua consciência.


Pela caixa de ressonância de teu coração, os apelos da vida maior te chegarão aos caminhos tortuosos perlustrado até aqui, te apontando trilhos novos, onde possas acalmar tua sede na linfa pura da vida feliz.


Marta

Juazeiro, 07.01.2022

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