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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.03.2022

Atualizado: 8 de mar. de 2022



Para o trabalhador que penetrou a essência da mensagem cristã, as responsabilidades parecerão aumentar a cada dia.


Assim que trava contato com as diretrizes do Cristo, um novo sentido se lhe depara diante da vida.


Antigas buscas são abandonadas por não atenderem mais os novos ideais. Círculos de vícios ou procrastinação são descartados como mantos rotos, imprestáveis para a marcha. E nas trilhas do ser que se renova diariamente, as responsabilidades se multiplicam sem que ele próprio possa perceber ou dar conta.


Ocorre que muitos simpatizantes da causa renovadora se acercam dela como mariposas em torno de grande foco de luz.

Extasiam-se na claridade, mas todo o entusiasmo não passa disso. Se afirmam por demais imprestáveis para descerem ao campo das lutas humanas, enfrentando feras revestidas de homens ou silenciarem diante das calamidades morais que irão contemplar, maquiadas na hipocrisia e no fingimento.


Temendo o volume de serviço, numa seara vastíssima, onde os servidores foram e continuam escassos, opta pela retirada discreta para a posição de contempladores da causa cristã, dando baixa na ficha de serviço que lhes competia ampliar. E essa atitude, muito comum nas fileiras do cristianismo, acaba por multiplicar por cem ou por mil as responsabilidades do servidor fiel.


Assumindo seu papel de cooperador de Jesus na renovação do mundo, raramente se recolhe para dormir no mesmo dia em que despertou, se colocando de pé em plena madrugada para orar e começar a atender as demandas que lhe estão propostas.


A multidão de aflitos por uma palavra de conforto.


O bloco dos desesperados que muitos se recusam a atender, e são encaminhados ao servidor dedicado, para ministração de algum socorro urgente.


As tarefas de distribuição do pão e da sopa, do agasalho e do farnel, que inúmeros recusam fazer, alegando receio de contágio com doenças infecciosas ou alegando a proclamada violência urbana de nossos dias. E o servo do Celeste Amigo se vê buscado por esfaimados e sedentos, tentando na medida do possível, lhe renovar o ânimo e impulsionar a coragem desfalecente.


No campo da mediunidade, o sensitivo consciente se enxerga como ferramenta em contínuo uso, qual faísca de luz elevada em vasto latifúndio de sombras, onde campeia a obsessão e o tresvario mental e emocional de toda ordem.


Raramente tem tempo de sobra para um lazer ou para o convívio com a família.


E quando a dor o visita em meio aos atendimentos que presta, dar-se conta que precisa ocultar as próprias lágrimas, em constatando que o desespero e a angústia que o cerca é muito maior que a sua.


É muito alugado para que ouça, raramente merecendo alguém que o escute.


É constrangido permanentemente a ofertar pareceres e respostas a todos os tipos de indagações sobre as ocorrências do destino alheio, a incidência da dor e as incógnitas do ser, enquanto ele não logra solucionar os próprios enigmas.


E quando a noite apaga o dia, buscando o leito humilde para algum refazimento, mais parece um espantalho do campo, açoitado pelo vento impiedoso, cercado de pássaros barulhentos e sempre famélicos ante o milharal de fartura.


O filho de Deus é bem o modelo do servidor fiel e atento ao dever que lhe trazia ao mundo.


Não se observa Jesus em atitudes de descanso ou repouso em momento algum de Seu messianato. Quando seu corpo repousava na barca, conduzida pelos apóstolos inquietos, violenta tormenta assaltou a embarcação frágil e Ele foi chamado a despertar para socorrer as angústias do grupo.


Acalmou os ventos bravios.


Admoestou as ondas do mar da Galiléia, recompondo o equilíbrio dos elementos em fúria.


Sempre foi assim. Permanece assim.


Se a causa de Jesus te tocou as cordas do coração, doravante terás muito pouco tempo para ti. O mar das necessidades humanas é muito grande.


Teus folguedos serão raros ou inexistentes.


Como rir em meio às desgraças alheias?


Horas de sono reduzidas. A aflição não escolhe horário e a dor nunca dorme.


Nem sempre terás ouvidos à tua disposição.


O normal serão muitas bocas te crucificando de perguntas e interrogações várias, tentando entender os insondáveis caminhos da vida.


Tuas responsabilidades serão multiplicadas por cem.


E ainda assim, terás nos lábios um sorriso, na palavra, uma frase de estímulo e nos gestos, um aceno de otimismo e confiança.


Não aguardes do mundo aplausos ou papel picado, tapetes ilusórios de honrarias terrestres ou reconhecimento das responsabilidades abraçadas. Raramente isso ocorre e, quando acontece, o servidor já se ausentou do plano material pelas vias da desencarnação, buscando Seu Senhor e Mestre para prestação de contas, carregando nos ombros a enxada gasta e consumida no trato com a terra ingrata dos corações invigilantes e oportunistas.


Mas, se o mundo não viu o servidor fiel passar, servindo em silêncio, o Senhor da vinha O acompanhou de mais alto, ora o convocando para novos labores na pátria onde não existe a palavra descanso.


O Pai trabalha até hoje e Ele também.


Que esperas da vida?


Marta

Salvador, 07.03.2022

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