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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.09.2022



Celeste Amigo, o país desperta sob a evocação dos seus dois séculos de emancipação do tacão de Lisboa. O júbilo e a emoção tomam conta de milhões de corações.


Entretanto, Senhor, buscando a oração, sublime ponte entre nossas necessidades e Tua infinita Misericórdia, descobrimos que persiste no coração do mundo e na pátria do Evangelho os bolsões de miséria, os guetos de abandono e os deploráveis gestos de intolerância e incivilidade.


As flores parecem esmagadas pelo pisoteio da agressividade e do cinismo, estabelecendo pasto fértil para que o escalracho da maldade se dissemine, incontrolável.


Enquanto alguns poucos sorriem na fartura deste solo venturoso, temos a pobreza que choca e a fome em cada esquina, espalhando desespero e agonia.


Tua bandeira, desfraldada aos filhos da terra generosa e gentil, sempre teve a caridade como esteio e a presença de Deus como fanal, apontando a solidariedade como base e a fraternidade como estofo de nossas ações, reflexos que identificarão o Brasil no seio das demais nações como o depositário fiel de Tuas lições de ventura e amor.


Ante o momento delicado, liberta-nos de nós mesmos!

Lavra, com Tuas mãos augustas e santas, outra vez, uma carta de alforria semelhante àquela de 13 de maio de 1888, nos privando destes grilhões de intolerância, competitividade e disputas estéreis no seio generoso do povo a quem destinaste formosa missão nesses tempos difíceis.


Entre tantas religiões e credos, crenças e filosofias, inspira-nos compaixão pelos desprovidos de pão, amorosidade pelos sedentos de água e compartilhamento de gentileza no trato com todos.


Somos todos responsáveis pelos destinos da pátria amada, celeiro de farturas incalculáveis no campo material e silo de luzes imperecíveis para esse tempo de sombras íntimas.


Fracassados do ontem longínquo, ouvimos Teu chamado e nos apresentamos nos tempos modernos, ansiando por servir. Exaustos de errar e cansados de repetir os mesmos equívocos, fomos por Ti situados na terra farta e boa para novas lutas no campo vasto de nossa própria redenção.


Não consintas que adulteremos, uma vez mais, tuas sagradas lições.

Ilumina nossos raciocínios para que não nos tornemos marionetes das sombras.


Socorre nossa fé, ainda frágil, evitando nossa derrocada precoce nas trilhas dos testemunhos pessoais e coletivos.


E cada noite, faze com que o Cruzeiro do Sul incida suas claridades divinas sob o torrão abençoado, dissipando a teimosa neblina que insiste em apagar o clarão das estrelas.


Acima de nossos caprichos, esse chão te pertence e ao Teu coração está vinculado para as magnas tarefas do porvir.


Senhor, compadece-te de todos nós, permitindo ao anjo Ismael que espalhe, em Teu nome, flores e bênçãos de alegria na pátria do Cruzeiro, desde o verde exuberante da Amazônia até as coxilhas do Rio Grande do Sul.


E que 200 anos de evocação daquele gesto de outrora repercuta em cada coração como brado de libertação da própria inferioridade, estabelecendo ponte de amizade e compreensão para com os irmãos nascidos no mesmo chão.


Acima de tudo, Senhor, esse coração não pode parar de bater, nem a Pátria do Evangelho pode deixar de iluminar vidas, no rumo da plenitude.


Por tudo quanto de ti recebemos, muito obrigada, Senhor!


Marta

Salvador, 07.09.2022

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