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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.10.2022



Os paradoxos parecem estar sempre à espreita, aguardando momento oportuno de desmontar a aparente serenidade reinante. Quando o instruído e culto habitante do planeta Terra, no auge da tecnologia de ponta e com máquinas de última geração, revolucionando diversos campos do saber e do viver se imaginava isento de novas ocorrências danosas, surge uma pandemia que embaralha o jogo e desarticulou inúmeros projetos. Logo em seguida, uma invasão localizada fragiliza o cenário das relações internacionais, fazendo volver sobre todos o receio de uma terceira guerra mundial, confrontando as potências atômicas da atualidade.


A economia desarticulada, a especulação dos alimentos e o preço do barril de petróleo e do gás natural forçaram diversas nações a buscarem alternativas para evitar o colapso da indústria, diminuir as tensões sociais e garantir um mínimo de governabilidade das instituições.


Em meio a esse caos, homens, mulheres e famílias diversas, todos atingidos de maneiras diferentes. Cada qual reagiu a seu modo, mas inegável reconhecer que a sociedade de agora não é mais aquela da pré-pandemia.


Ainda vigora uma incerteza no ar. O medo do amanhã, se não espelhado nas faces, se oculta na intimidade da maioria. Busca se acelerar a retomada dos grandes projetos globais. A arte se mobiliza na costura dos grandes espetáculos. Jovens voltam a sonhar em torno de seus ideais.


Conferências de âmbito regional e internacional são propostas para se analisar o novo molde social instalado, ainda vivendo o rescaldo da enfermidade cruel, com outras sinalizando no horizonte.

Certamente que esse conjunto de peças em conflito podem permitir a muitos indivíduos uma análise pessimista da vida, abrindo espaços mentais e morais para as tragédias do cotidiano. Em alguns, a lassidão perturbadora, noutros a reação furiosa, raivosa, desejosa de a tudo resolver a golpes de tacape e zarabatana.


Por onde se olha, especialmente a intensa e febril movimentação das redes sociais, observa-se uma agitação política, intolerância aos divergentes, proliferação da cultura do ódio e discursos salvacionistas, como se cada protagonista desse ou daquele tik tok tivesse a receita infalível de reorganizar a sociedade em convulsão, segundo sua cartilha pessoal. Olvida-se que a fórmula que se aplica a um grupo, inócua ou nociva se torna para outro agrupamento.


O discurso que a alguns inflama, noutros produz náuseas.


Encontrar um meio termo, equilíbrio e sensatez nos tempos modernos está ficando cada dia mais difícil. Localizar pessoas que transitem em grupos opostos, heterogêneos, dialogando com diferentes e buscando caminhos comuns, de reconstrução da esperança e da segurança coletiva torna-se um desafio a cada instante.


Onde estariam os eleitos de Deus, que em plena efervescência da grande transição, poderiam apagar os incêndios da vaidade e da presunção tola, buscando consenso entre antagonistas?


Teria o Cristianismo uma resposta adequada e equilibrada aos caóticos dias da atualidade? E qual a razão de tanta divisão entre os próprios adeptos da doutrina do Homem de Nazaré?


Inegável concluir que teríamos de volver ao pretérito distante, exumando as bases pétreas daquela mensagem original que se contaminou no dedo viciado de exegetas e teólogos, remunerados para construir um império teocrático, que reduzisse o mundo a uma bola de golfe, manipulada por um sátrapa que ditasse a conduta dos súditos.


A mensagem original foi deslembrada e propositalmente menosprezada. Doutrinas de Estado, materialismo seco e devorador, nos arrebataram com suas promessas falaces e nos atiraram num furacão científico, que nos arrancou das mãos a clava do homem das cavernas e nos ofertou a roda e o fogo.


Descemos aos abismos oceânicos, investigamos os vulcões e no ápice da ciência dos últimos 200 anos subimos às estrelas, buscando devassar o universo.

Aqui no solo do planeta, os contrastes foram calados à baioneta, adversários guilhotinados, a liberdade suprimida e a tirania instituída.


Enquanto o cérebro cantava e ainda canta seu show solo, o coração mendiga nas ruas um instante de atenção.


Não nos surpreende mais os artefatos que brotam dos laboratórios, pois que na maioria das vezes apenas aperfeiçoa aquilo que já existe. Mas a atitude gentil, a honestidade do cidadão modesto e o interesse por causas perdidas parece estar fazendo a diferença nesses tempos de ansiedade e depressão.

Sim, a resposta é afirmativa.


As diretrizes de Jesus possuem uma solução para os graves transtornos da atualidade, que não poupam ninguém. Sua paixão permanece sendo a criatura humana, perdida no cipoal das buscas existenciais.


Um Sermão que ainda não foi vivido.

Parábolas, cujo sentido profundo, não foram devidamente assimilados.


Resgatar essa mensagem, insculpi-la no viver e prosseguir na incessante luta por se tornar uma pessoa melhor, permanece como sendo o desafio milenar, ainda não concretizado.


Estar no mundo sem ser do mundo.

Reter coisas e não ser prisioneiro de coisas.


Ver a infinita beleza numa flor esquecida e encontrar Deus num poente de fogo.

Ter cada manhã como retomada das atividades interrompidas ontem, prosseguindo e investindo nelas para fazer uma sociedade melhor a cada dia.


Corrigir em si mesmo as imperfeições que constata nos outros.

Para os demais, gentileza.

Para si, austeridade e severidade.


Não se admitir um grão de lixo ou uma estrela de primeira grandeza. Se saber simplesmente Espírito imortal, em matrícula na conturbada escola terrestre, rumando para a universidade da vida.


Se réstias dessas verdades simples conseguirem penetrar a couraça do ego, já teremos dado significativos passos na direção da vida feliz. O resto, virá por acréscimo da misericórdia de Deus.


Marta

Juazeiro, 07.10.2022

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