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Primavera de Marta - Mensagem do dia 07.12.2021


A ignorância da nossa realidade espiritual tem sido pesado grilhão que carregamos na estrada da evolução. Dotados de consciência lúcida a alguns milhares de anos, temos percorrido o tapete da história carregando os espinhos da dúvida e o cetro do poder passageiro, como súditos de nossa milenar presunção. Ao sopro da morte, se desfizeram nossos castelos de ilusão.


Nossas bibliotecas jazem abarrotadas de papiros e livros raros, atestando nossa capacidade criativa neste ou naquele setor da arte e da filosofia, mas a abordagem de nossa natureza íntima sempre foi apanágio de poucos, que aprisionaram esse conhecimento, o distanciando das massas incultas e manobráveis.


Erguemos impérios que o tempo reduziu a pó. Edificamos castas dominantes que a guerra estilhaçou, teologias complexas para desorientar as almas sedentas de entendimento acerca da vida e nos refugiamos na concha estreita da avareza, dominando muitos, incapazes do próprio domínio.


Elegemos o medo e a ignorância como as duas principais ferramentas de manipulação das multidões inconscientes. Atingimos as estrelas e nos perdemos no chão do mundo.


Atravessando presentemente dolorosa transição planetária, a Divindade vem reposicionando as peças do tabuleiro que foram alteradas indevidamente pela empáfia humana.


Degredo para muitos.

Flagelos destruidores em curso, ministrando lições negligenciadas.

Rudes experiências pessoais.

Testemunhos íntimos no desconhecido país das lágrimas não vistas.


Apóstolos carregando pesadas cruzes de abnegação, incompreensíveis para a multidão desorientada e anestesiada pelo ópio das vibrações inferiores.


Uma sociedade barulhenta e ansiosa, onde raros cultivam desprendimento e silêncio interior.

Tantos mapas disponíveis e milhões ignorando de onde vêm e para onde vão. A maioria esmagadora exigindo ser escutada, com escassos ouvidores das necessidades alheias.


Inegável reconhecer que atravessamos um tempo de penosos desafios, onde a realidade vai se impondo sobre a ilusão, desassossegando muitos.


O canhão teima em reinar, promovendo as carnificinas periódicas que enlutam os lares, mas a paz se insinua pelos corações pacificados, os convertendo em arados, a semearem o trigo nos campos.


A transcendência vai conquistando terreno sobre a imanência alucinógena.

A madrugada penosa da alma começa a perder espaço para o amanhecer de bênçãos, iluminando o tempo novo.


De toda parte surgem chamados e convocações para que ninguém alegue que ficou de fora. A natureza se convulsiona em estertores colossais, movimentando placas tectônicas, alterando profundamente o piso onde se assentam as vaidades pessoais.


O caos se insinua na ordem, a desorganizando para elaboração de novo projeto evolutivo para a raça humana.


De onde se supõe calmaria, a fúria dos elementos eclode violento, a tudo destruindo numa forma para aglutinar os estilhaços sob outra aparência, nem sempre observada pela atual geração.


O porvir nos reserva maravilhosos e insondáveis segredos.


É tempo de mudanças, renovação, progresso, autoconhecimento.


A fuga de si mesmo tornou-se inviável. O cultivo de paixões produziu graves efeitos colaterais. Temos a alma intoxicada de apelos corporais e o conúbio com as sombras tem nos custado alto preço.


A ignorância nos tem exaurido as forças.

Morrendo de sede com uma fonte ao alcance das mãos.

Vagando pelo deserto da nossa materialidade, localizamos a fortaleza de nossa realidade oculta.


Ele não nos trouxe outra mensagem que não fosse a de nosso despertamento para o que realmente somos: Espíritos imortais, em aprendizado na escola terrestre, em curso ligeiro no educandário do corpo perecível.


Seu reino, nosso lar.

Sua mensagem, nossa cartilha.

Sua cruz, asas de nossa volitação para o infinito.


Como abandonar a própria cegueira e penetrar a grande luz à nossa frente?

Teremos, forçosamente, que negar o mundo?

Renúncia completa e construção de uma sociedade de anacoretas e ermitões?

Cilícios e jejuns das coisas do mundo? As interrogações são muitas...


Ele já nos houvera advertido que quase todos lutam e se desgastam para ganhar no mundo, enquanto Ele venceu o mundo (das inquietações, da fantasia, dos arrastamentos perniciosos).


A ninguém constrangeu a carregar a Sua cruz. A aceitar Sua doutrina ou compartilhar Sua estrada.


A todos, sem exceção, fez um convite para o exercício do amor, o compartilhamento da fraternidade e o perdão incondicional das ofensas recebidas.


Para o mundo em crise, não pode haver maior mensagem.


Marta

Salvador, 07.12.2021

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