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Primavera de Marta - Mensagem do dia 08.02.2022



Se a criatura humana se permitisse maior tempo dedicado à meditação, descortinaria horizontes jamais imaginados. Campos vibratórios ainda inacessíveis se lhe facultariam acesso a estados mentais e emocionais desconhecidos.


Dotado de uma máquina fotográfica de enorme precisão, os olhos não conseguem devassar além do infravermelho e do ultravioleta, se detendo numa faixa muito limitada de percepção de cores e linhas geométricas. Além da cortina material, sutis construções fluídicas se erguem, imponentes e belas, exaltando a grandeza divina.


Conquanto equipamento muito delicado, a audição entre os encarnados não ultrapassa certas faixas de som. Flutuando entre 0 e 120 decibéis, o escutar humano não identifica faixas que estejam na frequência do infrassom e do ultrassom, campos perfeitamente acessíveis aos morcegos, cães, golfinhos e inúmeros insetos.


Nosso olfato rastreia uma série de odores, mas não identifica certos feromônios que circulam diariamente ao nosso derredor, como catalisadores da vida e sinais identificadores do processo de procriação entre os irracionais.


A percepção gustativa é capaz de identificar o salgado e o doce, o azedo e o amargo, mas não possui receptores para outras substâncias sutilíssimas, que escapam inteiramente à sua percepção.


E conquanto os sentidos corporais levem o ser a dominar o meio em que está situado pela Divindade para evoluir e aprender, outras faixas vibratórias ocultam segredos ainda impenetráveis para esse equipamento grosseiro, cujo inquilino se recusa a sutilizar pelos exercícios da oração e da meditação. Chumbado e profundamente identificado com a casca orgânica de que se reveste para o desiderato da reencarnação, trafega do berço ao túmulo sem se dar conta de um mundo rarefeito que o cerca incessantemente.


À medida que cresce no conhecimento e exercita seus valores morais na construção das teias do bem, as emoções se lhe amplificam a capacidade de perceber o ignorado. Como diria a raposa ao pequeno príncipe, "o essencial é invisível aos olhos".


A personagem fofa da imortal literatura de Antoine de Saint-Exupéry situaria para o deslumbrado viajante um universo não identificado, não visto.


Quando te sentires tomado de certa melancolia em relação à vida, como a se esvair de ti o encanto por viver, aquieta o sentimento na prece e adentra teu mundo íntimo.


Deixa-te conduzir por outros sentidos nunca utilizados.


Observa que por detrás das sombras refulge uma claridade não vista, um perfume não sentido, uma vibração não percebida.


Já profundamente atacado pelo tinnitus, Beethoven percebia em mudo desespero a surdez avançar sem detenção. E descrevem alguns biógrafos seus que foi procurado por um cego, que lhe rogou uma composição para reconquistar a mulher amada, igualmente invidente. O célebre compositor de clássicos universais se deixou tocar por aquele apelo de amor e compôs "Sonata ao luar" em 1801, onde parece descrever uma lua de prata, bailando solitária na noite salpicada de pingentes estelares.


Quando puderes, ouve-a.


Deixa de lado um pouco esses barulhos ensurdecedores que te inquietam e desassossegam.


Amplifica tua capacidade de perceber o sutil, o não visto.


Veste teu traje de príncipe e excursiona por outros campos vibratórios, onde te percebas inacessível aos dardos da intriga, da inveja e do despeito.


Ali, mesmo em instantes fugidios, reabastecerá tua casa mental de paz e harmonia, plenitude e serenidade, volvendo a agir no mundo sem perderes o rumo e a direção.


Tens um caminho à frente.


O progresso te constrange a avançar.


Outras faixas diáfanas se erguem além da cortina material.


Mentes e corações domiciliados em um país feito de luz aguardam tua conexão.


Aceitas o desafio?


Marta

Salvador, 08.02.2022

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