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Primavera de Marta - Mensagem do dia 10.03.2022



Em marcha e aprendizado numa sociedade ansiosa e carente, o Espírito se vê constrangido, muitas vezes, a adotar posturas contrárias aos seus ideais de vida, tornando-se artificial na conduta e maquinal nos sentimentos.


Respirando o mesmo ar condicionado das posturas que ocultam realidades de inquietação e medo, selvageria e egoísmo, insensibilidade e arrogância, perde seu eixo de equilíbrio e se projeta nos inúmeros conflitos que vão sendo classificados pelas modernas ciências da psique.


Depressão, pânico, fobias, condutas exóticas, transtornos esquizóides e ocorrências outras no campo dos relacionamentos interpessoais passam a refletir um comportamento doentio, onde o ser se projeta, dementado, arrebentando suas frágeis resistências e lhe tornando reflexo de condutas perturbadoras.


Ao lado dessas ocorrências no campo das manifestações psicológicas, anotaremos as problemáticas de natureza religiosa, onde o fanatismo sevicia milhões de ovelhas desorientadas, as alienando, o materialismo asfixia qualquer esperança de um futuro mais risonho e o desconhecimento de si mesmo abre campo para as fantasias de toda ordem.


Surgem os heróis de ocasião, que se deixam consumir pela overdose destruidora logo a seguir.


Os formadores de opinião, que descambam para a intolerância, patrocinando o extremismo. Os intransigentes, que se fazem modelos para uma juventude ou madureza dura e intolerante.


E uma espécie de apatia, profundo desencanto, toma conta da alma do povo, fermentando pessimismo e perda do sentido existencial, que a milhões faz sucumbir em avassaladora depressão e desmotivação para as construções da inteligência e da ética.


As evasões da vida se fazem chocantes.


As fugas da responsabilidade arrastam multidões, o suicídio ronda a casa mental de muitos e a indiferença em relação ao outro promove a anarquia social, ceifando vidas precoces, pintando de cores escuras o cenário dos dias do porvir.


Somente a adoção de uma mudança paradigmática poderá reverter a bússola que enlouqueceu, trazendo homens e mulheres à sua realidade profunda, apontando rumos novos ao ser que cambaleia nas trilhas da evolução.


Surgem regras salvacionistas. Receitas de felicidade ligeira. Religiões onde Deus é exclusivo. Guias e gurus infalíveis.


São dias de incertezas, onde ao lado da ciência exata caminham os inexatos. Filhos do cálculo, muitos se perderam nas fórmulas matemáticas, olvidando a beleza da rosa e a pureza da fonte. Escravos do ganho fácil, acumulam aquilo que julgam possuírem, temerosos da morte que lhes ronda o corpo frágil.


Sedentos de poder e posse, se fazem tiranos de outras vidas, impossibilitados do autodomínio.


Possuem a cabeça no infinito, relegando o coração à charneca dos instintos mais primitivos.


Temem o sono, optando pela vigília incessante em derredor dos bens perecíveis, amedrontados quais crianças inseguras, receosas de perderem os brinquedos ganhos no Natal das próprias fantasias.


Vivemos dias de contrastes e incoerência na maior parte das vidas que povoam o solo do mundo.


E enquanto o túmulo vai deportando milhares de regresso ao grande lar, o berço promove a chegada de outros milhares ao chão da Terra em transformação moral, intelectual e material.


O cenário de ontem já não é o de hoje.


Ninguém consegue se banhar duas vezes no mesmo rio. O ser não é o mesmo e as águas usadas já são outras.


Partilhando de nossas experiências evolutivas, Jesus sabia e sabe muito bem o de que temos medo. Conhecedor profundo de nossa realidade íntima, nunca ignorou nossas carências no campo dos sentimentos, nem nos relegou à própria estrada, nos desassistindo.


O vigor de Sua mensagem até hoje arrebata quantos se lhe acercam das diretrizes luminosas.


Permanece Senhor de rumos libertadores, a desalgemar cativos das ilusões.


Auscultando teus dias presentes, certamente observarás que difícil tem sido tua marcha. Vontade de desistir te assalta com alguma frequência a casa mental.


Teus sentimentos parecem vasos frágeis em meio a uma casa em ruína.


Teus rogos parecem ignorados pela Divindade.


Nunca estiveste em desamparo.


O mundo não é um barco à matroca, nem um veículo sideral sem comando.


O aparente caos é uma estrutura nova que se avizinha, se sobrepondo a uma outra, carcomida, que se esfarela a olhos vistos.


As tuas dores não passam desapercebidas. Milhares de corações abnegados te acompanham a marcha pelos áridos caminhos terrestres.


Em meio a tantas incertezas, refugia-te na prece, silencia em meio à balbúrdia e sorri no olho do furacão.


Tudo passa mais depressa do que podes imaginar. Somente ficará o amor de Deus, a mensagem de Jesus e o triunfo da vida sobre a morte, te desvelando a imortalidade de que és possuidor.


Marta

Salvador, 10.03.2022

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