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Primavera de Marta - Mensagem do dia 10.05.2022



Na sua ira ou inconformismo contra as adversidades da vida, costuma o homem eleger essa ou aquela dificuldade como sendo o vilão que o estigmatiza, impedindo-lhe o acesso ao êxito e ao sucesso.


Inimigos que surgem de inopino, criando barreiras e tecendo críticas ferinas.


A falta de sorte, abrindo campo ao azar.


O abandono de Deus em relação aos projetos acalentados.


A desgovernança, que patrocina o caos e a anarquia social.


Só muito raramente o aprendiz tem um olhar mais crítico e centrado nas próprias limitações, que agem como reagentes ácidos aos seus tentames de glória e poder. Não nos referimos aqui tão somente à preguiça e ao desleixo que se infiltram no cerne do ser, obstaculizando a conquista dos lauréis terrestres, ainda tão disputados no mundo, mas igualmente à falta de aptidão e credenciais do ser para o píncaro das glórias efêmeras, suscetíveis de lhe embaraçar a marcha evolutiva, quando não se possui maturidade para a tão sonhada carreira solo.


Os grandes voos exigem asas poderosas.


Tem muita gente sonhando acordada com a fama, ignorando por completo o preço que se paga ao chegar lá. Bastaria ligeiro olhar no diário das ocorrências das chamadas celebridades para constatar os desvios, a leniência com o crime e o mergulho no abismo da drogadição e dos escândalos de toda ordem para perceber que eles chegaram lá, mas não conseguem se sustentar em meio ao excesso de bajulação e exposição.


Perderam o próprio equilíbrio.


Imensas mansões cheias de vazio existencial.


Posse de veículos de luxo, exóticos, e no olhar a carência gritando ajuda.


Sorrisos bem fabricados diante de tablados e câmeras, mas a alma em frangalhos pela ausência de metas existenciais.


Discursos aparentemente centrados na família, e as condutas regidas pela promiscuidade chocante.


Certamente que não são todas as vidas, havendo honrosas exceções, mas a maior parte não consegue conduzir a própria vida em clima da harmonia desejável. Falta-lhes um ingrediente que não está nos cifrões, não surge da ovação pública nem se ergue entre as paredes das imensas residências que, à semelhança de presídios, jazem cercadas de muros altos e cercas eletrificadas.


Paradoxo de nosso tempo!


Em quantas circunstâncias contemplamos o homem e a mulher de bem reféns dentro do próprio apartamento, e lá na rua o equivocado e o psicopata solto, escolhendo a próxima vítima.


O religioso, aparentemente cheio de virtudes, ocultando na máscara bem posta os conflitos que lhe vão na alma, receoso de ser desmascarado. E o fiel, mergulhado em precária situação financeira, mas portando a conduta isenta de máculas, guardando a serenidade do dever cumprido.


Costuma se dizer que quem vê cara nem sempre vê o coração, a refletir uma verdade de nossos dias tumultuados, ansiosos. Ânsia por posse, indiferença pela paz interior.


Viagens excessivas para fora, buscando espairecimento e distração. Raras incursões ao insondável país de si mesmo, descobrindo quem realmente se é.


Apesar de tudo, a mensagem da Boa Nova veio para todos. Ricos e pobres, Zaqueus e Samaritanos, nababos ou despossuídos, todos podem ter acesso aos tesouros da Excelsa Mensagem, que pede tão pouco e oferta tanto de retorno.


Acolher a ofensa como manifestação da doença que atingiu o outro.


Tomar da pedra atirada pelas mãos criminosas e pavimentar a própria estrada.


Fitar o caluniador de consciência tranquila e perceber a vergonha que o devora interiormente, labareda que lhe consome a paz interior.


Semear otimismo e bom ânimo no terreno onde muitos desistiram.


Mergulhar na prece em meio aos conflitos, enquanto a maioria prefere o aconselhamento com a raiva e a intemperança.


Alguns plantando flores e outros cactos infernais.


Muitas vozes se erguendo para a construção da calúnia, do falso testemunho e da cizânia, enquanto algumas espalham a esperança, a fé e o otimismo.


Dois lados de uma mesma moeda no vastíssimo cenário da vida.


Com qual deles te afinizas?


Onde situaste teu coração nesses dias de inquietação e buscas sôfregas?


Elegeste vencer no mundo ou vencer o mundo?


Temes a morte ou nela já enxergas um portal de regresso ao grande lar?


As interrogações poderiam se multiplicar ao infinito, mas sigamos juntos. Tu e eles, eu e tu estamos no mesmo barco, atravessando a mesma tempestade no largo oceano das incertezas da vida.


Para alguns, naufrágio à vista. Para nós, simples distúrbio da viagem, onde depois de cada tempestade a bonança surge por Divina resposta, apontando os maravilhosos dias do porvir.


Marta

Salvador, 10.05.2022


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