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  • yzlima

Primavera de Marta - Mensagem do dia 10.11.2021

Atualizado: 15 de nov. de 2021


Nem sempre, nas circunstâncias difíceis da vida, nos colocamos no lugar do outro para mensurar as razões que o levaram a agir desta ou daquela forma.


Quase sempre na postura de carrascos da conduta alheia, manejamos com destreza o punhal afiado da crítica ou da zombaria, veiculando essa ou aquela frase desrespeitosa em relação ao procedimento do outro.


Em tempos como esse que atravessamos, onde o ginete da ansiedade e a nuvem sombria das inquietações íntimas tem toldado a capacidade em muitos de serenas reflexões, tem se optado pelo confronto, pelo duelo verborrágico, abrindo-se nos relacionamentos vastos campos de animosidade, intolerância e agressividade.


E sem o cultivo da serenidade e da tolerância, fica sempre muito difícil penetrar em causas subjetivas, que levam o ser a agir ou reagir, fazer ou deixar de fazer esta ou aquela ocorrência na vida.


Geralmente trafegando no mundo sob o aguilhão de muitas experiências nem sempre previstas, e muitas vezes contrárias aos desejos acalentados, torna-se o indivíduo amargo, tudo enxergando com olhos escuros, fazendo da língua flagelo impiedoso ante a conduta alheia.


Desprovido de recursos para mergulhar no móvel que articula as ações humanas, nem sempre dispõe de condições para compreender o companheiro de caminhada com gentileza e benevolência. Via de regra, se ergue na postura de julgador implacável, lavrando críticas e vereditos cruéis sobre fatos e pessoas que desconhece.


E quando as situações são esclarecidas, só muito raramente observamos a retratação destas almas assaltadas pela intemperança e pela zombaria gratuita.


Cada pessoa trafega em seu nível evolutivo que lhe foi possível alcançar. Se não pôde ir mais além, somente a Divindade conhece os esforços e os limites de cada um.


Atingido em certos momentos da existência por esse ou aquele estímulo, muitos dos quais danosos e nocivos aos seus interesses, o ser perde momentaneamente a capacidade de ação e torna-se reagente, abandonando a zona de equilíbrio e se projetando sem paraquedas no espaço da autodefesa.


Agride, esmurra, xinga.


Busca deter os fatores que lhe travam a marcha ou estancar a hemorragia que faz esvair a esperança, e se vale dos recursos que lhe estão ao alcance das mãos.


Nem sempre mede, antecipadamente, as consequências das atitudes adotadas. Não seja de estranhar uma geração assinalada pela consciência de culpa, frágil e infantilizada.


Nem todos se aconselham com o silêncio, que refaz as paisagens íntimas destroçadas, acendendo o archote da prece em meio ao nevoeiro articulado pelas trevas. Por automatismo dos instintos, quase sempre está a reagir, raramente agindo.


Atacado, contra-ataca.


Preterido, tece suas catilinárias vinagrosas de maneira impiedosa.


Ultrapassado por outrem, puxa o tapete para derrubar a quem elegeu como seu oponente.


E as lutas do cotidiano que pareciam difíceis vão ficando quase que insuperáveis.


Quando o ser passa a se educar para os desafios existenciais, elegendo uma postura menos reativa, os cenários são os mesmos, mas a resiliência cristã dota o aprendiz de recursos que nos estouvados escasseia.


Calma diante dos infortúnios.


Resignação dinâmica ante as ocorrências que não pode alterar.


Otimismo e aproveitamento de fatores adversos que outros menosprezaram.

Confiança na própria capacidade de superação.


Íntima entrega a Deus, na certeza lúcida de que somente nos ocorre aquilo de que temos necessidade para nosso aperfeiçoamento intelecto-moral.


Percebe-se um Espírito em evolução, enfrentando as ocorrências humanas com alegria e esperança de dias melhores.


Exercita diariamente o desapego e o recolhimento, espaços íntimos nos quais haure forças para recompor as paisagens interiores atingidas pelas farpas do sofrimento.


Chora escondido, volvendo ao socorro alheio sorridente.


Agradece o que tem e o que passa, sabedor de que muita gente atravessa situações piores que a sua.


E onde é chamado ou constrangido a se pronunciar sobre a estrada alheia, busca enxergar a parte boa que subsiste no outro.


Não espalha boatos.


Não faz julgamentos indevidos.


Não censura, não acusa.


Ama e serve, nunca olvidando que está a serviço D'Ele nas trilhas do mundo.


E quando se vê cercado de dificuldades e lutas, carências e espinhos, céu tempestuoso e limitações várias, ergue os olhos para contemplar o clarão das estrelas renovando, mesmo sob a chuva de lágrimas, o compromisso de não ferir ou agredir quem quer que seja, semeando na aridez das terras humanas as divinas sementes da fé e da fidelidade a Deus.


Pode o mundo ignorar teus esforços e tuas lutas, desconhecer tuas obras ou teus sacrifícios.


Não importa.


Jesus te conhece e isso é suficiente.


Marta

Salvador, 10.11.2021

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