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Primavera de Marta - Mensagem do dia 12.12.2022



Os últimos cento e vinte anos podem ser considerados os mais arrojados e audaciosos da saga humana sobre a superfície terrestre. Um "Big Bang" de tecnologia e descobertas admiráveis fizeram a civilização avançar enormemente em diversas áreas, notadamente da saúde, da indústria e dos transportes, incluindo aí a produção de grãos, o que hoje responde pelas supersafras, anualmente arrancada dos campos, cada dia mais explorados.


Todo esse conjunto impactou profundamente as relações humanas, exigindo adequação das leis trabalhistas e cíveis em derredor da ação do ser no meio onde atua. E esse esforço exige mentes antenadas com a modernidade, capazes de interpretar os novos tempos e os adequar aos ditames das leis. É inevitável o choque entre culturas distintas, que presentemente esgrimem armas umas contra as outras, em declarado pugilato de natureza ideológica em diversos bastidores da Terra.


Muitos, desejam a manutenção do aborto como tipo penal, criminalizando a mulher que se permite a extração violenta do ser que se desenvolve em sua intimidade. Outros, pugnam por sua descriminalização, argumentando que a mulher é dona de seu corpo, dele podendo dispor como achar melhor.


A pena de morte permanece vigente em vários países da Terra, eliminando sob a tutela do Estado, aqueles indesejáveis e praticantes de crimes considerados hediondos. Em outras nações, a maioria, ela não é prevista e o direito penal opta por segregações compulsórias de natureza perpétua. Outros, já adotam a prestação de serviços, doação de cestas básicas, uso de tornozeleiras eletrônicas, impondo constrangimento ao calceta e algoz da paz social.


No campo político, diversas teorias do século XIX volveram aos séculos XX e XXI sob nova roupagem, criando teorias e sistemas que sustentam diversos governos, gerando intensas disputas de poder em partidos que se engalfinham pelo comando temporal.


No âmbito da religião, o cenário é ainda mais delicado. Após séculos de mordaça teológica e religião castradora, a cultura se fez libertária e subversiva, os costumes reprimidos saíram do armário e tudo quanto estava proibido, era ilegal ou engordava foi lançado fora, permitindo uma liberalidade de costumes e práticas religiosas inteiramente fora do padrão convencional. Novas interpretações do cristianismo surgiram no bojo do neopentecostalismo, animando igrejas apáticas e fazendo surgir teorias da plena liberdade de escolher os mais diversos caminhos para a fé. O sacerdócio remunerado perdeu prestígio e o sagrado foi secularizado, tornando-se coisa comum.


A sociedade concreta de Marx é hoje a civilização líquida de Bauman. A filosofia socrática perdeu seu vigor de outrora, cedendo terreno ao pragmatismo e à praticidade da agilidade desses dias de robótica e internet.


Certamente que houve ganhos significativos, onde as transações bancárias foram agilizadas, a comunicação se fez online e a área de saúde teve um salto quântico de qualidade jamais vista desde Hipócrates e Aécio.


Novos tempos.

Entretanto, os grandes desafios do ser permanecem o atormentando diariamente, acrescido agora de agonias modernas. A ansiedade devoradora, a incerteza do amanhã, os relacionamentos afetivos frágeis, mais calcados na libido do que no afeto profundo, a perda do sentido existencial em milhões, não obstante fartos de tecnologia e carrões, transitam do nada para lugar nenhum.


Tem, mas não são.

Conhecem, mas não sabem.

Falam muito, escutam pouco.

Dominam a muitos, incapazes do próprio domínio.


A fadiga crônica os devora diariamente. A insatisfação está estampada no rosto de muitos.


Em muitos lugares, o canhão esmagou a flor, a sensualidade desfigurou a beleza, a estética profunda foi usurpada pelas aparências, a ética foi pisoteada e a indignidade ganhou cidadania.


Como era de se esperar, a atual crise de valores, que se arrasta numa sociedade em metamorfose, vem gerando inquietação e medo, e isso explica em parte essa anomalia nas relações entre os seres.


Tudo convida a uma pausa.

Ter um tempo para as saudáveis reflexões.


Sopesar vantagens e desvantagens de uma vida sem metas que transcendam a matéria.


Vivendo, o homem vai morrendo. E diante da morte, seus sonhos parecem virar pó, projetos se fazem quimeras e a incerteza torna-se ácido corrosivo na tecelagem sensível da alma.


De onde vens, peregrino das estrelas?

Para onde vais, nessa corrida insana pelo muito conquistar?


Que investimento tens feito em teu mundo íntimo?


Qual a vantagem de ser o número um, se não podes apreciar a primavera, nem contemplar um raio de sol?


As muitas mãos que ora te aplaudem estarão contigo nos momentos difíceis, amanhã?


Quantos amigos contabilizas em teu carreiro no mundo?


Tens ofertado ao teu corpo o refazimento necessário para que ele não te deixe em momentos críticos?


Em tua mesa, os acepipes mais exóticos para o estômago. E para a alma que és, que nutrientes tens consumido?


Tens recorrido a oração em tuas crises e solidão ou preferes sufocar tuas agonias nos embalos de sábado à noite?


O questionário é interminável, sempre formulado pela vida, mas as respostas são tuas.


Responder agora ou mais tarde é escolha pessoal. E para tudo, a vida tem consequências.


"Ama sempre. E quando estiveres a ponto de descrer do poder do amor, lembra-te do Cristo", afirmou o venerando apóstolo da caridade Francisco Cândido Xavier. Busca Jesus em teus instantes de silêncio e Ele te falará ao coração em desfalecimento.

Medita nisto.


Marta

Salvador, 12.12.2022

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