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Primavera de Marta - Mensagem do dia 14.06.2022



Diariamente somos chamados, ante as ocorrências da vida, a opinar e emitir juízo de valor sobre muitos temas, dos quais a maior parte está fora do nosso alcance.


Críticos e censores da vida alheia pululam por toda parte. Se erguem como implacáveis observadores da conduta de terceiros, quase nunca da própria.


Afirmam saber as causas que levaram este ou aquele à queda nos despenhadeiros da insânia e da insensatez, e por isso se erigem como fariseus de qualquer existência que lhes caia na apreciação puramente verbalista.


Se julgam intocáveis.


Construíram pedestais de uma falsa moral, mirante tecido em arrogância e presunção, onde se encastelam na humildade de fachada.


Os observando em Seu tempo, Jesus os identificou como sepulcros caiados, exibindo brancura por fora e ocultando podridão por dentro.


Renteamos diariamente com centenas de pessoas. Carregam amarguras e dores, aflições e revolta, ciúme e despeito. Outras, portam consigo leveza e ternura, bom humor e jovialidade, se fazendo credores de respeito e consideração. E há criaturas insondáveis, cujas estruturas íntimas por ora são inabordáveis.


Não se constituirá uma política de vida saudável se converter num martelo sobre os pregos da vivência alheia, justamente porque ignoramos por qual razão cada um é o que é.


Se aquele hoje agride, se fazendo um pária social, quantas vezes não terá sido agredido na infância ou adolescência?


Mais um outro se entrincheirou no fanatismo religioso, se admitindo dono da verdade e, cruzando nossa estrada, tentou com violência verbal nos arrastar das próprias trilhas para lhe compartilhar o desvario das muitas letras que ingeriu, sem a correta digestão intelectual.


Adiante, um grupo se coagula na intolerância política, defendendo com agressividade e baixeza esta ou aquela ideologia do partido. Gritam, estertoram palavras e chavões de natureza política, com a qual defendem seus pontos de vista, sempre a considerar que o outro está no lado errado.


E desfilam à nossa frente dezenas de outros irmãos de caminhada em situação análoga, quais vulcões prestes a entrar em erupção devastadora. Se fazem ansiosos, agitados, neurastênicos, agressivos.


Nem sempre poderás evitá-los.


Em alguns casos, te acusarão de indecisão ou que estás conspirando contra a nova ordem.


Buscarão atirar lama em tua estrada e alguns farão de tudo para te desestabilizar. De alguma forma, se sentirão compensados em derrubar alguns.


Eles já estão caídos.


Tropeçaram na própria empáfia, seguiram outros cegos e tombaram todos no precipício.


Opta pelo silêncio quando provocado.


Maneja a prece quando te percebas visitado por estiletes de sombras, que os assalariados da loucura te lançarem sobre os ombros.


São dignos de compaixão e misericórdia.


São enfermos que a medicina do mundo ainda não atendeu. Carregam chagas nos olhos e por isso tudo que enxergam tem desconexão com a realidade.


Atrabiliários, portam inquietações que os desassossegam sem tréguas.


Onde estejas, com quem estejas e tanto quanto possas, oferta teu sorriso e uma palavra gentil. Ouve-os com atenção, como quem atende um menino contrariado.


Pensa-lhes as ulcerações morais.


Dialoga sem confrontar.


Acolhe este ou aquele ponto de vista que te pareça justo, equilibrado. Isso os fará mais confiantes.


Não te faças adversário deles. Eles já possuem muitos inimigos íntimos.


Te falarão de utopias e quimeras, paraísos perdidos e mudanças bruscas pela força das armas ou da doutrinação ideológica.


Quanto a tu, prossegue com Jesus, sacode a poeira de tuas sandálias gastas e vai adiante. Num cenário de inquietações e medo, verborragia perturbadora e colisão de interesses, o Divino Amigo te chamou para servir e passar, não atirando pérolas aos suínos nem estacionando na praça vasta da alienação coletiva.


Teu fanal é refletir pela conduta e exemplo quanto bem te fez e te faz a mensagem de Jesus.


Marta

Salvador, 14.06.2022

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