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Primavera de Marta - Mensagem do dia 15.02.2022



À semelhança de um peregrino desconhecido, que vem perlustrando uma imensa estrada, o Espírito encontra mil desafios e inúmeros atalhos em sua marcha incessante. Em meio às suas buscas, se defronta com a bifurcação da larga avenida existencial, onde vícios e virtudes, austeridades e dissipações se lhe apresentam possibilidades inquietantes e prazerosas.


Quando tomado pelos instintos, ainda ecos do primarismo das etapas pregressas da evolução por onde jornadeou atira-se, invigilante, no caudaloso rio do prazer sem limites, buscando fruir as sensações corporais, buscando anestesiar as misérias e limitações impostas pela corporalidade.


Se conseguiu desenvolver algum senso ético e estético, atravessa as zonas cinzentas do mergulho no corpo como quem percebe sua impermanência, extraindo lições e fortalecendo os valores morais em despertamento.


Percebe que a existência não pode se resumir tão somente na indumentária física de que se reveste, dilatando nas relações interpessoais possibilidades criativas que ofertam beleza e harmonia ao curto estágio de aprendizado na arena das lutas terrestres.


Sabe o preço que muitas vezes paga pelo prazer sem limites, onde a inconsciência reage a estímulos, pouco se importando com as consequências dos próprios atos. Enquanto aquele se chafurda nas sensações, ignorando sua realidade transcendente, o ser em despertamento investe na morigeração dos apelos sensórios, canalizando a vitalidade para aquisição do belo e do estético, numa perspectiva mais sutil e refinada.


O bruto permanece escravo dos desejos e das necessidades imediatas, que devem ser satisfeitas a qualquer custo, pouco importando se vai gerar o sofrimento alheio. A alma que começa a se libertar desse estágio primitivo observa seus atos e suas consequências, buscando pautar a própria conduta por atitudes mais equilibradas, evitando as reações adversas que fatalmente surgirão na estrada.


Um, espalha o bafio que entorpece e alucina. O outro, adotando a temperança, deixa no ar o suave perfume do equilíbrio, que emula a fé lúcida e a saúde emocional.


Ligeiro olhar nos painéis da história poderão nos revelar personalidades que se caracterizaram pelo comportamento indigno, lançando rastros de loucura e hediondez por onde transitaram. Seus reinos, outrora opulentos e nababos, são hoje tristes páginas que o tempo vai apagando lentamente. Suas heranças infelizes e perturbadoras deixaram sinais que calcinaram gerações, a muitos desviando do caminho reto e abrindo abismos insondáveis de alienação e loucura.


Já os comportamentos dignos nos anais da religião ou da filosofia, das artes e da moral ainda são modelos paradigmáticos arrebatadores, emocionando milhões de admiradores.


Francisco de Assis fez-se o protótipo da humildade.


Vicente de Paula tornou-se modelo ímpar da caridade.


Tereza de Ávila ressuma a conduta que se libertou da luxúria e da riqueza ilusória do mundo.


Madre Tereza de Calcutá, em pleno século das luzes e das vitrines da fama passageira, apagou a própria claridade para acender vidas que jaziam nas sombras.


Francisco Cândido Xavier, em renúncia apostolar, fez-se ponte entre as duas realidades da vida, secando lágrimas e semeando a esperança em milhões de compatriotas.


E do ontem e do hoje, na direção do amanhã sem fim, Ele emerge como modelo e guia para todos, sejam homens ou mulheres.


Seu berço simples, situado em plena natureza agreste. Sua convivência foi marcada por uma simplicidade total.


Nenhum título acadêmico faustoso.


Nenhum mando sobre outras vidas.


Frases inesquecíveis.


Orientações destituídas de complexidade e acessíveis a qualquer nível intelecto-moral.


Espontânea alegria com os quadros da natureza árida que cercava Seu ambiente de convivência.


Investimento iluminativo nas consciências que lhe seguiam os passos.


Onde esteve, com quem esteve, sempre deixou algo de bom, útil e reflexivo.


A vida de Jesus é admirável sob qualquer ângulo que se lhe observe.


Se os dias te parecem severos demais, as exigências te inquietam, as dissipações te furtam a serenidade e te vês sem rumo, silencia teus apelos íntimos e refaz tua casa mental na blandícia da prece. Em meio à tua rogativa, busca resgatar Jesus em teu mundo interior. Ele nunca esteve ausente de ti. Pode ter sido esquecido por momentos, quando tuas buscas se concentraram mais nos cenários do mundo do que no lume das estrelas.


Teu rogo fará luz por dentro, clareando tua estrada para a infinita felicidade que te aguarda além das ilusões dos sentidos.


Segue...


Tens muito a percorrer.


Marta

Salvador, 15.02.2022

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