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Primavera de Marta - Mensagem do dia 17.03.2022



É exatamente nos períodos mais críticos da história que o ser humano sente falta de Deus no coração. Enquanto a sociedade marcha, triunfando sobre as adversidades que conspiram contra a sobrevivência e o eixo materialista satisfaz as inúmeras necessidades corporais, o homem se dá por satisfeito e o lado místico, religioso, sofre profundo abandono, sendo deixado de lado em modo de espera. Sobrevindo os dias tempestuosos, difíceis, onde catástrofes e convulsões ameacem a estabilidade social e material, o Espírito parece recordar sua origem divina, buscando em ato de desespero o refúgio no colo de Deus.


Castas sacerdotais surgiram em diferentes culturas por necessidade das massas de terem intermediários entre os homens e a Divindade, grupos esses que passaram a exercer enorme influência na condução dos destinos humanos. Egípcios, sumérios, babilônios e outros povos tiveram hierofantes como lideranças incontestáveis, lhes erguendo suntuosos palácios e templos para abrigo daqueles que se faziam intérpretes da vontade dos deuses.


Superada essa fase do politeísmo ancestral e da mitologia antiga, o cristianismo fez surgir os apóstolos, abnegados servidores da causa cristã, a se fazerem notar pelos sacrifícios e doações extremas em favor da mensagem de Jesus nos corações.


Ignoravam a si mesmos para comungarem com os semelhantes o ardor da fé que os nutria. Aprisionados pela intolerância farisaica ou perseguidos pela política romana, movida por inúmeros césares, a árvore cristã se viu quase desfolhada e seu tronco abatido pela fúria do paganismo em agonia, mas foi justamente nesse período de intenso martirológio que se multiplicaram na face da Terra os exemplos comovedores daqueles que ofertaram suas existências para nutrir a mensagem do Mestre Galileu.


Inácio de Antioquia oferta sua vida em favor da preservação da causa de Jesus.


Simão Pedro se deixa crucificar de cabeça para baixo, mas não nega por segunda vez sua fidelidade ao Sublime Amigo.


Paulo aceita chibatadas e prisões por amor a Ele, jamais esquecendo o encontro às portas de Damasco.


Estevão aceita, sem murmurar, a perseguição e o apedrejamento, ofertando-se em holocausto para que os ensinos de Jesus se manifestassem em toda a sua beleza e sublimidade.


Atravessados dois mil anos de doutrina cristã, os exemplos de abnegação passaram a escassear. A cultura materialista, as rinhas políticas, a ditadura do ego e a arrogância quase que conseguiram apagar o ardor de muitos, esfriando o sentimento da fé e da sensibilidade para com as questões da imortalidade e da vida transcendente.


Os exemplos de abnegação se tornaram raros.


Os mártires praticamente desapareceram e qualquer tentativa de viver a mensagem cristã sofreu combate implacável por parte da maioria desinformada e hostil aos ideais propostos pela doutrina do crucificado.


Eis chegados os tempos da grande transição. Não mais rumores de guerra, tão somente. O cérbero da violência avança sobre as massas aturdidas, espalhando medo e inquietação crescente. A medusa, com seu olhar petrificante, espalha horror e pânico entre os corações desprevenidos e invigilantes.


Poseidon agita o mar das paixões humanas, desconcertando o eixo das relações interpessoais.


Cupido parece retomar seu antigo arco e flecha, atingindo homens e mulheres em sede abrasadora de afeto e carências várias, multiplicando as agonias nos relacionamentos que não preenchem a alma, sedenta de Deus.


Não seja de estranhar tantas doutrinas religiosas, salvacionistas, milagrosas, tentando espalhar milagres em meio ao bloco dos desesperados.


A intensa manipulação de incontáveis perdidos e desorientados.


O fanatismo de nossos dias, a se espalhar em diversas áreas como a política, o esporte e a economia.


Urge estancar a grave hemorragia que drena a segurança íntima de homens e mulheres. Socorrer as almas aturdidas, lhes devolvendo a confiança perdida.


Se transitas com alguma segurança interior nesses dias da grande transição, és um afortunado. Podes observar quantos já desistiram da vida. Outros, se deixaram avassalar pelo medo e pela indiferença.


Se podes, socorre com tua palavra alguns invigilantes.


Com teu pensamento nobre os que te imploram intercessão.


Ora pelos derrotados.


Soergue outros que tombaram em plena marcha.


E, pela conduta, vive a mensagem de Jesus em teu cotidiano. Será unicamente pelo teu exemplo que alguns voltarão a acreditar que nem tudo está perdido e que Deus, apesar de esquecido por muitos, não perdeu a esperança nos filhos matriculados no educandário do mundo.


Marta

Salvador, 17.03.2022

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