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Primavera de Marta - Mensagem do dia 17.06.2022



Dentre os fenômenos de natureza sociológica dos tempos modernos, poderemos facilmente identificar nas grandes e médias urbes a ansiedade presente nos indivíduos, gerando uma incessante necessidade de extravasar essa tensão em aglomerações ruidosas e quase sempre regadas a bebidas fortes.


Uma semana de trabalho e no meio dela o pensamento começa a se fixar nas baladas noturnas da sexta ou do sábado, onde o reencontro com o grupo de amigos afins, a conversa despretensiosa e o alto consumo de alcoólicos serão a tônica do reencontro.


A tensão gerada pelo volume de problemas, a escassez gritante de recursos que façam frente à manutenção de uma vida digna e uma ansiedade opressora obrigam as massas de jovens e outros em plena madureza a se buscarem para as grandes aglomerações sociais.


Nessas tribos sobram índios e faltam caciques. A liderança surge do forte poder financeiro daquele que gasta por si e pelos parceiros do copo.


Os assuntos abordados giram em torno da política, carência de recursos e questões triviais do dia a dia. Dificilmente, surgem espaços ou condições para temas filosóficos ou de natureza existencial.


E os meses e anos vão se sucedendo sem que o indivíduo se perceba como um Espírito imortal, trafegando rumo ao abandono da vestidura material, o lançando no caudal de bilhões de seres que pululam na psicosfera espiritual da Terra. A multidão não vista, mas profundamente arraigada aos mesmos hábitos e comportamentos daqueles ainda domiciliados no corpo.


Compartilham dos mesmos pensamentos, sugerem atitudes e interferem na programação que se desenrolará naquelas horas de mergulho intenso nas sensações materiais, sem pausa para elucubrações de essência mais sutil.


Duas humanidades interagindo em faixas similares, onde uma se afoga nas sensações da carne e a outra suspira e drena esses eflúvios, na tentativa quase que desesperada de diminuir a ansiedade que igualmente os devora.


Viveram entre nós. Consumiram carboidratos, fizeram festas às escâncaras e em algum momento se viram desalojados do castelo de ossos em que se ocultavam. Nem todos se deram conta da travessia abrupta ou progressiva, mas de alguma forma perceberam que em torno a ambiência se havia alterado.


Voltaram aos lares como de hábito e foram solenemente ignorados por familiares.


Ouviram referências às suas próprias exéquias e consideraram tudo aquilo uma brincadeira de mau gosto.


Deram ordens e ninguém as cumpriu.


Tentaram gritar aos tímpanos humanos suas carências e solidão e viram seus rogos se perderem no espaço, sem qualquer consideração.


Fazem-se, agora, caminhantes pelas ruas e avenidas, praças e bares como verdadeiras "almas penadas", trafegando do nada para lugar nenhum.


Outrora, tinham uma casa como referência.


Hoje, vivem no mundo. Se veem arrastados por uma massa de assemelhados, que os obrigam a caminhar sem rumo, vagueando daqui para acolá.


Grande falta faz ao ser humano momentos de silêncio e de meditação, ocasião em que faria pausa em suas inquietações para descobrir seu mundo interior, nele identificando perguntas sem respostas, buscas sem achado, medos sem causa real e valores perenais, abandonados para atendimento em regime de exclusividade apenas de gozos passageiros.


Urgente se faz adotar uma nova cartilha para o viver, ressignificar a própria marcha nas estradas terrestres, imprimindo alguma nota de espiritualidade naquilo que pensa e faz, evitando uma vida vazia.


Ninguém haverá de discordar que estamos numa sociedade caótica, ansiosa e depressiva, onde bilhões clamam por ajuda e acolhimento aos seus receios e dores.


Junto deles, e de nós, alguns bilhões invisíveis ao olhar físico, desorientados e sedentos de libertação deles mesmos.


Os vícios longamente mantidos agora são algemas, e as chaves parecem perdidas. O que ontem era alegria ruidosa agora se converteu em agonia por um pouco de paz interior.


Anseiam por algumas horas de sono, mas as vagas gigantescas de zumbis além da carne não lhes outorga essa necessidade.


E muitos deles estiveram conosco ainda ontem, em passado recente.


Suplicam por esclarecimentos.


Acolhem indiferença. Desejam orar e o tumulto interno e externo não lhes deixa.


Pensa neles, teus irmãos da grande retaguarda. Estiveram a pouco contigo nos festivais e folguedos, beberam e comeram em tua mesa.


Agora, são esfaimados de luz. Sedentos pela água da fonte viva.


Desejariam te contar o mundo novo em que se encontram, mas lhes falta condições e meios.


Gostariam muito de refazer caminhos. É tarde.


Se esta realidade pulsante nada te diz ao entendimento, prossegue no teu carreiro como melhor te aprouver. Se, porém, algum relato tocou tua alma, freia essa alucinação que te abrasa e consome, reavalia a própria conduta e altera teu mapa ainda hoje, mesmo que te custe a roda de amigos do copo.


Os interesses da vida eterna devem ter prioridade em tua agenda evolutiva. Tudo mais é passageiro.


Marta

Juazeiro, 17.06.2022

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