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Primavera de Marta - Mensagem do dia 17.12.2021



O crepúsculo da existência física tem se constituído, em muitas vidas, motivo de amargura e desencanto. Muitos indivíduos dão-se conta de que alcançaram dilatada quadra da vida e as mesmas estão vazias, sem ocorrências que as possam dignificar.


Fizeram dos anos passatempo para as diversões frívolas. Afundaram a alma na loucura da carne. Asselvajaram as emoções, as reduzindo a joguete dos instintos. Procriaram, seguindo os mesmos ímpetos dos irracionais, que são despertos para o período do cio por via dos feromônios.


Comeram, beberam e dormiram o sono agitado das sensações grosseiras, sem qualquer cultivo de valores transcendentes.


Agora percebem, mesmo que de maneira vaga, a extinção do tônus, o esgotamento dos órgãos e o eclipse da libido, o que lhes produz agonia íntima de difícil descrição.


Tornam-se rabugentos. Fazem-se intratáveis.


Reclamam de tudo e de todos, desejosos de recuperar o viço que se perdeu nas dobras do tempo.


A experiência física é curso de altíssimo valor educativo para o Espírito nele inserido. A romagem pelo corpo se traduz por dilatado curso de maturidade e aperfeiçoamento, onde a Divindade aloca situações e circunstâncias, pessoas e ocorrências que se amoldam à luz da lei de causa e efeito, proporcionando que o aprendiz encontre e reencontre afetos e desafetos, simpatias e antipatias com as quais travou algum contato ao longo de sua milenar jornada evolutiva nos círculos do aprendizado terrestre.


Aqui já estivemos inumeráveis vezes e retornaremos tantas vezes quantas se façam necessárias, até que nos alijemos das imperfeições típicas da caminhada tortuosa.


Imperioso que troquemos sensações rudes por emoções superiores. Arbitrariedade por senso de justiça. Esmola por caridade, dilatando de maneira crescente nossa capacidade de acolher e entender o outro no seu nível próprio de evolução.


Sem isso, estaremos sempre reféns de paixões e caprichos próprios da inferioridade, nos chumbando voluntariamente ao chão do mundo, como uma lagarta que tenta impedir ou retardar a metamorfose que a transforma em delicada falena. E as quadras da vida corporal são etapas preciosas que ofertam ao ser importantes e fecundos momentos de aprendizado.


Na infância, a gestão dos pais é de capital importância para inserir elementos de educação e mudança de comportamento do Espírito reencarnado.


A adolescência marca a passagem de um ciclo de abstração para um mais concreto, onde o ser vai tatear o mundo com as luvas físicas de maneira mais intensa, sofrendo a intensa ebulição de hormônios e maturidade plena dos órgãos corporais.


Período da autoafirmação no mundo, perante si mesmo e diante da comunidade onde está inserido para aprender e melhorar-se.


Surge a mocidade com suas buscas intensas, onde conquistar um lugar ao sol se faz meta existencial. Relacionamentos interpessoais intensos, construção da família, satisfação de ambições materiais lançam o ser num carrossel de infinitas possibilidades.


A madureza vai surgindo com o acúmulo de experiências, sagacidade, visão mais dilatada da vida, não ocorrendo em todos os indivíduos, pois que alguns se aprisionam em faixas mentais ou emocionais anteriores, se recusando, consciente ou inconscientemente, a absorver a quadra da vida que lhe reclama outra aquarela de posturas e atitudes. Em alguns casos, temos aí os imaturos, cujas idades corporais não se ajustam à mentalidade ainda infantilizada.


E quando menos se espera, a idade provecta exibe os primeiros sinais, ofertando ao passageiro do corpo elementos para novos aprendizados.


Amizades cultivadas ao longo da existência são muito importantes nesse período. A cultura acumulada oferta beleza interior. O cultivo da serenidade emplaca experiência e gestão segura das ocorrências inesperadas. Entretanto, nos caracteres biliosos a chegada desse estágio terminal da vilegiatura carnal pode desencadear medo e ansiedade, considerando o não cultivo de valores que desabrocham o senso de imortalidade.


O medo vira pânico.


O indivíduo faz-se dependente de parentes, como se desaprendesse o que acumulou ao longo da marcha existencial.


Fugas psicológicas se apresentam em muitos.


Alguns velhinhos tentam resgatar o vigor que o tempo já desfez.


Para alguns, a vida faz-se patética, destituída de significado e a velhice torna-se porta fúnebre, detestada.


Na vida, se afirmou temente da morte. Na fronteira da morte corporal, se diz frustrado com a vida.


Paradoxo dos paradoxos.


Vive, cada dia, como se fosse o teu último na Terra.


Empresta a cada experiência o valor que lhe é próprio.


Liberta-te de mágoas e ressentimentos, como quem se desfaz de madeira podre no caudaloso rio da vida.


Aproveita cada quadra da existência para acumular tesouros inacessíveis aos mercadores das sensações passageiras e intocáveis aos estelionatários dos sentimentos.


Valoriza as tuas horas.

Sorri mais.



Cultiva o prazer de viver e aprender na formosa escola do mundo.


Medita sobre tua imortalidade.


Cultiva o sagrado que dormita em teu mundo íntimo.


E marcha cheio de bom ânimo e otimismo para tua inevitável libertação dos liames corporais, quando soar a hora, na posição do lavrador atento que deu conta da tarefa abraçada, fechando o dia evolutivo na paz interior e regressando ao grande lar para prestação de contas ao Senhor da vinha.


Se férteis foram tuas sementes, farta será tua colheita no jardim de Deus.


Nada a temer. Tudo te sorri.


Marta

Salvador, 17.12.2021

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