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Primavera de Marta - Mensagem do dia 18.04.2022



Em pleno alvorecer do século XIX, os embates ideológicos se entrechocavam, num contínuo de forças antagônicas. A religião, dominadora e arbitrária, assistia seus postulados teológicos serem examinados por retortas e provetas, telescópios e livros, onde sábios e cientistas ousavam discordar da teoria do criacionismo bíblico.


Charles Robert Darwin, após trinta anos de pesquisas e viagens intermináveis, publica "A origem das espécies", propondo uma releitura das eras a partir do evolucionismo e do incessante transformismo das criaturas vivas do planeta.


Desde Nicolau Copérnico, atravessando Johannes Kepler, Galileu Galilei e chegando a Isaac Newton, a ciência acadêmica, investigadora e crítica, se libertava das algemas e da mordaça da intolerância para librar acima das torres das igrejas recamadas de ouro e prata, decifrando enigmas do cosmo e das entranhas da Terra.


Morria a Geodésia, nascia a Geologia.


A alquimia medieval dava lugar à química dos elementos diversos, constitutivos da matéria onde o ser afoga seus anseios e suas buscas sôfregas. A Física de outrora, assentada nos velhos marcos do pensamento aristotélico se via renovada por uma plêiade de sábios e cientistas.


A filosofia socrática ressurgia nas elucubrações audaciosas de René Descartes. Lavoisier e Immanuel Kant, cada um a seu tempo, sacudiram as concepções da arte de pensar, renovando a ética e a epistemologia.


Ambroise Parré e Andreas Versalius, dissecando corpos, atualizaram a anatomia e desvelaram o cilindro de ossos, outrora perscrutado por Leonardo Da Vinci em desenhos quase infantis.


Em meio a esse caldo que fermentava e nutria um novo tempo, as convulsões sociais e políticas demoliam as petrificadas cortes européias, inquietando o parasitismo político e criando as bases do Estado Moderno, assegurando as liberdades individuais, outrora reprimidas a ferro e fogo.


Nesse turbilhão e entrechoque entre o antigo e o novo, os túmulos se fazem ouvir desde Hydesville até baterem às portas da cidade luz, Paris, instigando observadores argutos a examinarem as mesas que bailavam sem contato humano.


E um desconhecido pedagogo, idealista e pesquisador do magnetismo de Mesmer, _Hippolyte Léon Denizard Rivail_, se dedica a investigar os curiosos fenômenos, extraindo deles um conjunto de princípios que irá estruturar uma doutrina de tríplice aspecto.


Uma filosofia científica brota dos salões parisienses. Uma ciência filosófica surge da pesquisa séria e descomprometida, onde inúmeros sensitivos foram examinados à exaustão, confirmando a robustez dos fatos insólitos.


E a 18 de abril de 1857, um sábado nublado, a primeira edição de "O Livro dos Espíritos", surge por cartilha da imortalidade, endereçada aos caminhantes da vida terrestre.


Nele, um condensado de Ciência, que equaciona as origens do universo até o auge da civilização humana no globo. Uma Filosofia que principia na velha Atenas e é resgatada para asserenar as múltiplas interrogações da criatura humana acerca dos magnos desafios da vida, da dor e do destino. E uma nova Ciência brota dos laboratórios, desvelando a vida ultratumba, confirmando que a vida continua depois da anóxia e da cianose.


Os ressurectos proclamam a glória de Jesus Cristo e o triunfo da vida sobre a morte.


Começa o Novo Espiritualismo no mundo, nos cabendo o estudo metódico e contínuo dessa obra insuperável, até que tenhamos a exata noção de que a vida não começa no berço, não se finda no sepulcro, prosseguindo, estuante e bela além das fronteiras das carnes rotas e dos ossos em decomposição paulatina.


Ao mestre Allan Kardec, com infinito carinho, depositamos nossa modesta flor de reverência e respeito, amizade e gratidão pelo esforço de abrir um facho de luz na noite escura de muitas almas!


Kardec, obrigada!


Marta

Salvador, 18.04.2022

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