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Primavera de Marta - Mensagem do dia 18.11.2021


Em uma anotação de Mateus, capítulo nove, versículo trinta e seis, Jesus vê as multidões que O seguiam e delas se compadece ao registrar que estas andavam aflitas, a vagarem no mundo como ovelhas sem pastor. Semelhante situação se apresenta nos dias hodiernos, quando os efeitos colaterais da flagelação pandêmica vai sulcando os corações com mossas afetivas e frustrações de efeitos devastadores.


É cediço que esta atual sociedade não mais voltará ao estágio anterior, quando do início da pandemia. A volúpia materialista e a ansiedade ganharam novos contornos, impondo significativas mudanças na economia moral de milhões de pessoas, que se viram aturdidas com o isolamento social, a quebra da normalidade e o pânico gerado pelo receio do contágio. Numa economia mundial que foi destroçada em poucos meses, muitos só agora estão se dando conta da necessidade de mudanças na visão que se deve ter do novo tempo.


Lares vazios pelos óbito de inúmeros afetos.


Cultivo intenso de relacionamentos virtuais, ante os rígidos protocolos de normas sanitárias, impondo o distanciamento social.


A ruptura do intercâmbio afetivo entre pessoas próximas e famílias, ora produzindo milhões de pessoas carentes e traumatizadas nas emoções pela fome afetiva prolongada.


Os rumores de guerra que atualmente ecoam nos bastidores da política rasteira inquietam as multidões, que se vêem intranquilas, a buscarem reposição dos tecidos sociais e emocionais dilacerados por quase dois anos de medo e incertezas.


Por mais que estudiosos e cientistas avancem nas pesquisas sobre a origem, patogenia e mecanismos de erradicação da letalidade do vírus destruidor, sobrarão as sequelas impressas nas almas sensíveis, clamando por terapia adequada e compreensão de seus efeitos na vida de relacionamento.


Inúmeras famílias se dissolveram nesse período, legando a crianças e adolescentes separação dos genitores.


Crimes brutais deixaram marcas na sociedade, aparvalhada ante a hediondez dos seus autores.

Enquanto as massas de povo, quais ovelhas sem pastor, ficaram à deriva, assistindo a desidratação dos empregos e a retração da economia, indivíduos inescrupulosos se valeram do período para a exploração criminosa do comércio e da política, seviciando a cultura e esgotando a esperança de muitos.

Os religiosos se viram constrangidos à adoção de novas posturas diante dos fiéis em aturdimento, não possuindo respostas adequadas e coerentes para elucidar as razões que levaram Deus a despejar sobre a humanidade mais esse flagelo impiedoso.

Nos cultos de onde se levantavam paralíticos e se reabilitavam cancerosos desenganados, agora se exala a impotência diante do vírus implacável.

Não, sob hipótese alguma, Deus abandonou Seus filhos à própria sorte ou os flagela por capricho. A Divindade não joga dados nem atua por mecanismos regidos pelo acaso.

Se há tempo de semear, há tempo de colher. Momento de rir e ocasiões de choro.

A pedagogia do amor sempre busca educar os filhos da Criação, lhes apontando periodicamente métodos compatíveis com o chamamento ao bom senso e ao equilíbrio. A recente finda conferência sobre o clima, patrocinada pela ONU, enviou a todos os povos da Terra o mesmo recado: ou mudamos de atitude em relação ao meio ambiente ou a escola planetária se tornará inabitável, impondo a extinção gradual dos seres vivos.

A colossal pandemia também porta um despertamento ao habitante racional do orbe terrestre. Temos que rever nosso relacionamento conosco mesmos, com o próximo e com Deus, buscando educar o ego e suas manifestações perturbadoras.

Um ciclo vai fechando suas cortinas e outro vai anunciando sua chegada.

Há dois mil anos um pastor desceu das regiões felizes e veio ter conosco, nos apontando os verdes campos da solidariedade e da esperança. Incompreendido, os homens O expulsaram da sua convivência. Sua cruz dolorosa ainda permanece como um símbolo de tortura e ignomínia.


Agora, os crucificadores se tornaram crucificados. As traves são invisíveis e estão nos ombros de quase todos.

Cruzes de indiferença, de egoísmo, de intolerância, de hediondez.

O Gólgota se expande na Terra inteira. Depois do riso, explode o choro convulso.

Ao festival da carne passageira, seguiu-se a noite das amargas reflexões.

O bom pastor continua chamando pelas ovelhas perdidas da casa de Israel.

Quem tem olhos de ver, que veja. Quem tem ouvidos de ouvir, que ouça.

- Vinde a mim, cansados e aflitos...

Marta

Salvador, 18.11.2021

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