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Primavera de Marta - Mensagem do dia 18.11.2022



Todos os dias somos surpreendidos na estrada da vida por acontecimentos inesperados. A tragédia não prevista, desabando no seio da família. O baque financeiro, surgindo por inesperado. A enfermidade dilaceradora, prenunciando morte de ente querido.


Nem sempre estamos em vigilância e guarda, capazes de absorver esses impactos e os digerir na serenidade devida. Não raro, o desequilíbrio e o pânico se nos instalam no viver como respostas espontâneas ao surgimento desses casos inesperados.


Aparvalhados diante do inusitado, sentimos o chão desaparecer abaixo dos pés e, como é natural, cada atingido reage conforme sua estrutura emocional.

Uns se entregam à lassidão dos sentidos, não encontrando ânimo para qualquer providência mínima. Outros, buscam no álcool uma fuga do problema, tentando anestesiar etilicamente o desafio posto pela vida à frente da caminhada.


Tem quem fuja pelo suicídio e tem quem busque na oração o amparo divino nos momentos difíceis.


Inegável reconhecer que cada um mobilizará os recursos de que disponha, mas dentre tantas ferramentas, temos aquelas de reação negativa ou de efeito agravador.


O desespero é péssimo conselheiro.

A precipitação não costuma ser muito ajuizada.


O não pensar costuma piorar a situação, dependendo das circunstâncias.

Qualquer farpa da vida, que surja por fagulha inesperada, reclama paciência na sua aceitação e mobilização lúcida de recursos para lhe opor seguimento. A dor é sempre estação de difícil acesso, plataforma de que todos os passageiros desejam imediato desembarque, mas nem sempre nos é facultado imediata alforria de suas garras perversas.


Surgindo de surpresa, costuma desestruturar o ser que não aprendeu com ela conviver. E toda algia do destino pede serenidade no acolhimento, resignação na instalação e trabalho na erradicação de seu foco gerador de mal-estar.


Herdeiros de um pretérito difícil, estamos incessantemente sob reações de ações cometidas outrora, ora retornando por impulso natural das leis de causa e efeito, a buscarem devedores contumazes para reajuste e acerto de contas. E nem sempre o infortúnio manda aviso prévio ou whatsapp de véspera, informando que está em rota de choque contra nossos interesses pessoais.


A oração sempre ajuda, iluminando o ser em aturdimento diante do conflito instalado, mas pede que após o momento sublime de comunhão com o alto o ser tome da charrua e saia a campo para lavrar o terreno destroçado pela intempérie, dele fazendo vaso fecundo de possibilidades renovadoras.


Buscar ajuda em terceiros ou ofertar auxílio ao ser amado atingido pela tragédia dispensa comentários. É da lei de cooperação que nos ajudemos mutuamente nas trilhas do destino e quando surjam os períodos de testemunhos e provações.


Estamos todos em aperfeiçoamento incessante, nos competindo dilatar laços de fraternidade e solidariedade nos instantes aziagos, buscando amenizar as ocorrências malsãs quando elas apareçam no espelho de cada um.


Em percebendo teu tempo de poda e desfolhagem de fantasias, aconselha-te com a prudência, no quarto da paciência. Aciona tua antena psíquica, buscando a estação divina. Silencia, por momentos, a algazarra e a inquietação que te assalta o país interior, refazendo tua paz e te predispondo às primeiras providências para sanar o acontecimento perturbador.

Um sorriso gentil ajuda a distender tensões.


Um gesto calmo asserena quem possa estar em erupção vulcânica das próprias reações.


Uma leitura otimista e refazente contribui para dilatar o entendimento acerca da melhor atitude a tomar.


A prece faculta serenidade na tomada das melhores decisões.

E, se por acaso, seja daqueles que se deixam amargurar em demasia, tombando vencido ante as ocorrências difíceis ou inesperadas, por um momento mínimo, recorda Jesus.


Eleva teu pensamento ao Excelso Amigo e pensa como foi difícil para Ele atravessar aquela conjuntura de época, em companhia de amigos tão frágeis.


Por toda parte, tramas do mal tentaram silencia-Lo.


Ele continuou operante no bem.

Beneficiários tiraram o braço da seringa nas horas difíceis.


Ele continuou espalhando a esperança e o otimismo.


O colegiado apostólico se acovardou diante da perseguição implacável.

Ele, com Deus, se fez dois, sob afronta de milhares, matriculados na escola da oposição ao primado do Espírito.


Orou sozinho no Getsêmani, enquanto seus discípulos dormiam, ignorando a hora dramática.


E no calvário encontrou alguma solidariedade apenas no peito de um meliante, cansado dos próprios erros.

Nunca estarás sozinho ou ao desamparo no meio da tormenta.


O testemunho aprimora.

A expiação corrige.

A prova, testa.

A dor inibe o abuso.

Não existe sofrimento sem causa certa, estacionada no tempo e no espaço.


O ontem se reflete no hoje, tanto quanto o amanhã se fará ressonância do agora.

Que seria de nós se Deus tirasse férias e nos deixasse à própria sorte?

O Infinito Amor ajuda e socorre, mas o que nos compete fazer corre por nossa conta.


Marta

Salvador, 18.11.2022

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