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Primavera de Marta - Mensagem do dia 20.06.2022



Em meio a uma sociedade que estertora nas suas múltiplas agonias, não será difícil localizar nas ruas e praças os que seguem vazios.


Trazem as mãos feridas pelos cardos da hostilidade ou da indiferença alheia.


Caminham, trôpegos, rogando em silêncio dorido alguém que lhes ajude a não caírem em plena via pública.


Estatísticas muito bem elaboradas dão conta de milhões de esfaimados. E tantas mesas fartas, despensas abarrotadas, cerradas à beneficência.


Desempregados que suplicam trabalho, qualquer modesta colocação na colossal roda da economia, lhes arrancando do ócio sem esperança. E em alguns lugares, encontramos os ávidos por emprego, mas não por trabalho.


Lares em soçobro afetivo, filhos em ruínas morais e genitores cansados e desorientados na educação da prole. Jungidos no matrimônio dos difíceis resgates, marcham entre as sombras terrestres, na tolerância em frangalhos.


O panorama religioso da Terra se apresenta diversificado, onde muitos grupos apresentam soluções fáceis para os problemas humanos, como se a Divindade fosse um balcão de negócios, onde filhos perdulários e inconscientes se refestelassem nas graças do Altíssimo, sem qualquer contrapartida na melhoria comportamental de si mesmos. E enquanto as multidões cegas são guiadas por outros invidentes, prossegue a litania dos desesperados e chagados, aflitos e vulneráveis, rumando, incontáveis, do nada para lugar nenhum.


Em meio a esse caos moral, existencial, marcham aqueles que se deixaram tocar pela excelsa mensagem. Em algum trecho da própria estrada, foram amparados pelos amigos de Jesus, senão por Ele próprio.


Se viram diante da própria consciência. Ouviram parábolas de luz. Compreenderam a necessidade da mudança. De assistidos, passaram a assistentes.


Se voluntariaram entre os obreiros da Nova Era.


Olvidaram posições de destaque, desceram à seara vasta, desassombrados e em júbilo inexcedível, emprestando as forças para a disseminação de um novo tempo.


Tornaram-se mourões para os trôpegos e caídos.


Enxugaram lágrimas, ocultando as suas.


Calaram os desejos e sonhos, buscando realizar outras vidas na construção da felicidade possível.


Diminuíram as horas de sono ao descobrirem que o sofrimento não usa relógio.


Deixaram de crer. Hoje, sabem.


Estão pelas ruas e praças, quais tocos de velas em meio à escuridão medonha. Não são sóis de perfeição, nem trazem consigo o clarão das estrelas. Quando conseguem, acendem ligeira faísca na noite escura da alma e atraem as mariposas exaustas e quase vencidas pelo chicote das amarguras sucessivas.


O planeta vai seguindo sua fatalidade evolutiva. Suas entranhas se movimentam em estertores de dimensões ciclópicas, a tudo arrasando que estiver em seu caminho.


Na sua frágil superfície, mourejam os filhos da terra, dela tirando o trigo para o pão ou contemplando a insinuação do joio imprestável.


- Filho, vem trabalhar na minha vinha!


O apelo prossegue tão veemente no hoje como naqueles dias distantes...


Alguns entenderam e atenderam.


Outros, estão ocupados demais com suas posses passageiras e olvidaram o convite.


Muitos são chamados, poucos escolhidos.


O Pastor segue servindo.


A multidão vem logo atrás.


Até quando?


Amélia Rodrigues e Marta

Juazeiro, 20.06.2022

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