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Primavera de Marta - Mensagem do dia 20.09.2022



E o Senhor, em visita aos campos do mundo, buscou a convivência com os homens.


As vilas e cidades, povoados e metrópoles estavam cheios de ansiosos, vítimas do amanhã, que logo será hoje e daqui a pouco ontem.


Agitavam flâmulas, gritavam palavras de ordem, rascunhavam sonhos. Seus olhos não enxergavam o agora porque estavam inquietos pela aurora.


Temiam as más notícias, que talvez não chegassem. Aguardavam mudanças bruscas, pelas quais se agitavam ferozmente. Pronunciaram vaticínios estranhos, produzindo medo e incertezas.


O Senhor distribuiu entre eles a água da esperança e recomendou a confiança e o bom ânimo como sedativos das agonias para o que ainda estava por vir.


E com seus discípulos, demandou a aldeia dos depressivos. Em cada esquina, se falava do ontem.


Lamento pelo que poderia ter sido e não foi.


Frustrações pelos projetos acalentados e não concretizados.


A culpa era comentada em quase todas as rodas de conversa. Muitos afirmavam trazer mágoas não digeridas, pesadelos que se revolviam na intimidade profunda e tentavam ocultar as próprias dores em artifícios de fuga.


A solidão era a principal tônica dos seus habitantes.


Olhares vazios. Mãos jaziam paradas.

Pareciam estátuas frias ou museus ambulantes, sustentando a palidez dos moribundos.


O Mestre inoculou alívio em muitos, inspirou auxílio mútuo através do trabalho em favor da comunidade. Sugeriu a visita fraterna aos mais debilitados, a oração com ação e a movimentação em favor de alguma causa que alimentasse a dignidade e favorecesse a coletividade.


Em seguida, partiu para as terras ensolaradas dos homens e das mulheres do hoje.


Ali localizou povoados de estressados. A azáfama contínua, as mil atividades de cada dia os consumia a olhos vistos.


Não tinham memórias.

Não cultivavam as esperanças de um amanhã melhor.


Eram reféns do agora.

Estavam algemados a estranhos compromissos. Acumular, guardar, reter, poupar, eram verbetes incessantemente reproduzidos.


Instado a falar, o Senhor se referiu ao ontem e suas lições maravilhosas. As experiências acumuladas na caminhada, as amizades firmadas, os amores nutridos, os sonhos que se tornaram realidade.

Entreteceu considerações sobre o porvir que trará a colheita farta, o amanhã radioso que chegará com o sol em cada janela e as noites coruscantes de estrelas.


Sim, o hoje é divina oportunidade que não se pode menosprezar ou lançar no olvido, mas não pode nem deve ser o abandono do pretérito que cimentou ideais, nem inquietação pelo amanhã que vai chegar, invariavelmente com os resultados do agora.


A presença do Amigo Celeste fez alguns desacelerarem. Outros, estugaram os passos ligeiros, buscando escutar a flauta da paz desconhecida.


O estresse cedeu espaço em muitos lugares à calmaria.


Grupos se fizeram menos raivosos.

Muita gente se olhou no espelho e se enxergou desalinhado.


As vidas agitadas fizeram pausa para orar no poente daquela tarde.

E às margens do caudaloso rio da vida, o bom pastor discorreu sobre as agonias do excesso de passado, gerador de medo e culpa. Comentou, sem alarde que assim que o sol declinasse, a lua triunfaria, prenunciando a noite, mas novo dia chegaria com o ressurgir do astro rei.


E que a cada dia basta o seu mal.

Carregamos simultaneamente um ontem intenso, prenhe de ações e atitudes nem sempre saudáveis, um hoje exigente e estressante, nos inquietando em relação ao amanhã que vai chegar, mas a presença de Deus no coração dilui o passado de erros, abençoa o presente de lutas e encoraja o futuro de sonhos.


Quando todos esperavam que Ele ficasse na vila formosa, o bom pastor tomou rumo de desconhecidas terras, alegando ter um outro rebanho para atender.


As necessidades são muitas.

A ansiedade está em toda parte.

Estes são dias agitados.

As ocorrências se dão sem que as possamos digerir.

Quase todos alegam escassez de tempo. Em alguns poucos, sobra.


Noutros, falta.

Nunca haverá unanimidade.

Se possível, tira hoje um tempo para cultivar os valores de tua alma. Em silêncio, recorda quem foste, reflete sobre quem és e medita sobre quem pretendes ser.


Deixa de lado teus medos, desidrata tua ansiedade e aparta-te por alguns minutos desse estresse que te consome.


O Senhor está em visita no teu mundo íntimo.


Vais dar a Ele alguma atenção ou mais uma vez passará ignorado?


A decisão é tua.


Marta

Salvador, 20.09.2022

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