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Primavera de Marta - Mensagem do dia 20.12.2022



Ao longo de uma existência, o ser humano, qual máquina fotográfica impressionante, captura inúmeros ângulos da própria marcha, convertendo os negativos em fotografias vivas de seus instantes de felicidade ou desdita. Serão milhares, incontáveis episódios onde a amargura se infiltrou, a dor fez morada e a saudade deixou resíduos até hoje dolorosos.


Igualmente, cenas alegres e dias felizes estarão sob registro mnemônico, atestado vivo de nossa capacidade de guardar somente aquilo que nos interessa no transcurso de uma existência.


Muitas dessas ocorrências estão como raízes de nossa presente apresentação no mundo, reverberando sob a forma de traumas e limitações tudo aquilo que não foi bem digerido pelo coração.


A infâmia sofrida que ficou como mágoa. A traição experimentada, adaga sutil da vileza humana, deixando até hoje um caldo de amargura que nunca foi drenado da intimidade profunda do ser. Traumas de infância e da juventude, a se refletirem na atualidade nas expressões do pessimismo, da timidez excessiva ou das manifestações chamativas, quais SOS que o indivíduo emite, suplicando ajuda para as feridas da alma.


Numa sociedade que se apresenta profundamente plural, onde o item liberdade foi erguida ao olimpo das prerrogativas inafastáveis da convivência, homens e mulheres disputam palmo a palmo o direito de serem livres de qualquer tipo de amarras no vastíssimo campo dos sentimentos. Ocorre que, em inúmeras situações, a emancipação social é utilizada como plataforma de expansão de aberrações comportamentais, onde o protagonista sinaliza suas dores e conflitos, como a mendigar ajuda para se libertar de grilhões dos quais desejaria libertação, mas se assemelha muito ao prisioneiro que, diante do habeas corpus, opta pela permanência na prisão, de onde pode continuar protestando contra tudo e contra todos.


A conquista da saúde conduz o indivíduo à necessidade de trabalhar para se manter. Doente, será cuidado pelos outros.


Uma estrutura emocional equilibrada torna o indivíduo alvo dos descompensados, que o buscam à cata de socorro e auxílio. Muitos fogem desse estereótipo, desejosos de preservar a privacidade que lhes é conveniente.


Resta saber se a saúde quer socorrer o doente, a luz quer dissipar a treva e o bem articula a desidratação do mal. Não bastará ficar curado. É fundamental torna-se agente do bem, se fazendo instrumento da Divindade no auxílio aos que perderam o rumo e a direção.


A estrada está sulcada de espinhos. Os jardineiros são escassos e estão sobrecarregados de demandas.


As relações interpessoais se mostram superficiais e vaporosas na essência. Reclama-se de intervenção urgente na ministração de maturidade nas almas, através da educação dos sentimentos e das emoções, diminuindo as decepções que são frutos das expectativas doentias e exacerbadas.


Muitas crenças. Religiosidade em crise.

Vultosos investimentos no aculturamento, onde os títulos acadêmicos se sobrepõe uns aos outros, mas o ser permanece infantilizado na cátedra dos relacionamentos e imaturo na seletividade de seu acervo de experiências ao longo da vida.


O material deteriorado é guardado, arquivado, para que em momento oportuno, seja exumado, causando dor novamente, em processo de vitimização constante. Os momentos felizes e ditosos são deletados, deixando de ser referências para o otimismo e a disposição, a alegria e a esperança.


Ninguém como Jesus conhecia tão bem o caráter e a personalidade da criatura humana. Ele bem sabia o que havia no homem...


Campos íntimos em sombras, que Ele procurou iluminar com o facho do amor.

A desmotivação para viver sob jugo, cujas algemas Ele arrebentou pela paz interior.


O cativeiro infernal das paixões, cujas energias Ele canalizou em muitos para a solidariedade e a disseminação da caridade.


As cruzes invisíveis ao olhar, que Ele identificou na quase totalidade dos indivíduos que O seguiam, ensinando como convertê-las em asas para a ascese, librando acima das inquietações do mundo.


A loucura da carne, que Ele percebeu em quase todos, sugerindo paciência e disciplina na sua utilização.


Sim, a sociedade atual permanece tão enferma quanto no tempo D'Ele, apenas com a diferença de que nossas drogarias e farmácias possuem hoje muitos sedativos, tranquilizantes e opiáceos para diminuir os sintomas, sem penetrar suas causas, radicadas no espírito enfermo.


Quando o investimento na cura se mostrar aprofundado nas inquietações do ser, drenando suas mágoas e recalques, libertando o ser dele mesmo, o pássaro se libertará da gaiola da sufocante opressão das contínuas frustrações, ascendendo para sua destinação, que é a plenitude.


Se tens consciência de quem és, nenhum elogio te fará melhor e nenhuma crítica te fará pior, afirma a educadora Joanna de Ângelis, verdade filosófica e psicológica com a qual anuímos plenamente.


Resta saber se queres permanecer na doença ou já te decidiu pela conquista da saúde.


A decisão é inteiramente tua.


Marta

Salvador, 20.12.2022

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