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Primavera de Marta - Mensagem do dia 21.09.2022



A vida pode muito bem ser comparada a uma colcha de retalhos, onde cada quadrado de tecido seja tomado como uma experiência marcante da jornada. Pessoa alguma destituída de marcas deixadas pelos intensos e marcantes entrechoques dos relacionamentos interpessoais.


Infância e/ou adolescência assinaladas por traumas e tragédias que deixam mossas psicológicas de difícil descrição, mas igualmente pode ser um acervo de ricas lembranças, onde o afeto e a liberdade pintaram um arco-íris de liberdade e emoções superiores.


Os relacionamentos afetivos, desde o primeiro amor no colégio até a construção da família, permitindo o amadurecimento do ser para os embates naturais das convivências difíceis onde, se por um lado deixou cicatrizes e lágrimas, em outro momento, permitiu a vivência de fecundas emoções, na permuta com o ser amado.


O lar, que desde a mais tenra idade, registrou a carência de tudo, tornando a jornada ao lado dos pais e irmãos um desafio à sobrevivência e a luta incessante pelo pão, conseguindo forjar têmperas morais de subido valor, ou aqueles ambientes domésticos onde a fartura fez morada desde cedo, algumas vezes produzindo tipos comportamentais tímidos e medrosos com as inconstâncias do mundo.


Inumeráveis experiências de vida assinalam as existências que jornadeiam pelo mundo, inserindo em cada uma delas marcas indeléveis, alterando rotas e influindo no caráter e na conduta do ser para consigo e para com o próximo.


Herdeiro de um pretérito quase sempre tumultuado e agitado, o período gestacional, infantil e seus desdobramentos interfere profundamente na maneira como o aprendiz vai lidar com as ocorrências que lhe são favoráveis ou contrárias.


Quando não atinge determinada meta existencial, derrapa no inconformismo e se nutre do escuro caldo da decepção, como se o mundo lhe devesse um favor. Arma-se contra tudo e contra todos, buscando no desforço agredir, agredindo-se.


Em casos diversos, mergulha no fosso da depressão ou faz um surto psicótico, adotando uma reatividade que nada edifica de útil ou saudável.


A mole humana está constituída de incontáveis biótipos, cada um carregando sua história de vida, merecendo estudo particularizado, mas sobre a atual existência incidem as vivências transatas, portadoras de mensagens subliminares que precisam ser diluídas no amor que liberta, e nos relacionamentos ricos de valores.


O exercício do perdão, porque prosseguir odiando quem nos atingiu cria obstáculos de difícil transposição.


Adotar a resiliência nas dificuldades evolutivas, se permitindo aprender com o fracasso, a queda, o insucesso, deles extraindo valores que serão transformados em êmulo para novos tentames.


Silenciar ante a injúria, não porque seja pusilânime ou destituído de autoestima, mas porque opta pela não reação, pelo não revide, se forrando aos seus funestos resultados.


A convivência com a solidão, direcionando as energias afetivas para a construção de ideais coletivos que iluminem muitas vidas.

A aceitação lúcida de determinadas limitações no campo intelectual ou orgânico, fruto da hereditariedade, buscando superação no sorriso gentil e no culto da solidariedade.


Os demorados estágios no silêncio, não significando retraimento doentio da sociedade ainda muito barulhenta e agitada em excesso, mas cultivo de uma outra experiência iluminativa, onde a percepção da transcendência permita estabelecer laços de segurança com as fontes que jorram da imortalidade.


Treinar o desapego.

Fortalecer a capacidade de servir sem esperar reconhecimento.

Abandonar o vício de julgar pessoas e situações, se colocando no lugar do outro, que derrapou na própria empáfia.

Auxiliar alguém à beira do precipício, resgatando algumas vidas nas bordas do suicídio.


Tornar a oração um mecanismo natural da relação com Deus.

Ter a certeza de que não sabe tudo, mas se esforça por desmontar a própria ignorância.


Saber, enfim, que possui marcas e cicatrizes da vida, e que esse ou aquele sonho não se tornou realidade, concluindo ao termo da jornada que recebeu muito mais da vida do que merecia.


Sobre todos nós paira a Misericórdia Excelsa, onde cada um está colhendo apenas o que semeou.


O espinho ensina.

A prova testa.

A expiação corrige.

A lágrima desafoga.

A oração refaz.


Sê tu bênção na vida de alguém. Tanto quanto possível, escuta gemidos em torno de teus passos. Há histórias dolorosas não contadas. Vidas estorcegam nas tramas de situações aparentemente insolúveis e alguns não resistem aos testemunhos, sucumbindo ao desespero e ao paroxismo.


Se te procurarem, ajuda como puderes.

Dá um copo de água, um pedaço de pão, uma moeda singela. Sê nessa vida cheia de lepromas e dores algum lenitivo ou anestésico emocional.


Ela veio te buscar por não mais suportar os instrumentos de correção do mundo. É possível que por onde eles ora transitam, já estiveste.


Em tuas mãos reside a possibilidade luminosa de orientar alguém que se perdeu. Aclarar uma situação difícil. Apontar uma saída do túnel escuro das vidas vazias.


Tudo isso te fará um bem enorme e avançarás em tua estrada com maior lucidez e segurança.


O Excelso Amigo te acompanha desde o ontem longínquo até o sublime reencontro, onde te verás alforriado de teu fardo de amarguras, penetrando os verdes campos de tua ventura sem fim.


Marta

Salvador, 21.09.2022

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