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Primavera de Marta - Mensagem do dia 21.12.2021



Erguendo-se no mundo como farol na noite escura e estandarte de libertação de consciências, o Cristianismo não deixou qualquer dúvida quanto à sua missão entre os homens.


Desde os primeiros pescadores, convidados por Jesus Cristo ao sacrifício das tarefas habituais para que se tornassem pescadores de homens, até os dias atuais, onde querelas e controvérsias, anátemas e conflitos assinalam as diversas interpretações das diretrizes consolidadas por Jesus, ainda temos um vasto campo de possibilidades não executadas no terreno das almas sem bússolas evolutivas.


Cediço ficou na história do martirológio cristão que seus primeiros trabalhadores deram a própria existência em honra da causa abraçada, desafiando o paganismo romano que se erguia nos templos vazios e se refletia nas estátuas impassíveis dos deuses insensíveis às dores humanas.


De Belém de Judá a Jerusalém, uma nova claridade resplandeceu no céu interior das almas em turvação, apontando rumos novos, e conquanto alguns adeptos esperassem, na sua ingenuidade, que haveria destaque e honrarias para os mártires e discípulos, sempre ficou claro que a jornada não seria feita entre flores, quase sempre entre espinhos.


Tiago, filho de Zebedeu, foi vítima de homicídio cruel. Estevão sofreu apedrejamento público. Simão Pedro despediu-se do mundo crucificado de cabeça para baixo e o convertido de Damasco abandonou as poeirentas estradas da Terra sob o cutelo da lâmina fria. Seu Divino Escultor expirou entre ladrões e como coroa teve pontiagudos espinhos colocados na testa sanguinolenta.


Depois dos testemunhos dolorosos da primeira hora, incontáveis outros se seguiram, onde a semente cristã foi regada de lágrimas e sangue, dores e abnegações desconhecidas, inseminando a causa de ardor que arrebataria milhões de adeptos.


Decorridos vinte séculos, a cultura foi contaminada pelo materialismo, a filosofia tornou-se egóica e a religião, em muitos aspectos, perdeu sua seiva divina, para se tornar uma árvore estéril e um punhado de gravetos secos, não conseguindo ofertar frutos aos famintos de luz espiritual.


Honrarias e prêmios se fizeram erguer em pleno campo de lutas contra as paixões, diminuindo o entusiasmo de muitos.


Aplausos e rapapés, santificações apressadas e pedestais se ergueram em torno de heróis da fé, ofertando uma falsa idéia das lutas travadas para que os ideais de Jesus penetrassem o mundo íntimo de cada um.


E ora quando os redivivos se erguem da campa de ossos e pó, trazendo aos deambulantes do corpo os informes sobre a continuidade da vida além da vida, muitos optam pela indiferença ou pela desconfiança, atentos aos interesses rasteiros e reféns voluntários das conquistas passageiras.


Muito do ardor se evolou no caminho. A abnegação esfriou em algumas almas tímidas. O medo de enfrentar o paredão materialista provocou deserção de outros e a retórica, pura e simples, virou chavão nos lábios de muitos, divorciada de exemplos santificantes.


Certamente que estamos vivendo um tempo novo, onde as leis já não permitem o extermínio dos que esposam a causa do profeta galileu, nem ofertam amparo à intolerância religiosa, tão comum nos tempos presentes. Entretanto, uma mensagem somente toca os corações quando se faz acompanhar da vivência de seus postulados, exalando o doce suave perfume da compreensão de que a mensagem de Jesus se destina ao coração da criatura humana. Num momento de tão graves ocorrências em todos os campos da convivência social, nunca se teve tamanha necessidade de orientação e luz como nesses dias de entrechoques e dissipações, insanidade e fanatismo.


Os novos cristãos estão situados no mundo como sentinelas. Possuidores de um esclarecimento acima da média, lhes compete grave tarefa numa sociedade que perdeu o rumo e a direção.


O cérebro gargalha e o coração chora.


A inteligência triunfa e o sentimento periclita.


As ações vis ganham destaque diário e o gesto nobre se oculta nos guetos.


A desonra ostenta cidadania e a probidade segue desconhecida.


Irmão que marcha no mundo entre a cruz e a espada, silencia por instantes a algazarra que te aturde e refreia a marcha nas ásperas estradas, buscando algum oásis dentro de ti mesmo para as reflexões indispensáveis.


Qual o significado de Jesus em tua existência?

Que fazes junto aos teus irmãos?

Como compreendes a mensagem esquecida?

Sabes ou vives?

De tuas escolhas poderão brotar galhos sadios ou ramos estéreis.


Ele nunca te pediu sacrifícios, tão só misericórdia!


Neste Natal, deixa-te arrastar pela mensagem que evola do renascimento D'Ele entre nós, toma teu cajado e segue.


Ele prossegue esperando.


Marta

Juazeiro, 21.12.2021

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