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Primavera de Marta - Mensagem do dia 22.12.2021


No aprendizado terrestre é muito frequente que o aprendiz se rebele contra as lições quando estas são contrárias aos seus caprichos. Numa existência caracterizada pelas dificuldades materiais e malogro dos sonhos, nem sempre o atingido pelo insucesso levantará louvores ao poder divino.


A incompreensão ronda-lhe os passos.


A rebeldia lhe cega a visão mais dilatada do futuro.


A presunção o faz crer que desmerecia aquele infortúnio que o atingiu.


Ainda pouco esclarecido no tocante aos ângulos da vida, que se dilata além da organização biológica, apoia-se no binômio sorte/azar, atribuindo que fracasso e êxito são faces de uma moeda que gira às cegas, ora premiando, ora castigando.


Não possui discernimento nem maturidade suficiente para compreender que a Sabedoria Divina atende os filhos inteligentes da Criação por meio de sutis mecanismos, que se fazem perceptíveis na jornada evolutiva por marchas e contra marchas.


A enfermidade que surge, inesperada, não tenciona ceifar as esperanças, mas refrear impulsos infelizes, abrindo campo mental para reflexões desprezadas.


O ser amado, que nos abandonou em meio aos sonhos de ventura conjugal, nem sempre foi constrangido ao afastamento de nosso coração por impositivo do alto, muitas vezes buscando caminhos próprios por deliberação do livre arbítrio que lhes é inerente, atentos a outras faixas de interesse que nos é defeso compartilhar de momento.


O ente querido que a morte arrebata na tragédia ou no flagelo destruidor regressa para a vida espiritual em tempo certo buscando, após o despertar, continuar sua jornada iluminativa, conquanto em nós a lâmina afiada da saudade continue machucando os sensíveis tecidos da emoção.


Inderrogáveis leis regem a harmonia universal. Estatutos Divinos presidem os acontecimentos que se dão na esfera material e moral, conquanto o livre arbítrio seja apanágio do ser pensante, pelo qual cada um haverá de responder quando mal utilizado.


Cada malogro carreia uma lição, que precisa ser lida com os olhos da alma.


Toda ascensão cobra um preço.


O deus ancestral era possuidor da "ira divina", fúria que descia, implacável como um machado sobre os filhos ingratos, decepando-lhes os sonhos. Em outro momento, satisfeito em seu ego, os deuses asseguraram colheitas fartas e pesca abundante, premiando os povos que se lhe obedeciam cegamente. Antropomorfizado, deus era reflexo das paixões e anseios humanos, que obtinham favores conforme as oferendas e os templos erguidos em favor dessas deidades.


A chegada da mensagem de Jesus ao cenário do mundo alterou essa compreensão e começou a formatar uma nova relação entre as criaturas e o Criador.


Nem prêmio, nem castigo. Educação.


Nem sorte nem azar. Reação equivalente às ações cometidas.


Jesus busca despertar a consciência embotada dos irmãos em crise de valores, situando o Pai como mantenedor da vida universal, sem preferência por esta ou aquela raça.


Dores se tornam troféus.


Dificuldades são assimiladas como alavancas do progresso.


Problemas são testes da estrada.


E na atualidade, quando a compreensão da vida, sob a ótica do novo espiritualismo, nos descerra os véus da morte, elucidando que estamos cercados por uma multidão de testemunhas, domiciliados em faixas mais sutis da vida, passamos a compreender que não existe injustiça em parte alguma, todos estão a caminho da luz, mesmo que por veredas diferentes e que, sem solidariedade e fraternidade, a caminhada fica muito mais difícil.


Os templos passam a ser meras referências de doutrinas, e atentamos que Deus está em toda parte, como sopro de vida e êmulo ao bom combate.


Ninguém ao abandono.


Filho algum sem Sua paternal orientação.


Numa época onde quase todos querem falar, sejas tu a escutar a Divindade.


Basta silenciar as exigências, asserenar a petulância e domar a agressividade ainda latentes em tuas províncias íntimas.


Acalmado o barco da alma, o Senhor se fará sentir como bússola precisa e mapa de navegação, apontando ao teu itinerário como seguir seguro e feliz para os cimos da vida maior.


Marta

Juazeiro, 22.12.2021

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