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Primavera de Marta - Mensagem do dia 24 03.2022



As buscas humanas em torno da felicidade continua sendo, para a grande maioria, o ponto alto da existência.


O amor, tecido no altar e continuado na intimidade do lar, permanece na maioria dos corações como sendo o ômega da realização emocional. Homens e mulheres buscam sua construção de maneira incessante. E as páginas da história traduzem esse anseio, ora com as tintas da tragédia ou dos grandes romances.


Sansão e Dalila, duas personalidades do Velho Testamento, cuja inquietação e curiosidade feminina acabou por subtrair do homem amado o segredo de sua força, tosando-lhes os cabelos e o reduzindo a um mortal comum. A paixão que termina em tragédia.


Cleópatra, a rainha egípcia, descendente do clã dos Ptolomeu, se viu desejada por dois césares, Júlio César e Marco Antônio, com ambos tendo se envolvido. Destituída de suas prerrogativas sobre o Egito, com os filhos raptados e entregues a tutores em Roma, optou pelo suicídio covarde, se deixando picar pela peçonha de uma áspide.


Poder e ambição como ingredientes de uma dolorosa vinculação entre almas atormentadas.


Muitos séculos depois William Shakespeare descreveria, no final da Idade Média e início da Idade Moderna, o conflito de interesses de dois clãs, os Montecchios e os Capuletos, de onde brotaria o amor juvenil dos adolescentes Romeu e Julieta, desencadeando nova tragédia na literatura. O amor que não resistiu ao ódio nutrido por duas famílias que se mantinham antagônicas.


E em plena atualidade, onde o empoderamento feminino vem sendo duramente conquistado, homens e mulheres mantém o ideal da conquista perfeita, localizando entre milhões de seres outros a alma gêmea. E quando não logra esse desiderato, muitos sucumbem às aflições, ao desencanto, se fazendo galhos secos e estéreis no campo vasto dos sentimentos.


Quantos solitários e desiludidos com relacionamentos passageiros, não compensatórios ao ideal esposado?


Frustrados e deprimidos com os sucessivos matrimônios, onde penetram sedentos e se veem ejetados sob dolorosa vampirização.


Os traumas causados pela incompatibilidade de gênios. As mossas morais sulcadas nas almas pelas incompreensões e pelas traições infames, patrocinando uma legião de feridos e mutilados das emoções.


Em que lugar do horizonte se localiza a ilha da fantasia conjugal, o porto seguro das uniões perfeitas e sem máculas?


Desafiador responder, onde cada um é uma singularidade, com metas e objetivos existenciais distintos. O certo é que o orbe terrestre é tipicamente um palco de amargas expiações e dolorosas provações, onde a felicidade ainda não pôde fazer definitiva morada, tamanha a imperfeição dos seus inquilinos.


Vive-se momentos felizes. Alguém nos preenche os sonhos por alguns dias ou por algumas décadas, mas ainda assim muitos carregam o peito sedento de aventuras e quimeras sexuais. Parece nunca estar satisfeito, pois que alega não ser compreendido e por sua vez não compreende a parceira eleita.


Aflige-se por se manter jovem nas carnes passageiras, como se pudesse deter cronos, ignorando que cada quadra da vida tem sua beleza própria, seus encantos e suas lições.


A libido de hoje será a maturidade de amanhã, se for bem canalizada.


A paixão cede lugar ao companheirismo.


O furacão dos desejos, qual tempestade destruidora, converte-se em experiência de vida.


Sim, a sede de afeto nos abrasa e inquieta. Quase todos temem a velhice solitária. Fechar o ciclo do corpo sem a bênção de uma mão amiga, que nos cerre as pálpebras para a grande viagem e deposite uma flor no sepulcro.


Os amores existem, nem sempre no plano em que estagiamos. Muitos afetos caríssimos ao nosso coração se postam quais sentinelas de luz na vida maior, de lá nos inspirando nas boas atitudes e nas decisões acertadas.


Evitam descer ao mesmo círculo de experiências comuns, seja porque já se sublimaram, seja porque nos compete a travessia em regime de solidão, onde a energia da vida será canalizada para erguimento de obras de amor no campo do serviço aos semelhantes.


Não te queixes da solidão.


Não profiras maldição contra as Divinas Leis, nem insinues que Deus ignora teus clamores.


Sem que saibas corretamente, o amor do Pai nos sustentou ontem, nos ampara hoje e nos descerra glorioso futuro quando, vencidas as procelas terrestres, possamos alçar o próprio coração ao amor universal, nos fundindo ao amor único e verdadeiro: o amor de Deus, que a tudo nutre e alimenta de vida, e vida em abundância, conforme nos disse Jesus.


Marta

Salvador, 24.03.2022

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