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Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.04.2022



Em meio às imensas lutas da vida terrestre, o ser muitas vezes se queixa de abandono e solidão por parte da Divindade.


Defrontado por quase insuperáveis obstáculos, o aprendiz reclama pela falta de companheiros que dividam com ele as amarguras do cotidiano, ignorando que cada um traz para o viver as lições de que necessita para seu próprio crescimento.


Inquietos, multiplicam rogativas petitórias, exigindo de Deus pronto atendimento aos caprichos pessoais, ainda decorrentes de uma visão estreita da vida, centrada na corporalidade e na visão imediatista das ocorrências passageiras.


A cada filho o Pai destinou uma tarefa no mundo, não estando pessoa alguma desprovida de possibilidades de trabalhar em favor de si e de um ente querido que seja. Certamente que nem todos estão no patamar das grandes missões, onde o auxílio de missionários e almas definidas se faz perceptível no atendimento de comunidades imensas ou mesmo da humanidade inteira, mas nossa constelação familiar já pode ser um excelente início de exercício de solidariedade, se desejamos realmente ampliar progressivamente nossa capacidade de auxiliar o mundo em conflito.


Pequenas tarefas domésticas podem descansar servidores remunerados e os genitores cansados das lutas da vida.


Um auxílio no ambiente escolar e acadêmico a um colega em dificuldades nas lições de sala de aula.


Prestar uma insignificante informação na via pública a um transeunte perdido ou a um motorista desorientado.


Numa fila, alguém que nos pede uma opinião sobre esse ou aquele assunto e que podemos orientar com segurança e conhecimento de causa.


Quantas oportunidades temos diariamente para servir e não alegarmos que a vida se tornou um fardo difícil de ser carregado?


Existem momentos em que precisamos estar sozinhos conosco mesmos, refazendo o mundo íntimo e pacificando nossas paisagens internas, a sofrerem bombardeio incessante de informações acima do limite de nossa capacidade de assimilação. As agressões gratuitas desde cedo até o anoitecer provocam fadiga crônica e alimentam um caldo nutritivo para o desânimo e a melancolia que, se não esvaziada, pode ser o embrião de um futuro estado depressivo. Mas é justamente sob esse ataque de forças contrárias que lograremos construir as defensivas de nossa cidadela emocional.


Surgiu a crise existencial? Reavaliar as metas existenciais e ressignificar as buscas humanas.


A pessoa eleita fugiu do compromisso afetivo? Refletir que a desistência agora pode ter sido aviso prévio da Misericórdia Divina, que nos retirou na estrada um desastre bem maior daqui a seis meses.


O sonho financeiro naufragou na crise que atinge a grande maioria?


Um freio oportuno e inesperado, nos possibilitando melhores condições para futuro breve.


Aquela viagem tão planejada e que virou fumaça de um momento para outro. As Divinas Leis nos preservando de tragédias que talvez nos custasse a própria existência na Terra.


Ninguém no mundo sem um amigo. Um cão de rua que se nos afeiçoa e um gato vadio que se faz parceiro não deixa de ser uma companhia.


Tem sempre alguém que por mais que olhe em derredor dos próprios passos não enxergará uma afeição querida.


Quantos velhinhos esquecidos pelos filhos em custosos abrigos da terceira idade?


Quantos meninos e meninas, inteligentes e alegres, acolhidos em abrigos, esperando que alguém se decida pela adoção?


Nos dois últimos anos, reféns do isolamento social, imposto pelo vírus destruidor, quantas amizades novas incorporamos ao nosso alcance?


Tem muita gente ferida desse período.


Uma imensa quantidade está sedenta de conversar, tocar o outro e ser ouvida.


Quando observar tua existência rumar para o vazio de metas, já não encontrar estímulo no que fazias outrora ou optares pelos demorados silêncios, como a se perder em teus desencontrados pensamentos, eis o sinal vermelho de uma crise existencial que está se instalando ou já fez morada em tuas províncias íntimas.


Não adotes atitudes precipitadas.


Busca o refrigério da oração.


Em saindo dela lucificado, organiza tua agenda, refaz caminhos e se possível planta uma flor num vaso ou em teu jardim.


Dia a dia acompanha o vegetal na sua luta em romper a terra, se fazer germinar e buscar a luz solar.


Em silêncio a plântula frágil está te dizendo que foi confiada a uma cova escura, nela morreu semente e fez brotar um novo ser, verde como a esperança. Agora, pede sem palavras que forneças água, a fim de que possa crescer, florescer e frutificar.


Perdoe se te pergunto no epílogo desse bilhete ligeiro: consegui insinuar algum raio de luz por uma telha quebrada em tua sala íntima?


Se sim, então estamos juntos nessa mesma estrada chamada vida, à qual Jesus se referiu como abundante.


Marta

Salvador, 25.04.2022

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