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Primavera de Marta - Mensagem do dia 25.12.2022



No dilatado terreno da mitologia grega, é possível localizar a existência das três parcas ou moiras, como sendo as fiadeiras do destino das criaturas humanas na Terra. Tidas como filhas da deusa da noite, Ônix, cada uma se encarregava de um aspecto da vida.


Cloto fiava, na roda ou tear da fortuna, o tecido delicado do viver na matéria. Láquesis construía o quinhão de lutas que cada um deveria carregar do berço ao túmulo, com toda a carga de lágrimas e risos que iriam constituir a história de cada um.


E por último, Átropos cortava com afiadíssima navalha, o fio da vida, impondo a morte e recambiando o ser para o Hades, onde seria julgado pelos deuses, ascendendo aos cimos do Olimpo ou descendo aos baixios da degradação espiritual.


Nem Zeus poderia interferir nas decisões das três temidas irmãs.


À margem do contexto mitológico, sempre rico de possibilidades interpretativas, podemos permitir que o nosso pensamento, ora iluminado pelas diretrizes da mensagem cristã, se enriqueça de valores para interpretar a própria evolução.


Nenhuma criatura pensante entregue ao acaso ou às manifestações de deuses cruéis e raivosos, cujos impulsos obedeciam a estranhos interesses pessoais de cada um deles. Somos por demais sabedores que triunfo ou fracasso, ascensão ou estagnação são fundamentalmente localizados no esforço despendido por cada um.


No manejo das potências da alma, o indivíduo alcança seus objetivos ou deles se afasta, ocorrendo que a Divindade confere a cada um infinitas possibilidades de recomeço e reparação de erros cometidos nas trilhas do viver.


Da queda pode e deve-se retirar lições que ensinem e corrijam a rota livremente escolhida pelo ser em sua marcha. E do triunfo igualmente transpira ensinos que deverão ser aproveitados para o incessante aperfeiçoamento intelecto-moral.


A feitura do mal, em sua essência, projeta o Espírito em sombras de dor e resgate, sendo espúria manifestação da ignorância ou da astúcia deliberada, onde o livre arbítrio, manejado por consciências asselvajadas ou ricas de conhecimento possuem bitola própria de aferição do grau de responsabilidade diante das leis divinas.


A quem se equivoca por insensatez ou ilusão, o alto concede a escola e o tempo como ferramentas de depuração, permitindo que a escolha infeliz seja retificada pelo próprio autor, não funcionando mecanismos escapistas ou terceirização das faltas para supostos adversários da Sabedoria Excelsa.


E quando o filho da misericórdia se mostra disponível e disposto à semeadura da luz, as fontes superiores canalizam abundantes recursos para que os braços do servidor atento e fiel sejam utilizados como ferramentas do bem, promovendo o progresso e a iluminação de inúmeras vidas.


Nem prêmio nem castigo. Consequências simplesmente.


Nem céu nem inferno. Tão somente dois estágios vibratórios, onde a vida se manifesta, ora na densificação da matéria ou na sutil manifestação vibratória da realidade espiritual. Dentro de cada realidade, inúmeras faixas de evolução e aprendizado, qual educandário vastíssimo, onde cada um se matricula conforme seu grau de entendimento e daí retira os melhores ensinos para o entendimento acerca da existência e suas finalidades à luz do progresso.


Outra não foi a finalidade da vinda do Cristo à Terra, começando Seu périplo na noite de Natal e encerrando Sua viagem pelo corpo no monte da caveira. Vivendo antes da concepção de Maria e indo além do sepulcro onde foi inumado, prossegue como modelo e guia de uma humanidade que se perdeu em meio às filosofias rasteiras, ora sorvendo a água salgada do materialismo asfixiante.


Elabora muitas teorias e nelas mesmas não acredita.


Ergue altares e templos religiosos onde se confia a penitências e cultos extravagantes, mas opta por ignorar diretrizes da boa convivência, se fazendo lobo de seus irmãos de caminhada.


Manuseia escritos a que atribui sacralidade, e pela conduta os prostitui cotidianamente.


Ora e xinga ao mesmo tempo.

Confia e desconfia incessantemente.


Mitologicamente, surge do tear de Cloto, recebe o fardo de suas lutas de Láquesis e teme o canivete afiado de Átropos, sugado por Tânatos para a pátria de onde procede a para onde um dia retorna, inevitavelmente.


Que fazes da própria existência?

Tens acumulado amigos ou costurado mais adversários?


Deitas sob o açodar da consciência de culpa ou repousas no clima da mente tranquila?


Donde vens e para onde vais?

Não aguardes o réveillon ou o novo ano para refazer caminhos, estreitar laços de afeto ou buscar alguém ferido com sinceros desejos de reconciliação. Faze isto hoje!


Átropos está ficando senil e nem sempre concede tempo para refazer caminhos e reparar equívocos.


Natal é tempo de renascer em propósitos e deliberações, a caminho da luz.


Marta

Juazeiro, 25.12.2022

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