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Primavera de Marta - Mensagem do dia 29.04.2022



Imagina, mesmo que ligeiramente, se fosses guindado ao governo do mundo, o imenso oceano das exigências humanas.


Em teu gabinete de poder transitório repousariam milhões de pedidos dos governados, clamando por providências que talvez, de pronto não pudesses atender.


Banimento da fome que castiga bilhões.


Água potável para todos.


Estradas em perfeitas condições de trafegabilidade.


Oceanos limpos, sem pesca predatória e sem derramamento de resíduos de óleo, em alguns casos, e inúmeros pedidos para que liberasses a caça aos grandes cetáceos, autorizando a pirataria e o tráfico marítimo, atendendo criminosos anseios.


Rentearias com os mais esdrúxulos desejos de súditos bajuladores e parasitas do poder mundial, te cercando a casa de mando de inquietantes preocupações.


Como acolher rogativas destrutivas de muitas vidas?


Que fazer diante da pressão de grupos monetariamente fortes?


Terias noites escassas de sono e dias tumultuados em tua curta passagem pelo comando do mundo, ou avançando para graves sequelas na saúde ou te impondo a renúncia em algum momento, preservando a própria existência.


Se o indivíduo não souber a si mesmo comandar, dificilmente terá como orientar outras vidas. O poder, o comando, seja breve ou hereditário, é sempre um fardo de complicada condução quando o aspirante não sabe distinguir necessidades reais de caprichos pessoais, sejam os seus ou da massa em agitação incontrolável.


Os reinos da Terra sempre tiveram seus césares temporários, muitos dos quais deixaram escuros rastros de podridão e violência, medo e desesperança.


Raramente a história registrou lideranças amadas, aquelas que fizeram do fastígio ferramenta de progresso e bem-estar para a coletividade. Normalmente, foram depostos por grupos armados ou desceram ao vale da morte ante o manejo de punhais e venenos aplicados na calada da noite.


A política do mundo sempre foi para poucos, e quase sempre sofreu desvios lamentáveis, manejada por interesses escusos e portadores de anomalias morais, que se deixaram conduzir por assessores criminosos e auxiliares atentos aos próprios interesses, negligenciando os clamores da população em miséria e opressão devastadora.


Se César, no pretérito longínquo de Roma ofertava pão e circo aos plebeus e clientes, hoje localizamos em vários países os equivocados do poder transitório doando apenas o ingresso para o espetáculo circense da desfaçatez e da incúria, desassistindo milhões, a vaguearem na miséria quase que absoluta.


Os filhos do calvário estão por toda parte.


Pobres e esquecidos somam-se aos bilhões. Refugiados deixaram seus lares e países para buscarem abrigo e auxílio em terras estrangeiras, desalojados por guerras hediondas e insurreições sangrentas.


Jesus esteve entre nós num período muito semelhante a este que estamos atravessando. Roma dominava o mundo, subjugando povos e os extorquindo nos impostos desumanos. Qualquer tentativa de liberdade era reprimida sem misericórdia e suas lideranças populares elevadas nos postes de martírio para escarmento de todos.


Ele surgiu num berço de palha, foi refugiado num país distante ainda criança, retornou para sua terra Natal e nela ficou em completo esquecimento por quase duas décadas, até buscar Seus seguidores numa vila insignificante de pescadores.


Optou pelos pobres e mutilados.


Seu gabinete de trabalho era em plena natureza agreste de montes e praias.


Seus discursos não eram elaborados em pergaminhos de luxo, mas evolados dos lábios, atingindo corações e mentes sedentas de paz.


Exaltou a dracma perdida, a semente de mostarda e fez de um punhado de homens incultos Seu ministério de amor, onde o dinheiro só tinha ressonância na mente do Iscariotes.


Seu trono foi uma cruz.


Ao terceiro dia, retornou ao convívio dos Seus amigos e lhes desejou tão somente a paz profunda.


Prossegue até hoje guiando e inspirando almas na direção do Pai.


Nunca te esqueças de que tua passagem do berço ao túmulo é insignificante minuto diante da eternidade.


Cuida, o quanto antes, de teus valores íntimos.


Prioriza teu governo interno.


Investe pesado em tuas obras morais.


Resguarda-te do morbo contagioso do poder temporal, atento à tua tarefa junto aos homens, a quem vieste servir. E, desalgemado das amarras do materialismo sufocante, ascende em tuas trilhas para a grande luz, que vige muito acima dos holofotes da fama passadiça e dos aplausos fingidos.


Seguindo a orientação D'Ele, situa teus tesouros onde a traça não chegue e os meliantes não furtem, implantando desde já o Reino de Deus em teu governo espiritual.


Marta

Salvador, 29.04.2022


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