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Primavera de Marta - Mensagem do dia 29.08.2022




Alastra-se, e não é de hoje, a justificativa de muitos indivíduos, acerca do imenso cansaço que os devora, qual escalracho nocivo em terras férteis. À semelhança de uma fadiga crônica, tem assaltado incontáveis operários, criando mal-estar e desmotivação para novos projetos na vida. E essa hemorragia energética nos seres humanos tem produzido uma legião de pessoas rotineiras, apáticas, possuidoras de justificativas sempre na ponta da língua para evitar tudo que se chama trabalho ou renovação.


Se fizeram autômatos na sociedade competitiva. Lutam apenas o suficiente para não saírem do mercado de trabalho onde adquirem o ganha pão, e aos finais de semana dão vaza aos instintos mais grosseiros, sem qualquer investimento na própria iluminação.


Comem, dormem, procriam e bebem, acrescentando uma pitada de lazer e diversões frívolas. Quase nenhuma leitura.

Religião esquecida.

Visitas a parentes sempre postergadas.

Meditação zero.


Começando a segunda feira de trabalho, já estão sonhando com o próximo final de semana. Suas camas são seus altares.


Não conseguem ir além do exclusivamente reclamado no ambiente de trabalho, e qualquer esforço novo parece um serviço para Hércules.


Afirmam estar sempre cansados, enfastiados da existência e sedentos de novidades, desde que não custem dinheiro ou esforço novo.


Não se pode ignorar que as exigências do atual retraído mercado de trabalho, ainda vivendo sequelas da pandemia ceifou inúmeros postos de serviço, lançou milhões de homens e mulheres no desemprego e cavou fundo fosso na economia global. A invasão e o persistente conflito russo-ucraniano desestabilizou a frágil economia internacional e um quadro de incertezas e inquietação paira sobre as frontes e braços de incontáveis servidores em plena idade útil. Esse cenário sombrio, aliando-se aos já possuidores de tendências depressivas e gatilhos para a síndrome do pânico e outros transtornos do humor e da afetividade alteraram a disposição de muitos, patrocinando um morbo de medo e insegurança que ora responde pelo conflito de milhões.


E o cansaço normal, aquele produzido por um dia comum de trabalho e estudo, se somou à desesperança que sabota a alegria, se vinculou à inquietação e as agonias do cotidiano, favorecendo que a fadiga crônica tenha se tornado um grande problema na atual sociedade, robotizada e refém das máquinas e da internet.


Qualquer tempo disponível entre o trabalho remunerado e os estudos obrigatórios são utilizados no descanso ou desviados para atendimento das redes sociais, onde o internauta tenta passar uma imagem que não corresponde à sua realidade, tentando imitar celebridades que estão sempre felizes e aparentemente resolvidas.


Criou-se a legião de seguidores desse ou daquele ídolo, e o indivíduo acaba por mascarar suas carências, seus conflitos, gerando um corpo quase que permanentemente cansado e uma alma sem motivação para novos projetos.


Mergulha-se num círculo vicioso, à semelhança do mastim correndo atrás do próprio rabo.


Os instantes que poderiam ser dedicados à oração são preenchidos com jogos e games violentos. Os amigos são virtuais. Foge-se do presencial com receio de encontrar e conhecer pessoas vazias, ignorando que igualmente pouco carrega consigo que possa ofertar ao outro.


Os relacionamentos se fazem líquidos, superficiais, e quando o desejo eclode em muitas almas sedentas e carentes, muitas vezes não passa de química sexual, que se dilui logo após os apressados conúbios de natureza íntima, sem maior expressão nem desejo de manter um relacionamento mais profundo com a pessoa.


São quadros e telas vivas da atual cansada e atormentada sociedade terrestre, reclamando estudos aprofundados para descobrir as causas dessa insatisfação que toma conta de muitos, em conluio com esse cansaço que nunca passa.


Farmácias e drogarias anunciam fórmulas arrebatadoras. Laboratórios sintetizam princípios que prometem reduzir, quando não eliminar, alguns bons anos da aparência cansada. Academias exibem rapazes e moças em trajes sumários, destacando bíceps e abdômens sarados.


Propagandas bem articuladas convidam os sedentários ao movimento em praças e orlas marítimas.


Ciclismo, surf, esportes radicais e outros sugerem vida saudável.


Ocorre que o problema não está fora, mas dentro. Indiscutível reconhecer que a vestimenta transitória da alma merece cuidados próprios, desde uma alimentação equilibrada até a salutar ginástica que remova o ferrugem de juntas e articulações.


Mas, onde a motivação para o país interior, sob intensa agressão de agentes não detectáveis por exames de laboratório?

Como diluir a apatia que abate homens e mulheres de meia idade? Que elixir poderá devolver alegria de viver a velhinhos consumidos pela amargura? Como orientar a mente infantil e a pujança do adolescente para outros ideais que não sejam aqueles da cartilha materialista dos tempos modernos?


O triunfo externo não está produzindo uma sociedade mais feliz. Nunca se consumiu tanto ansiolítico como nos tempos atuais.

Ninguém discordará que é preciso atender o corpo, implementando medidas de saúde e higiene, mas não se pode relegar a alma a essa indiferença que está produzindo uma massa de cansados e fatigados.


O apelo é para que tenhamos a coragem de romper padrões cristalizados, rever a rotina adotada e buscar alternativas saudáveis. A mensagem de Jesus se nos afigura um tratado ignorado de psicoterapia avançada da alma e um tônico rejuvenescedor dos sonhos perdidos.


Faz-se urgente resgatar as amizades perdidas no tempo, conversar sem interesses rasteiros e orar sem nada pedir ou exigir da Divindade.


Meditar em silêncio.

Ouvir música suave sem pressa de que ela acabe.


Conectar-se com a natureza.

Utilizar parte do tempo disponível para alguma atividade artística e filantrópica, tornando-se útil a alguém em penúria.


Ouvir mais, falar menos.

Escutar o desvio moral e não fazer julgamento da conduta alheia.

Buscar ver o lado bom das pessoas e das ocorrências.

Viajar...


De preferência para o mundo interior. É lá que está nosso tesouro e nossa fonte de vida plena.


Com Ele, não existe cansaço nem desmotivação.


Marta

Salvador, 29.08.2022

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