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Primavera de Marta - Mensagem do dia 30.03.2022



Ante um tempo que se mostra fértil de ideias e mutante como um camaleão, recordamos de Victor Hugo, a mente brilhante da França no século XIX, quando teve ocasião de afirmar: "existe uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: uma ideia cujo tempo é chegado."


Não será difícil ao observador atento registrar as mudanças bruscas que estamos todos experimentando no campo das relações humanas e das ciências que devassam a matéria nos seus segredos mais profundos.


Em pouco mais de um século até esses dias as revoluções sacudiram as cátedras nas quais se apoiava o homem apenas crente. A física, de clássica na concepção newtoniana, fez improvável na expressão quântica, sobrando perguntas e faltando respostas.


A química moderna, dentro das novas disposições, abandonou as arcaicas concepções da alquimia medieval, estruturada nos quatro elementos primordiais (fogo, ar, terra e água), herança dos gregos e adotou as três essências básicas da vida (o sal, o enxofre e o mercúrio), avançando com Mendeleiev para a organização da tabela periódica.


Ecologia, economia, biologia e diversas outras ciências, entre exatas, humanas e biológicas sofreram profundas transformações, exigindo novos raciocínios e dilatadas concepções acerca da vida.


A política divina dos reis medievais cedeu lugar ao Estado moderno, onde leis são elaboradas por parlamentos eleitos, governantes se submetem ao escrutínio periódico do sufrágio popular e os poderes típicos de uma república possuem direitos e deveres fixados em leis.


No campo dos relacionamentos interpessoais a evolução foi imensa, desafiadora. Desde Emil Kraepelin até às avançadas concepções psicológicas de Hanna Wolff, situando Jesus como o mais notável psicoterapeuta da história universal, imprimiram nas ciências psicológicas um avanço sem paralelo, revendo conceitos e abrindo clarões para entendimento da insondável natureza humana.


E ao constatar que as mudanças na sociedade são intensas e profundas, constatamos que muitos estão inadaptados, como que tentando, inutilmente, lutar contra as novas ideias.


Ainda persiste em muitos corações e mentes as ideias escravocratas, tentando sujeitar negros e mulheres ao tacão do macho alfa. Ignoram o empoderamento feminino destes últimos 60 anos.


Menosprezam a participação da mulher na condução de empresas ou na gestão de países, influenciando o complexo mosaico das decisões políticas de nossos tumultuados dias.


Agarram-se, desvairados, a ultrapassadas concepções de organização da família apenas em torno do patriarcado, tentando empanar a realidade dos tempos modernos, onde mães solteiras procriam e criam seus filhos, com ou sem a parceria do genitor.


As novas concepções estão sacudindo a sociedade desde a revolução industrial na Europa do século XVII, configurando inicialmente de maneira lenta uma mudança nos padrões medievais, ora em acelerada mutação para ousadas configurações.


A velha máquina de datilografia descansa, cedendo espaço ao teclado.


O rádio, de tempos dourados, se viu descartado pelo poder de fogo da internet.


A TV, no formato tradicional, agoniza, diante do avassalador predomínio das redes sociais.


As velhas revistas saem das bancas para a memória, substituídas pelas eletrônicas em tablets de última geração.


Bibliotecas são digitais.


O mundo, num clique.


Buscas instantâneas.


Sim, estamos numa era de notáveis avanços, tecnologia de ponta e conquistas científicas de tirar o fôlego.


Só não podemos nos desumanizar. Atirar na lata de lixo o amor como se fosse adereço descartável.


Fazer de Deus um comerciante barato, a ofertar milagres em troca de chavões repetidos à exaustão.


A crença perde fôlego numa sociedade que pensa, exigindo provas incontestáveis.


E nessa azáfama, o transcendente se agiganta, lecionando, em silêncio, que por mais que triunfe a glória do saber e do pensar, nenhum homem ou mulher poderá dispensar a esperança, ridicularizar a fé ou avançar sem solidariedade.


Sem o cultivo do amor e sem a certeza da vida futura, nossos exércitos armados são simples exibição de musculatura militar, fadados ao ostracismo da história.


A maior força continuará residindo naquele que ama, avançando além de seu tempo na direção da Era Nova.


Se já percebes isso, diminui tua ansiedade e cultiva teu mundo íntimo, desde já antenando-se com a estação divina. Em contato com tua parte imortal, saberás que não vieste ao mundo tão somente para sobreviver.


Importa ser mais do que carne e ossos.


Marta

Salvador, 30.03.2022


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