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Primavera de Marta - Mensagem do dia 31.03.2022



E em vasto auditório dos espaços, milhares de almas livres, candidatas aos palcos materiais, se aglomeravam para audição do erudito escritor espiritualista Leon Denis.


Manejando a palavra com sabedoria e experiência, discorria sobre as múltiplas existências com profundo conhecimento de causa, ao tempo que inoculava otimismo e fé nos candidatos a novo desiderato nos círculos da matéria densa.


Escutando-o, não pude me furtar às lágrimas de emoção, arrebatada pelo estro de otimismo e confiança no Poder Divino.


"Amigos, almas irmãs, soa para vós outros o instante da vertigem, do torpor. Avizinha-se o contato com as cartilagens físicas, que passarão a exercer tirânico olvido em vossas sensibilidades mais aguçadas. Sois os bailarinos que deixam a suavidade do tablado e a leveza da sapatilha para envergar a rudeza do coturno, desbravando um solo caliginoso, tomado de ervas amargas e frutos amargos.


Perlustrareis campos difíceis, renteando com almas chumbadas aos gozos passageiros, aos vícios de toda ordem e aos desmandos do caráter. Tendes por coluna ereta e mourão de suporte vossa fé, acrisolada nas rudes experiências pretéritas, onde muitos sucumbiram fragorosamente, descendo aos mais vis exemplos, até que a dor, em cada um de vós agindo, retirou as nódoas da ignorância e descerrou aos vossos olhos as belezas do infinito. Sabeis, agora, que a vida não se resume no ergástulo orgânico, tecido na escuridão da vida uterina e arrebatado pela foice da morte. Em vós, esplende a imortalidade vitoriosa, superada a ilusão dos sentidos materiais. Convocados pelo Mestre Incomparável, decidistes por novo mergulho nas águas turvas do lates, ansiando, agora, servir nas fileiras de um exército sem armas, mas sob comando de um general pleno de amor.


Os tempos são outros. Não mais lobrigareis as catacumbas de São Calixto ou o templo de Minerva em Roma onde, outrora, pagãos e cristãos buscavam os favores da deusa ou as bênçãos de Deus.


O mundo, com suas crises morais, assemelha-se, de alguma forma, a um vasto território de tormentas intérminas.


Egoísmo cruel, dissipações dos costumes e olvido da honra e do dever caracterizam esses dias da grande transição. É necessário, fundamental mesmo, decisão férrea e escravidão voluntária ao dever, buscando se forrar à anarquia que salpica de inquietações as sociedades humanas.


Em vossa retaguarda, milhares de seres libertos da constrição material vos manterão inspirados no desiderato abençoado. Vos darão suporte nas horas amargas. Enxugarão vossas lágrimas e vos erguerão nas quedas prováveis.


Ide, exército de luzes!


Caminhai vossas estradas com destemor e confiança Naquele que varou o calvário de cruz às costas.


Que o Mestre da Mansidão vos abençoe e vos guie nas veredas ásperas dos testemunhos íntimos!"


Calou-se a voz arrebatadora do experiente escritor gaulês, a todos inundando de fé e esperança no êxito das tarefas livremente abraçadas.


Em silêncio estava e em silêncio fiquei.


Nossos olhares se voltaram para a colossal massa azul, a rodopiar no infinito, sob as carícias do astro amarelado que a inunda de luz e calor.


Ali, nas suas entranhas, residiam nossas misérias e nossas glórias, redenção e quedas, ascensão e degredo.


Em suas criptas silenciosas as vestimentas físicas utilizadas muitas vezes, a grande maioria em oposição ao dever e a honra.


Agora, parcialmente libertos da ignorância milenar, tínhamos a consciência da empresa difícil, das dores que estavam por vir, mas também nos animava a benção do trabalho e a honra de servir a Jesus, volvendo aos campos vastos do mundo para espargir as sementes da esperança e o trigo do amor, preparando a Terra renovada de um porvir de alegrias e regeneração.


Aos cristãos de qualquer matiz ou interpretação, dedico a presente página, suplicando ao Divino Amigo que nos oriente e nos mantenha em Sua paz.


Marta

Salvador, 31.03.2022

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