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Primavera de Marta - Mensagem do dia 31.08.2022



És uma página viva na imensa biblioteca das relações humanas. Muitos leitores se debruçarão sobre teus escritos morais e deles farão tábua de consulta constante.


Teus atos praticados servirão de bússola para muitos navegantes. Eles ajustarão a própria rota de acordo com as tuas cartas náuticas no curso da vida.


Teu falar se assemelha a um bilhete que lanças no espaço mental de muita gente. Influenciarão condutas, despertarão interesses e alterarão cursos de muitas existências.


Seres transceptores, tanto emitimos quanto captamos. Influenciamos e somos influenciados, mas é fundamental saber em que sintonia ajustamos o próprio rádio.


Uma onda de deletéria frequência pode ser uma péssima programação diária, patrocinando pessimismo e revolta, inquietação e agressividade. A sintonia com uma estação otimista, vibrante de alegria e plena de entusiasmo pela vida possui o condão de nos estimular às boas obras.


Num telefonema podemos projetar imagens mentais que vão perdurar largo tempo em nosso interlocutor, predispondo o ouvinte a atitudes de consequências imprevisíveis.


Circunstâncias existem em que almas tímidas ou inseguras se valem de nossos conselhos para tomarem grandes decisões. E esses conselhos podem as arremessar em grandes decepções ou projetá-las em avançados estados de euforia.


Mesmo quando aparentemente a sós, uma nuvem de testemunhas nos acompanham as vibrações, se afinizam com nosso jeito de ser e pensar e se deixam influenciar por nossa atmosfera mental.


Nosso viver social tem muito impacto em outras vidas, e por isso mesmo nossos procedimentos podem influenciar graves resoluções em outras vidas.


Ninguém precisa ser um livro aberto, descuidando-se da privacidade que deve presidir a nossa intimidade, mas um livro hermeticamente fechado não instrui nem ilumina pessoa alguma.


É na interação, no jogo sutil da convivência que vamos escrevendo nossas páginas morais e afetivas.


Existem períodos na vida que são textos cômicos. Dias de trova e poesia. Capítulos que dariam excelentes romances e surgem ocasiões que nos parece que o livro vai ser encerrado.


Parágrafos de dor.

Reticências que não fecham ciclos e impedem a continuidade dos escritos.

Exclamações sem respostas.

Vírgulas de incertezas.


E momentos surgem onde nos falta a pena para colocar tantos acontecimentos de uma só vez na existência.


Ninguém esquece o primeiro caderno, a tabuada de números, a cartilha escolar. Depois, as marcantes ocorrências do viver.


A frase de amargura que alguém nos projetou. O pensamento agressivo que um adversário atirou contra nossa moradia mental. Um libelo de ingratidão, até hoje difícil de ser degustado no campo emotivo. Um abandono pelo ser amado num instante de entrega, onde os sonhos de felicidade conjugal pareciam tão reais.


E a página de amor se torna tão somente um bilhete vazio!


Cartas e fotos compõem nosso álbum no mundo. Basta um estímulo ligeiro e aquela paisagem que parecia esquecida ressurge dos porões da memória, nos enchendo o coração desse ou daquele sentimento.


Um porta retrato exibe uma desbotada imagem dos genitores, agora agoniada ausência no ambiente familiar. A avó idolatrada e em nossas mãos aquela receita que ela rascunhou, não estando fisicamente visível para refazer aquele prato inesquecível.


O bilhete lacônico e enigmático que o amigo em surto deixou em alguma mesa de casa, se projetando minutos depois no suicídio doloroso.


O recém-nascido deixado numa porta de apartamento ou residência, onde um escrito com erros de português denuncia uma mãe em desespero pelo parto precoce e abandono do parceiro imaturo ou irresponsável. E mais um órfão em busca de ajuda para sobreviver na selva de pedra.


Não por outro motivo o Senhor designou quatro escribas para anotar seu cântico de amor lançado aos homens e mulheres. Seria seu derradeiro testamento para seus irmãos de caminhada. As narrativas vão de Seu nascimento numa manjedoura até Sua crucificação numa tarde cinzenta, em Jerusalém.


Quem as lê se edifica.

Quem as examina se consola.

Escritos que há dois mil anos tem enxugado lágrimas.

Bilhetes da vida eterna.


Receitas ligeiras de felicidade.

Cânticos de imortalidade.

Hoje, a Divindade te ofertou uma nova página no livro da vida. Está em branco. Podes lançar uma novela cômica, uma tragédia ou passar em branco, mas o que escrevas vai ser lido e o não escrito será igualmente examinado.


Tens certeza do roteiro de hoje?

Tens consciência das consequências do que vais escrever e do impacto que vão causar nas mentes que te vão ler?


Mãos à obra!

Deus te inspire e Jesus Cristo te oriente nesse novo capítulo. E por último, conselho de amiga velha: cuidado com o rascunho. Pode não haver tempo hábil para passar a limpo.


Marta

Salvador, 31.08.2022

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