Qual a diferença entre Candomblé, Umbanda, Quimbanda e Espiritismo?

Como todas são baseadas na comunicabilidade com os Espíritos, há muita confusão entre elas. Na resolução da resposta vamos abordar quatro aspectos que consideramos fundamentais para o completo entendimento do tema: origem, objetivo, presença ou não de rituais e como se dá a prática religiosa.


Candomblé

Origem: Trazida pelos escravos da África no final do século XVI.

Objetivo: Chegar ao Divino pelas orientações dos Espíritos. Creem num Deus só, mas também cultuam uma série de Orixás, que são considerados divindades representativas da natureza, que cuidam e equilibram as energias da nossa existência. É uma religião musical e culturalmente rica. Quando chegou ao Brasil a religião passou por mudanças para se esquivar da perseguição católica, assim cada Orixá foi associado a um santo da Igreja Católica, para despistar os jesuítas e dar continuidade ao culto.


Rituais: Enorme ritualística com roupas que representam a indumentária dos Orixás. Acontecem várias oferendas na relação entre o homem e o seu Orixá, como a apresentação de cânticos, ou rituais com animais. Acredita-se que o Orixá serve-se da energia e a força etérea que emana do animal, em sintonia com as energias e as intenções do homem.


Prática religiosa: Prática destinada ao bem, não havendo trabalhos de amarração ou qualquer coisa que possa prejudicar o outro. Incorporações de Orixás são praticadas por médiuns dessas divindades, no entanto, não há incorporação ou psicofonia de outros desencarnados. As consultas são feitas através do “jogo de búzios”. Esses Orixás, segundo entendem, têm o potencial de anular energias negativas e, por si só, proporcionar a harmonia e a espiritualidade necessárias aos seres humanos.



Umbanda

Origem: Também deriva das religiões afro-brasileiras, mas nasceu propriamente em 1908 pelo médium Zélio de Moraes, ao incorporar uma entidade chamada “Caboclo das Sete Encruzilhadas”. Com a ajuda de Espíritos que se apresentavam como ex-escravos (pretos velhos) e ex-indígenas (caboclos) fundou o primeiro centro em Niterói, Rio de Janeiro. É tida como religião verdadeiramente brasileira.


Objetivo: Tal qual o Espiritismo, o objetivo é atingir o grau máximo de evolução espiritual. Acredita na reencarnação. Une elementos do catolicismo, do Espiritismo, das religiões afro-brasileiras e também do culto praticado pelos indígenas, segue o princípio da fraternidade e da caridade sob as leis da Natureza e do plano espiritual. Também é conhecida por linha branca, magia branca ou umbanda pura. Há o consenso de que existe um Deus supremo e Jesus aparece como uma divindade a ser cultuada, sob o nome de Oxalá, mas também cultuam os Orixás.


Rituais: Diferentemente do Candomblé, não realizam rituais com animais, preferindo a utilização de instrumentos como cachimbos, saias, velas, pedras, cristais, banhos, defumações, ervas, colares, bebidas e tabacos em uso mínimo, com o objetivo de dissipar energias negativas. Os médiuns vestem apenas roupa branca. As sessões iniciam-se no início da noite e não ultrapassam meia-noite. As casas mais tradicionais não utilizam tambor, apenas cantos ou palmas para acompanhar o ritmo.


Prática religiosa: As práticas consistem em ações positivas, em conformidade com a ética e a moral, sendo possível, no entanto, clamar por uma espécie de “justiça espiritual”. As sessões são públicas. Os Orixás são cultuados, havendo também a incorporação de guias que representam uma emanação oriunda de cada Orixá. Esses guias, por vezes, portam-se como crianças, pretos velhos, indígenas e chegam a manifestar vícios adquiridos nas últimas reencarnações, como por exemplo o tabagismo. Atualmente, a maioria tem recorrido à vasta literatura Kardecista para maiores esclarecimentos quanto ao mundo dos Espíritos.



Quimbanda

Origem: Religião afro-brasileira que surge no Rio Grande do Sul, a partir de meados dos anos 60. Frequentemente é confundida com a Kiumbanda (ou Quiumbanda), que é a prática de trabalhar espiritualmente com kiumbas.[1] É uma seita religiosa formada por Espíritos em evolução, onde o conceito de bem e mal são condições necessárias à aprendizagem das entidades.


Objetivo: Através do culto aos Exus, objetivam resposta rápidas e imediatas para seus anseios. Os Exus são tidos como interlocutores entre os homens e os deuses, e normalmente são Espíritos que vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas. Em razão disso, são conhecidos como povo da rua. Normalmente, o culto envolve a utilização de energias mais selvagens, consideradas ótimas para fortalecimento do ataque e defesa, chamadas de Eguns. Belzebu e Lúcifer representam os Espíritos mais fortes deste tipo de energia.


Rituais: Podem variar do local do culto e dos seus adeptos, geralmente havendo a necessidade de sacrifício animal. O vestuário varia, pois há aqueles que fazem os rituais sem camisa para um contato mais puro com o ancestral e com a terra, outros que utilizam apenas vestuário de cor preta ou vermelha e, ainda, os que usam cores preponderantemente coloridas, havendo sempre a presença da cor preta, de muitos adereços e joias. As cores do templo normalmente são escuras e utilizam instrumentos como cachimbos, colares, de preferência coloridos e com algo de cor preta, bebidas e tabacos em grandes quantidades. As sessões ultrapassam a meia-noite, podendo seguir pela madrugada.


Prática religiosa: Faz o ético e o não ético, simultaneamente, dependendo da necessidade da assistência. Diferentemente da Umbanda, não há estudo da Doutrina Espírita, nem a presença frequente de guias, como os caboclos ou pretos-velhos, que raramente participam dos cultos. Desta feita, conquanto a quimbanda não possua guias espirituais, a participação destes nas sessões não é excluída.



Espiritismo

Origem: Doutrina surgida na França, no século XIX, sendo a primeira obra espírita publicada em abril de 1857. Seus ensinamentos foram trazidos pelos Espíritos e organizados por Allan Kardec, no chamado Pentateuco Kardequiano: O Livro dos Espíritos, O Livros dos médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O céu e o inferno e A Gênese.


Objetivo: Todos somos Espíritos eternos, criados simples e ignorantes, é dizer, sem conhecimento, destinados à perfeição relativa. Fundamenta-se na reencarnação, que permite ao Espírito o progressivo aperfeiçoamento. Neste caminho, podemos seguir pelo caminho do bem ou mal, em função do nosso livre-arbítrio, mas um dia todos seremos Espíritos puros, perfeitos e felizes.


Rituais: Espiritismo não tem dogmas, rituais, vestes especiais, cálice com vinho ou qualquer bebida alcóolica, incenso, fumo, altares, imagens, velas, trabalhos espirituais, talismãs, sacrifício animal, quiromancia, cartomancia, astrologia, pagamento de promessas, despachos etc., nenhum tipo de atividades deste viés encontra-se nas casas espíritas.



Prática religiosa: Vivência da lei de amor e de caridade, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A sessão mediúnica é privada, sem qualquer ritualística, na qual se realiza assistência aos Espíritos necessitados, através do acolhimento, amparo e orientação a esses corações, sendo integrada por trabalhadores, médiuns, que possuam conhecimento espírita e conduta moral compatível com o evangelho de Jesus, nosso mestre e guia. Traz também importante aprendizado para a equipe encarnada.

[1] Wikipédia. Quimbanda. Disponível em: <https://bit.ly/2BR906V>. Acesso em: 11 jun. 2018.

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